Literatura Espírita: O Matuto

Sinopse: Um matuto que não sabia ler nem escrever, herdeiro de uma enorme fortuna, parecia presa fácil para um advogado que pensava em ludibriá-lo e para o tio dele, que julgando-o morto, pretendia ficar com a herança. Os fatos porém surpreenderam ambos. Este romance agradável e proveitosa leitura, também nos faz meditar e compreender mais as lutas da vida, encorajando-nos a manter a confiança na grande bondade e inteligência de Deus.

O Matuto é um antigo romance espírita ditado por Lucious, publicado primeiramente em 1984. Um história que nos mostra a importância da confiança, da crença na verdade mesmo nos momentos difíceis. Essa é a história de um homem sem instrução, criado numa cidade do interior com o pai, sem contato com a civilização, que descobre ser herdeiro de grande fortuna na cidade grande.

Com apenas dois anos de idade, Geraldo nascido em uma família abastada na cidade de São Paulo, foi raptado pelo pai e levado à uma cidadezinha no interior do Mato Grosso. O menino foi criado sem ter conhecimento da existência da mãe, já que seu pai acreditara nos boatos de traição envolvendo sua esposa.

Acostumado à vida pacata no meio do mato, Geraldo perde o pai e fica sozinho na pequena casa até que uma surpresa muda a sua vida. O homem humilde e sem instrução fica chocado quando recebe a visita de um advogado e um jornalista de São de Paulo que lhe trás a notícia de uma herança milionária e da morta de uma mãe que ele sequer sabia ter.

Geraldo descobre que sua mãe Carolina, mulher da alta sociedade, havia deixado para ele todos os seus bens, e que seu tio, Dr Marcondes, um interesseiro que vivia em guerra com Carolina, pretendia se apoderar de todos os bens da falecida, julgando que Geraldo jamais seria encontrado.

O homem do mato não sabia se realmente poderia acreditar em toda a história contada por aqueles homens que apareceram em sua vida sem pedir permissão, porém alguma coisa dentro dele, em seu coração, o fazia querer ir à São Paulo, não pelo dinheiro que ela não sentia falta, mas pela necessidade de descobrir quem era a sua família e porque fora tão cedo arrancado da mãe.

Ao chegar em São Paulo Geraldo de primeira sente aversão pela Cidade Grande e sofre muitos preconceitos por vir do interior e não ter educação refinada. Ele recebe ajuda do advogado e do jornalista que a principio aparentam serem amigos do homem, mas Geraldo mesmo com sua falta de instrução, percebe que não deve confiar nesses homens. Geraldo pode não conhecer as palavras e saber ler, mas conhece as pessoas e sabe ler a personalidade de cada um.

Logo que chega a mansão de sua falecida mãe, Geraldo faz amizade com o caseiro e a governanta que lhe revela alguns segredos da família. O caseiro que logo simpatiza com Geraldo e percebe o interesse do advogado em passar a perna no matuto, trata de ajudar seu novo amigo a defender o que é seu por direito.

O homem do mato passa a sentir por sua mãe um amor que ele não imaginava sentir algum dia, mesmo sem ter sido criado com ela, ele sente o carinho da mãe sempre por perto e mesmo não se sentindo à vontade a vida de luxo na cidade grande, ele permanece na casa pensando satisfazer o desejo de Carolina. Geraldo aos poucos começa a fazer amizade com os amigos de sua mãe e devido ao seu carisma logo conquista a amizade sincera de alguns.

O Dr Marcondes não desiste de prejudicar o rapaz, mas o apoio sincero de pessoas lúcidas e de bem o ajudam a descobrir as verdades sobre sua família e se adaptar a nova vida sem perder seus antigos valores e sua humildade.

O Matuto é uma história emocionante e Geraldo é um caipira apaixonante. No fim das contas é uma história que nos leva a refletir sobre o ato de perdoar, a importância do perdão na vida das pessoas, a humildade e confiança na verdade e justiça divina. Esse é um livro que eu nunca vou esquecer!

Resenha: O Dom – James Patterson

Sinopse: Os irmãos Allgood nunca desistem de lutar contra os poderes autoritários e desumanos do Único que é o Único, mas agora estão sem Margô – a atrevida revolucionária; sem Célia – o grande amor de Whit; e sem seus pais – que provavelmente estão mortos… Então em uma tentativa de esquecer suas tristezas e lembranças e ao mesmo tempo, continuar seu trabalho revolucionário, os irmãos vão parar em um show de rock organizado pela Resistência, onde os caminhos de Wisty e de um jovem roqueiro vão se cruzar. Afinal, Wisty poderá encontrar algo que lhe ofereça um pouco de alegria em meio a tanta tristeza e quem sabe um amor… Mas na vida desses irmãos nada é tão simples e tudo pode sofrer graves reviravoltas. Entre perdas e ganhos, o Único que é o Único continua fazendo uso dos seus poderes, inclusive o controle sobre o gelo e a neve.

O Dom é o segundo livro da série Bruxos e Bruxas de James Patterson. A Nova Ordem continua aumentando o seu poder, dominando o mundo através de um sistema político ditatorial. As músicas populares foram proibidas, bem como o cinema livre, a literatura e demais formas de arte. A liberdade de expressão não existe mais, o mundo se submeteu ao domínio de um homem inescrupuloso que se autodenomina o Único que é o Único. Em uma antiga loja de departamentos de um bairro degradado, um grupo de adolescentes revolucionários contra ataca o sistema com a ajuda de Margô, uma garota rebelde mas muito inteligente e dos poderosos irmãos Allgood, porém os jovens resistentes sofrem um golpe e tanto quando perdem a Margô, até então líder do grupo.

Os irmãos Allgood terão que reanimar o grupo e fazer a resistência seguir em frente. Wisty e Whit perderam pessoas importantes, não sabem se seus pais ainda estão vivos e nem como encontrá-los, mas apesar das dificuldades, eles ainda são a única esperança de todos os outros adolescentes que conseguiram escapar da Nova Ordem, afinal eles são os jovens da profecia, os salvadores da nova era. Wisty e seus amigos resolvem ir a um show de rock organizado por outro grupo de resistentes de uma região vizinha, o evento parece a oportunidade perfeita de fazer novos contatos, estabelecer alianças contra os homens do poder e também, é claro, aliviar um pouco as tristezas de quem tenta não perder a fé nas coisas boas da vida. Porém Wisty não percebe o perigo por trás das coisas, ignora os pressentimentos do seu irmão e acaba confiando nas pessoas erradas.

Wisty é traída mais uma vez por quem ela menos esperava e os irmãos Allgood voltam as prisões da Nova Ordem. É difícil manter a esperança quando tudo parece dar errado e não se sabe em quem confiar, mas eles não podem se entregar, ainda há muito a ser descoberto. O Único que é o Único demostra todo o seu poder, inclusive o domínio do gelo, para os irmãos e surpreendentemente não os mata e ainda propõe um acordo, há algo que ele precisa para se tornar ainda mais poderoso e por fim, completo. Apenas Wisty tem o que ele precisa e cabe a nossa “Tocha Humana” decidir se vale a pena ceder, entregar o seu dom ao “Homem de Gelo” ou resistir e encontrar uma forma de vencê-lo. Traída por um lado e ajudada por quem menos espera entre surpresas e confusões Wisty se vê mais uma vez em fuga. Consciente do seu poder, mas ainda sem saber como usá-lo para acabar definitivamente com a Nova Ordem.

O livro continua seguindo o mesmo estilo do pioneiro da série, com capítulos curtos e uma narrativa leve, irreverente e bem humorada, sempre com alguma surpresa no meio do caminho e repleto de aventuras mirabolantes do começo ao fim, a história segue seu rumo sem perder o fôlego. Entretanto, os personagens evoluíram pouco do primeiro livro para o segundo, é como se ainda estivéssemos no primeiro livro porém sob outra perspectiva, não se parece uma continuação, mas espero entusiasmada por uma melhor evolução dos personagens no livro seguinte. Não consigo imaginar como essa história vai acabar, mas não dá mais para os irmãos ficarem nessa mesmice de fugir da Nova Ordem, ainda não sabemos até onde o poder dos Allgood pode chegar e como esse sistema pode ser desconstruído.

Clássicos da literatura: Dom Casmurro de Machado de Assis

“Sim eu me faço de forte, mas já chorei no meu quarto, em silêncio, a porta fechada, travesseiro no rosto, chorei por dentro, sofri. Mas sabe o que tudo isso resultou; nada, é preciso aprender a crescer, viver, ser ‘gente grande’ e enfrentar os próprios problemas”

Dom Casmurro é uma das obras de maior prestígio de Machado de Assis, a complexidade e aura misteriosa que envolve os personagens, provocam discussões até hoje sobre a real intenção da história. Afinal, Capitu traiu ou não o amado Bentinho? Ou seria ele apenas um paranóico, ciumento sem motivos? Eis o mistério ainda não desvendado! A história começa quando Bentinho, que mais tarde viria a ser apelidado de Dom Casmurro, decide no fim da vida adulta, atar as duas pontas de sua vida, revelando memórias da sua juventude até o presente momento de solidão que se encontra no fim da vida. A obra é um romance marcado por conflitos sociais da época. A mãe de Bentinho, que tivera muita dificuldade em engravidar, quando teve seu filho fez uma promessa de que ele haveria de ser padre. Viúva e muito católica, Dona Glória sonhava com a carreira de padre do seu filho, não poderia abrir mão da antiga promessa.

Bentinho e Capitu eram vizinhos e muito amigos desde criança, no começo tudo era uma brincadeira inocente de crianças, mas o tempo foi passando, eles foram crescendo e nutrindo sentimentos especiais um pelo outro, juntos eles descobriram o que era o amor, o desejo por outra pessoa. Mas Bentinho se sentia ameaçado, ouvira uma conversa de sua mãe explicando a promessa e necessidade de levá-lo ao seminário. Ele já completara 15 anos e em breve deveria começar os estudos para a carreira de padre. O amor entre Capitu e Bentinho tinha tudo para dar errado, ela de família pobre e sem futuro promissor, e ele herdeiro de família abastada e com o dever de cumprir uma sagrada promessa. Bentinho achava bonita a carreira de padre, mas não poderia abrir mão de Capitu, seus olhos de ressaca, seu jeito de mulher esperta e que sabe o que quer. Eles prometeram um ao outro que se casariam de qualquer forma quando completassem 18 anos.

Bentinho fez drama, inventou que não tinha vocação para a carreira de padre, disse que queria estudar as leis, ou a medicina, mas padre não queria ser. Em momento algum contou a mãe seu amor por Capitu. E Capitu esperta como era, fazia questão de dissimular, se fazer de inocente aos olhos de Dona Glória. Bentinho foi para seminário, e conheceu Escobar, um seminarista que também não queria ser padre, eles tornaram-se grandes amigos. Dona Glória já não aguentava de saudades do filho, e parecia começar a pensar na possibilidade de abrir mão da promessa, pedia perdão ao padre, escreveria uma carta até ao Papa se fosse preciso, ela queria seu filho mais próximo de si, e claro, sendo feliz. Capitu cheia de agrados com Dona Glória, mostra-se uma menina, apesar da baixa classe social, educada e uma possível boa esposa.

Bentinho consegue fazer sua mãe esquecer a promessa, estuda as leis e consegue realizar o desejo de casar com Capitu. Ela era diferente das demais moças da época, esperta, com aqueles olhos oblíquos de cigana dissimulada, conseguia o que queria, gastava pouco dinheiro mas era sempre bem vista, elegante, despertava olhares embora não parecesse corresponder, era ela com suas atitudes firmes e muita perspicácia quem dava as cartas a relação. Bentinho sempre caindo de amores, era passivo, aceitava, deixava-se dominar. Porém o ciúme vivia tirando o seu sossego, é difícil estar ao lado de uma mulher tão desejada e nunca saber do que ela é capaz. Eles tiveram o primeiro filho, e o que deveria ser um presente para os dois, tornou-se mais uma vez um motivo para despertar o ciúme doentio de Bentinho, o menino foi crescendo e revelando-se muito parecido com seu amigo já falecido Escobar. Bentinho olhava nos olhos do filho, seu sorriso e até sua voz lembravam Escobar, até mesmo Capitu admitia a semelhança, mas ela jamais confessara uma traição. Bentinho lembrava-se de um outro caso de uma pessoa que se parecia muito com outra sem ser da mesma família, mas alguma coisa em sua cabeça lhe dizia o tempo inteiro que Capitu fora adúltera.

O sentimento de traição, o ciúme descontrolado e os olhos dissimulados de Capitu jurando inocência, o deixaram louco. Bentinho por um momento pensou em se matar, pensou em matar o “filho”. Capitu arrasada já não sabia o que fazer. A solução foi o divórcio disfarçado, ele não teria coragem de contar a família a sua humilhação. Mandou Capitu para fora do país com o filho, pagava uma boa quantia para o sustento. E mesmo com as juras de inocência de Capitu, continuou a viver com o sentimento da traição que nunca se provou verdadeira. A solidão e o gosto amargo que tomou conta de sua vida o transformaram no conhecido Dom Casmurro, homem frio, de poucas palavras e carranca feroz. E como seria se ele seguisse a carreira de padre? Como seria se ele jamais tivesse casado com Capitu? Não teria talvez, enlouquecido de amor, mas teria enlouquecido por jamais ter-se entregue. De qualquer forma, a loucura já o esperava.

“E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.”

Resenha: Bruxos e Bruxas – James Patterson

Sinopse: No meio da noite, os irmãos Allgood, Whit e Whisty foram arrancados de sua casa, acusados de bruxaria e jogados em um prisão. Milhares de outros jovens como eles também foram sequestrados, acusados e presos. Outros tantos estão desaparecidos. O destino desses jovens é desconhecido, mas assim é o mundo sob o regime da Nova Ordem, um governo opressor que acredita que todos os menores de 18 anos são naturalmente suspeitos de conspiração. E o pior ainda está por vir, porque o Único que é O Único não poupará esforços para acabar com a vida e a liberdade, com os livros e a música, com a arte e a magia, nem para extirpar tudo o que tenha a ver com a vida de um adolescente normal. Caberá a nós Whit e Whisty, lutar contra esta terrível realidade que não está nada longe de nós.  

Pensem em um lugar governado por um sistema extremamente autoritário, as escolas preparam as crianças e os jovens para aceitarem tudo o que o governo impor, seguindo regras e jurando devoção ao governante supremo. As regras do governo são leis imutáveis, quem questiona, foge dos padrões, é considerado um desajustado que precisa de tratamento “especial”. Todas as formas de arte e a liberdade de expressão foram banidas. Livros foram queimados, museus fechados, a música não pode mais cantar o que bem entender. A ciência serve um único objetivo, a impressa não tem escolha e a magia é um pecado condenável. Fala sério! Não é tão difícil imaginar!

Esse é o mundo em que os irmãos Allgood vivem, sob o controle de um ditador com poderes especiais que se denomina “O Único que é O Único” um cara estranho que acha que tem o dever de reordenar o mundo, exterminar o pecado, o caos e a desordem, mas para isso ele se acha no direito de julgar e condenar quem não segue as suas regras ou de alguma forma ameaça o seu poder. Whit é um jovem popular, o atleta bonitão do colégio, aluno aplicado e charmoso que arranca suspiros da garotada, sua namorada Célia também bonita e popular, está desaparecida e a vida de Whit virou um caos. Whisty, irmã mais nova de Whit, é uma adolescente problemática, de temperamento forte, um tanto quanto indisciplinada e com um quadro de notas baixas, embora seja inteligente.

Durante a madrugada a casa dos Allgood é invadida por uma equipe da Nova Ordem, acusados de bruxaria, os guardas ameaçam levar os dois irmões para a prisão. Whit e Whisty não entendem o que está acontecendo, eles aliás sequer acreditam em bruxarias, magia e poderes sobrenaturais. Eles olham para os seus pais em busca de explicações, mas eles lhes entregam apenas um livro velho com páginas em branco e uma baqueta, sem maiores explicações. As ameaças de bruxaria ganham sentido quando algo estranho alcontece, Whisty começa a pegar fogo, transformando-se em uma tocha humana e a situação fica ainda mais estranha.

Os irmãoes são enviados para um prisão repleta de adolescentes considerados ameaças à sociedade e ao governo da Nova Ordem, alguns são apenas jovens rebeldes, outros apresentam poderes estranhos, como se fossem mutantes ao estilo X-Man. Sinceramente, acredito que apesar do nome da série e citar a Wicca (religião neo-pagã, bruxaria tradicional), a história não tem nada haver com bruxaria em si, na verdade é uma grande distorção acerca do que realmente é bruxaria. Os poderes desses jovens se assemelham aos poderes dos mutantes que a gente vê no cinema.

Muitos desses jovens mutantes são usados em pesquisas científicas e muitos outros são condenados a morte, Whisty em especial parece ter algo que governante deseja muito, mas que nem ela sabe ao certo o que seja, até bem pouco tempo atrás a jovem não imaginava que pudesse incendiar as coisas, se transformar em fogo puro. Ela e seu irmão precisam descobrir como fugir da Nova Ordem, mas para isso eles precisam primeiro entender o que está acontecendo e quem de fato eles são. Começa então uma grande aventura, misteriosa e surreal em busca de um conhecimento que parece fora da realidade.

O livro é uma aventura e tanto, embora seja bem diferente do que realmente é bruxaria, mas o enredo é irreverente, curioso e muito criativo, apesar dos poderes sobrehumanos e eventos surreais, a história brinca um pouco com a realidade, abordando de maneira bem sútil questões que envolvem a política e o papel dos jovens na sociedade e de alguma forma o livro atenta para a necessidade de uma atuação mais responsável dos jovens em questões sociais. A narrativa é leve, bem humorada e ágil, a história não te deixa parar para respirar um só minuto, é ação atrás de ação. 

Resenha: No mundo de Luna – Carina Rissi

Sinopse: A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando o seu nome. Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas em tempos de internet e notícias instantâneas a revista passa por problemas financeiros e o quadro de funcionários diminui drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser escrever um texto que ninguém presta atenção? Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam, e entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito – não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia.

Uma autora brasileira escrevendo um romance sobre uma jornalista recém formada? É claro que eu iria ler! Ainda não conhecia Carina Rissi, já tinha ouvido falar sobre ela, mas esse é o primeiro livro dela que pego para ler e confesso que o encontrei por um acaso na internet. De imediato a sinopse me conquistou e comecei a ler o ebook instantaneamente, agora pretendo comprar a nova versão do livro impresso. Embora grande parte dos livros que leio seja de ficção e aventura, esse livro tinha ingredientes essenciais para me conquistar: os dramas de uma jornalista recém-formada, a crise do jornalismo imprenso na era da internet e a cultura cigana da qual faço parte.

A história de Luna é muito mais sobre um amor complicado do que qualquer outra coisa. Não sou de ler romances com muito drama, porque eu sofro demais com os personagens e com esse não foi diferente, sofri demais e não consegui ter sossego antes de acabar o livro, fiquei alguns poucos dias presa naquela agonia, mas no fim valeu a pena. O livro aborda muito pouco sobre questões relacionadas ao jornalismo, é apenas um romance, mas com uma visão realista, com todas as suas dúvidas, confusões, suas dores e sua beleza. É fácil se imaginar dentro das páginas, porque tudo é muito dia a dia e são situações que podem acontecer com qualquer um. Os acontecimentos prendem a nossa atenção, a narrativa é leve e fluída.

Insatisfeita com o seu trabalho, jogando tarô para tentar escrever a coluna de horóscopo e sem ter noção do que ela é capaz de criar com isso tudo, Luna ainda tenta superar o último relacionamento, até que inexplicavelmente ela se vê apaixonada justo pelo homem que ela desprezava, quando na verdade preferia se apaixonar pelo novo fotógrafo gato da redação, mas o destino insiste em conspirar para que ela se aproxime ainda mais de um homem que ela jamais imaginaria que pudesse ter algo em comum. A vida as vezes brinca com a gente e nos confunde, então o que pensamos ser o certo já não é mais tão certo assim.

Qual a diferença entre amor e paixão? Quão incontrolável pode ser um sentimento? Devemos nos entregar aos impulsos ou nos controlar? As coisas ruins que acontecem são mesmo necessárias para que posteriormente coisas boas aconteçam? O livro responde essas questões de maneira reflexiva e nos faz perceber que existe uma força maior que nos governa, a felicidade as vezes pode ter um caminho pouco objetivo, o verdadeiro sempre se estabelece, nem tudo na vida tem que ter uma explicação teórica, as vezes é bom a gente se perder e as vezes a gente só precisa confiar e se deixar levar.

Cheio de reviravoltas, mistérios, incertezas, personagens envolventes e imprevisíveis, além de uma boa dose de humor, é praticamente impossível ler esse livro devagar, logo no primeiro capítulo desperta a vontade de ler tudo de uma vez. Assisti a série na HBO recentemente e embora não tenha praticamente nada haver com o livro, acabei gostando bastante, só não gostei do final decepcionante. A série é engraçada, mas o livro é muito melhor.

Resenha: Cruzando o caminho do sol

Sinopse: Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que tiveram a sorte de nascer em uma tranquila e próspera família na costa leste da Índia. A família passava uma manhã perfeita em seu bangalô de frente para o mar a cerca de 25 quilômetros do Sul de Chennai. Naquele dia a vida das adolescentes mudaria drasticamente. Um tsunami arrasou a costa leste da índia, levando com suas furiosas ondas, a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas elas procuram uma forma de recomeçar a vida, porém sem saber em quem confiar, elas são vítimas de pessoas de mau caráter. Enquanto isso, do outro lado do mundo, em Washington, nos Estados Unidos, o advogado Tomas Clarke passa por dificuldades em sua vida pessoal e profissional, sua esposa o abandona após a morte de sua filha e vai para a casa dos pais em Mumbai na Índia, enquanto Tomas vê seu mundo desmoronando na empresa em que trabalha. O advogado decide se afastar da empresa e tirar um ano sabático trabalhando como estagiário em uma ONG que luta contra o tráfico humano na Índia, enquanto tenta também reatar com sua esposa.  Cruzando O Caminho do Sol é uma história surpreendente sobre o tráfico humano e a escravidão moderna, abrangendo três continentes e mergulhando por cantos escuros da sociedade.

Esse é sem dúvida um dos melhores livros que eu já li. Sou extremamente grata por ter encontrado esse livro quase sem querer na última Bienal do Rio e ter me encantado pela capa e comprado por um preço tão barato, embora eu tenha a certeza de que ele vale muito mais do que os 10,00 reais que eu paguei, me sinto até mal por ter pago um valor desses em uma obra tão incrível. Esse é um dos livros que eu quero guardar para sempre, sem emprestar a ninguém e quem sabe, ler novamente algumas vezes. Cruzando O Caminho do Sol é  o primeiro romance de Corban Addison, graduado em direto pela Universidade de Virgínia e em Engenharia pela Califórnia Polytechnic State University. O autor se interessa especialmente para as questões dos direitos humanos internacionais e apóia a abolição da escravatura moderna. Corban Addison fez um estreia invejável com a publicação dessa obra.

Um livro que aborda detalhadamente os inúmeros casos de tráfico humano, tão comuns e tão silenciados na sociedade moderna, contando histórias paralelas sobre pessoas que foram enganadas, compradas e revendidas como mercadoria simples, tiveram suas liberdades apreendidas e viveram como instrumento na mão dos outros. É impossível não se emocionar com cada história contada, impossível não sentir a dor dos personagens e torcer pelo bem deles.

As personagens principais são as irmãs indianas Sita e Ahalya que perdem sua família, caem nas mãos de criminosos e são vendidas para um bordel em Mumbai, o berço da prostituição na Índia, quando tudo já parecia terrível o suficiente, Sita, a irmã mais nova é revendida a um traficante que a usa para transportar drogas no corpo até a França, Sita é revendida várias vezes, passando da França para os Estados Unidos, de mão em mão, de criminoso a outro criminoso. Enquanto isso Ahalya é resgata pela ONG de Tomas e a menina faz o advogado lhe prometer o impossível: encontrar Sita e resgata – la onde quer que ela esteja.

Tomas que já perdeu uma filha, viu uma  desconhecida ser arrancada de sua mãe e levada para longe, sentiu-se  sensibilizado pela dor de Ahalya e prometeu o que dificilmente poderia cumprir. Enquanto deseja rodar o mundo atrás de Sita, Tomas também precisa reconquistar a ex esposa e ganhar o respeito de seu sogro, a história das irmãs e o empenho de Tomas nessa louca missão acaba reaproximando o casal recém separado.

Porém a luta de Tomas não é fácil, sua missão é perigosa e praticamente impossível, sentimos e sofrimento dele e paralelamente sentimos o sentimento de Sita que luta para fugir dos criminosos e não perder a esperança de reencontrar a irmã. É claro que o advogado aventureiro vai resgatar Sita da forma mais improvável se não a história não teria graça.

O livro é tão realista, tão convincente em sua narrativa que parece de fato ser uma história real com um final milagroso. Com uma temática profunda e bastante atual, retrata os dramas que acontecem diariamente, mas que as pessoas ignoram, casos difíceis de serem resolvidos pela polícia com  consequências perturbadoras. Uma história empolgante do começo ao fim, merecia virar um filme. Um pequeno detalhe que me chamou atenção são as frases no começo de cada capítulo, palavras inteligentes e inspiradoras. Entrou para a minha lista de livros favoritos.

Resenha: A vida secreta das princesas árabes – Jean Sasson

Sinopse: Sultana é o pseudónimo de uma corajosa princesa da Arábia Saudita. Ela é uma das dez filhas da família real mas a sua vida, rodeada de luxo e riquezas inimagináveis, está longe de ser um conto de fadas. No seu país, as mulheres – qualquer que seja o seu estrato social – estão sujeitas à tirania ditada por um fanatismo religioso que promove a poligamia, dá ao homem o poder de castigar cruelmente qualquer mulher e incentiva os casamentos forçados, as mutilações e a violência sexual, as execuções por apedrejamento ou afogamento.

Quando aceitou contar a sua história à jornalista e escritora Jean Sasson, Sultana sabia que estava a pôr em risco a própria vida. Foi conscientemente que abdicou da sua segurança pessoal para denunciar o brutal quotidiano das mulheres sauditas. A sua voz dá-nos a conhecer um mundo no qual a sumptuosidade e a extravagância coexistem com a violência e a barbárie. A princesa partilha connosco a sua intimidade e a das mulheres que a rodeiam; as suas filhas, primas, amigas – mas, na sua franqueza e coragem, ela fala por todas as mulheres.

O livro conta a história real de uma mulher que nasceu e cresceu em berço de luxo, uma princesa de família muito rica, a monarquia da Arábia Saudita, ela tinha tudo para ser feliz, comprar o que quisesse, dar ordens a quem desejasse. Porém na Arábia, o extremismo religioso e a cultura tradicionalmente machista sufoca qualquer tipo de poder feminino. Ter um filho homem para os árabes é um privilégio de Deus, eles recebem de suas famílias todo o poder que desejarem, enquanto a mulher é considerada uma maldição, ela é sub-julgada ao pai, aos irmãos do sexo masculino e futuramente ao esposo que a compra como propriedade. 

Nos parece irreal esse tipo de situação no ocidente, mas é absolutamente comum no oriente, as mulheres são consideradas fracas, emotivas, sem capacidade de dominar suas emoções e por isso mesmo passíveis de cometerem adultério, que é considerado um crime contra a religião do Islã. Elas devem andar cobertas, sem mostrar sequer as mãos após a chegada da primeira menstruação, e não é permitido que façam nada sem autorização de um homem responsável. Sultana desde criança, se rebelava com sua família e principalmente ao tratamento que era dado ao seu irmão, um rapaz autoritário e inconsequente. Seus pais se preocupavam com o futuro da pequena princesa que não aceitava o que lhes era dado como papel de mulher. 

Sultana assistiu sua irmã casar-se com um homem com idade para ser o seu pai e ser violentada por ele, assistiu a passividade de seu pai a querer justificar os erros de um homem cruel, jogando a culpa para cima da mulher e viu o desespero de uma mãe tentando se libertar das amarras do preconceito para salvar a sua filha. A jovem princesa viu a sua melhor amiga ser assassinada pela própria família por supostamente cometer adultério ao se envolver com estrangeiros, embora nunca tivessem achado provas concretas do caso. Ela cresceu, perdeu sua mãe e viu-se obrigada a casar com um de seus primos da realeza.   

Sultana teve sorte de poder conhecer o seu noivo pessoalmente antes do casamento e surpreendeu-se ao perceber que poderia vir a gostar dele, um rapaz que estudou em Londres e tinha uma visão mais moderna da sociedade, embora vivesse no mundo luxuoso e imoral dos homens da realeza saudita, que consumiam bebidas alcoólicas às escondidas e procuravam mulheres estrangeiras para diversão. A princesa teve a sorte de ter um filho homem e apesar de ter um casamento feliz a princípio, ela ainda sofria com tudo o que assistia ao seu redor. Sultana adoeceu e mais tarde descobriu que havia contraído uma doença sexualmente transmissível de seu marido.

A princesa vivia enclausurada em palácios, sua burca era seu escudo obrigatório, embora pudesse viajar e livrar-se do hábito em solo estrangeiro, ela precisa de autorização masculina para deslocar-se. O que não lhe faltava em dinheiro, faltava em liberdade de escolha. Presa, silenciada e incompreendida pela sua própria nação, ela sonhava desde pequena em mudar a sociedade em que vivia, mas ela via-se de mãos atadas, sem saber como se libertar. O texto envolvente nos prende a cada capítulo e não tem como não nos colocarmos no lugar de Sultana, no entanto o livro me deixou muito triste, por saber que se trata de fatos reais. Fiquei realmente abalada ao terminar a leitura, mas esperar por finais felizes em histórias reais às vezes é pura ilusão.

Resenha: Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

Sinopse: Esta é a inesquecível história de um cão que após renascer várias vezes, imagina que haja uma razão para o seu retorno, um propósito a cumprir e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo. Narrado pelo próprio animal, Quatro Vidas de um Cachorro aborda a questão mais básica da vida: por que estamos aqui?

Emocionante e com boas doses de humor, este é um livro para todas as idades, que mostra o olhar de um cão sobre o relacionamento entre as pessoas e os eternos entre os seres humanos e seus animais. Se você gostou de Marley e Eu vai adorar esta aventura que agora ganha as telas do cinema.

“Esta história vivaz e emociante encantará a todos os apaixonados por cachorros.“ – Booklist

história começa quando um cãozinho vira lata tem seu primeiro contato com o mundo dos humanos, o pequeno nasce nas ruas, aprende com sua mãe e seus dois irmãos a caçar comida e principalmente a fugir dos humanos, ele não compreendia porque deveria fugir dos homens, viver à margem da sociedade, mas apenas seguia a sua mãe. Um dia os três cãezinhos são resgatados por um grupo que cuida de animais abandonados e então o pequeno tem o seu primeiro contato com os seres humanos, ele aprende o que há de bom e de ruim no instinto humano, que há pessoas boas, de coração puro e outras perdidas, tomadas pela maldade.

Em sua segunda encarnação ele é um cão de porte grande e vasta pelagem dourada, um Golden Retriever, seu nome agora é Bailey, ele é adotado e tem sua primeira família de verdade. Ao contrário de sua vida anterior no abrigo, agora ele é o centro das atenções e o melhor amigo do pequeno Ethan. Ele descobre no menino o verdadeiro significado do amor incondicional. Bailey faz parte do desenvolvimento de Ethan, vê ele crescer, conhecer sua primeira namorada, se magoar, ir à Universidade e etc. Bailey passa a crer que o seu proposito de vida é estar ao lado do menino, amá-lo e protegê-lo acima de tudo. Mas a vida de um cão é curta demais, Bailey sente que seu tempo está acabando e que terá que ir embora, mesmo achando que ainda não fez o suficiente por Ethan.

Mais uma vez o cão reencarna, dessa vez como uma cadela, uma pastora alemã da equipe de buscas e salvamentos da polícia. Depois de ter vivido a experiência de amor incondicional por um humano, o cão não consegue compreender o motivo de ter que viver mais uma vida longe de Ethan, ele nunca esqueceria o seu melhor amigo. Apesar de levar uma vida boa, aprendendo novas habilidades, encontrando e achando pessoas, ele não é feliz e encara a sua nova vida com a única missão de salvar pessoas das burradas que os outros fazem. Em sua vida como cão policial ele aprende o valor da vida humana e em como o ser humano é complexo e cheio de emoções turbulentas.

Poderia ter acabado, depois de tanto ajudar as pessoas ele merecia descansar ou sei lá para onde vão os cães depois de fazerem tantas pessoas felizes. Mas ele nasce novamente e pela primeira vez sente revolta por ter que viver mais uma vez, uma nova vida imprevisível e cheia de obstáculos. Ele sofre com a dor do abandono, da falta de amor humano. Como poderia depois de ajudar tanta gente ser abanado no meio da estrada como se não valesse nada? A quarta vida do nosso amigo não parecia nada fácil. No entanto, nem tudo estava perdido, ele podia reconhecer vagamente o lugar onde se encontrara sem querer, algo o lembra de sua primeira vida como Bailey.

Será se depois de tantas histórias vividas com tantas pessoas diferentes sua missão fosse voltar para Ethan? Ele seguiu seu faro, tendo a certeza de que ainda poderia reencontrar o seu amigo e consertar o que quer que tenha ficado para trás. O cão consegue encontrar a fazenda onde passou boa parte de sua vida com Ethan, consegue até sentir o seu cheiro, mas será se Ethan o reconheceria? Aceitaria sua amizade de volta? O tempo passara para Ethan que já chegara a terceira idade sozinho em uma fazenda, sem ter construído uma família e agora com um cão teimoso que insistia em permanecer na sua importa, implorando por companhia.

Nosso amigo de quatro patas aprendeu o significado do amor incondicional quando conheceu Ethan e mesmo vivendo outras vidas, nunca esqueceu o seu melhor amigo e foi capaz de voltar para ele, quando ele se encontrava triste e solitário. O eterno Bailey percebeu que talvez tudo isso tenha acontecido porque sua missão era fazer o amigo feliz e resgatá-lo da solidão em que vivia.  O livro nos mostra como o amor irracional de um cão é tão mais simples e genuíno do que o complexo e imperfeito amor humano. Bailey nos ensina o quanto a vida é frágil, feita de momentos únicos, a tolice que é tentar ser feliz sozinho e a necessidade de amar sem medo.

PS: O livro é  W. Bruce Cameron é de uma sensibilidade incrível, narrado pelo próprio cão, nos faz pensar que tudo poderia ser bem mais simples se enxergássemos a vida através dos olhos de um cachorro. Quem tem um amigo de quatro patas nunca mais conseguirá olhar para ele da mesma forma depois de ler esse livro. Com boas doses de bom humor, nos faz dar muitas risadas, mas nos faz chorar também, os sentimentais de plantão que peguem seus lencinhos. Assisti o filme duas vezes e confesso que fiquei decepcionada, por já ter lido o livro e ter imaginado a história toda em todos os detalhes na minha cabeça, o filme foi um balde de água fria, embora não seja muito ruim, mas não tem a riqueza de detalhes e a intensidade emocional do livro, além das peças não se encaixarem totalmente. Esse é um livro que eu quero guardar comigo para sempre, é uma leitura leve e divertida.

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