Resenha: A Garota do Lago – Charlie Donleia

Sinopse: Summit Lake, uma pequena cidade entre as montanhas é esse tipo de lugar bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada. Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle, vai até a cidade para investigar o caso. E LOGO SE ESTABELECE UMA CONEXÃO ÍNTIMA QUANDO UM VIVO CAMINHA NA MESMA PEGADA DOS MORTOS… A selvageria do crime e os esforços para manter o caso em silêncio, sugerem mais que um ataque aleatório cometido por um estranho. Quanto mais se aprofunda nos detalhes e pistas, apesar dos avisos de perigo, mais Kelsey se sente ligada à garota morta. E enquanto descobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado.

Esse é o primeiro livro do médico e escritor Charlie Donlea, um suspense policial muito bem construído, um bom livro de estréia. Gosto muito de livros desse gênero e já tinha ouvido falar muito bem desse livro, mas fiquei enrolando para ler, até de certa forma por um pouco de preconceito com os livros da moda entre os bookstans, porque já havia me decepcionado bastante com alguns desses livros. Recebi esse livro gratuitamente no Skeelo e como estava sem livros físicos novos para ler, embora não goste de ebooks, resolvi dar uma oportunidade. Tenho muita dificuldade para ler livros digitais porque a leitura incomoda um pouco os meus olhos, então tem que ser algo que me cative muito para eu conseguir concluir a leitura. Esse foi um livro que prendeu a minha atenção do começo ao fim e eu consegui ler rapidamente.

” A dor era lancinante. A visão de Becca ficou embaçada, e a audição comprometida. Foi quando ele enfiou as mãos frias sob a calça do agasalho esportivo dela. Nesse momento, Becca recobrou a plena atenção. Apesar de estar imobilizada sob o peso do corpo dele, ela o esmurrou e o arranhou a ponto de deslocar alguns dedos e de as unhas ficarem cobertas de pele e sangue.”      

Gosto muito de livros que retratam tempos e situações diferentes, porque a leitura fica mais dinâmica e sempre fico querendo saber o que vem depois. O livro começa descrevendo o crime de Becca na pacata Summit Lake, depois passa para a situação de Kelsey retornando para o trabalho após uma situação traumática e sendo enviada para Summit Lake para escrever uma reportagem sobre o assunto. A história é narrada em dois tempos diferentes: o passado, a vida de Becca antes do crime e o presente com Kelsey em Summit Lake investigando a história. O clima de suspense é muito bem construído. Vários personagens são estrategicamente inseridos na trama para causar um mistério sobre quem poderia ter sido o assassino. 


” Descobrir um segredo jamais é chave, descobrir por que um segredo é um segredo é o que leva a algum lugar.” 

Kelsey é um personagem incrível, ela retrata uma repórter investigativa astuta, corajosa, determinada e com faro especial para descobrir quando tem algo de errado, quando ela chega na cidade logo percebe que a linha investigativa está errada e os policiais à frente da investigação não querem que a verdade venha à tona. A repórter conta com a ajuda de alguns personagens importantes, um médico, com quem parece ter um relacionamento afetivo e um delegado local, que acaba sendo afastado do caso pelos federais. Juntos eles conseguem documentos importantes que desvendam segredos desconhecidos até dos amigos. O auge, no entanto, é quando Kelsey consegue pôr as mãos no diário de Becca e vai atrás das pistas certas que a levam a desvendar o crime.  

Falando de Becca, ela era uma estudante de direito filha de um advogado importantíssimo que estava se preparando para se tornar juiz. De uma família rica, tudo parecia se encaixar perfeitamente em sua vida, ela era amada e todos pareciam gostar dela, aparentemente não tinha inimigos. No entanto Becca parecia gostar de flertar, ainda que intencionalmente e gostava de chamar atenção dos homens, mesmo que não tivesse o interesse de se envolver com eles. Logo fica bem claro que foi um crime passional, alguém que queria ter Becca para si, a conhecia bem e convivia diretamente com ela. Muitos são os homens próximos à ela que poderiam se tornar suspeitos. 

Becca tinha uma amiga fiel, mas não lhe contava todos os seus segredos, uma amiga da família, com quem conversava bastante, um namorado estudante de direito com quem ela manteve o relacionamento em segredo dos amigos, um ex namorado surtado que às vezes aparecia para perturbá-la, um professor com quem parece que ela possa ter tido um relacionamento e um amigo que nutria uma paixão platônica por Becca, e ficou bastante decepcionado quando descobriu o namoro dela com o amigo. É óbvio que o assassino de Becca seria um desses homens. Logo descartei a possibilidade do ex namorado surtado ser o assassino pois seria algo muito óbvio, também não considerei muito o namorado de Becca porque eles tinham um relacionamento tranquilo. Minha dúvida sempre ficou entre Brad, o amigo platonicamente apaixonado e o professor que também havia se decepcionado com Becca. 

Becca tinha uma amiga fiel, mas não lhe contava todos os seus segredos, uma amiga da família, com quem conversava bastante, um namorado estudante de direito com quem ela manteve o relacionamento em segredo dos amigos, um ex namorado surtado que às vezes aparecia para perturbá-la, um professor com quem parece que ela possa ter tido um relacionamento e um amigo que nutria uma paixão platônica por Becca, e ficou bastante decepcionado quando descobriu o namoro dela com o amigo. É óbvio que o assassino de Becca seria um desses homens. Logo descartei a possibilidade do ex namorado surtado ser o assassino pois seria algo muito óbvio, também não considerei muito o namorado de Becca porque eles tinham um relacionamento tranquilo. Minha dúvida sempre ficou entre Brad, o amigo platonicamente apaixonado e o professor que também havia se decepcionado com Becca. 

“Só fui para conversar. Eu a amava. Apesar de tudo o que ela fez”

O livro começou muito bem, construindo um enredo misterioso e desvendando as informações aos poucos, mas logo foi se tornando muito previsível. O autor segue uma fórmula básica dos livros de suspense: garota polêmica que esconde segredos + personagens problemáticos + mais de um suspeito em potencial. No entanto, o autor pecou em um dos suspeitos, entregando com facilidade a fórmula para matar a charada. É uma leitura instigante no começo, mas no desenrolar vamos encontrando algumas peças soltas e o desfecho é um pouco decepcionante. Longe de ser um livro ruim, foi uma excelente estreia de Charlie Donleia, mas deixou um pouco a desejar em comparação com outros livros mais consagrados do gênero. Apesar da decepção no final da leitura, pretendo dar uma nova oportunidade e ler mais algum livro dele. 


******ALERTA DE SPOILER! NÃO LEIA SE GOSTAR DE SPOILER!******

Desconfie de um livro de suspense que tente te mostrar uma possível morte, mas não mostre um enterro. O suposto suicídio de Brad foi muito pouco explicado e uma grande falha do autor no história. Antes desse episódio eu não estava considerando Brad por que seria muito óbvio que um homem apaixonado com sentimento de rejeição fosse o verdadeiro assassino, embora seja muito comum na vida real, é muito óbvio em um livro de suspense, mas para os leitores que já estão acostumados com o gênero, o autor entregou o desfecho de bandeja. Parece que há duas edições do livro, pois algumas pessoas relataram que no capítulo que cita a morte de Brad diz claramente que ele tirara a própria vida e em outra versão é relatado que ele se enforcou não citando o termo “tirou a própria vida”, porém mesmo com essa divergências nas palavras, dá pra desconfiar quando não há um enterro e todos seguem suas vidas normalmente. 

Embora a maioria dos leitores não considerem o professor como um possível suspeito, por ele ser um personagem raso que aparece bem superficialmente, eu cheguei a considerá-lo justamente pelo fato de sua relação com Becca não ser explícita, mas abandonei a ideia rapidamente. Cheguei a pensar no ex namorado surtado, mas não considerei a suspeita por ser muito óbvio e também seria bastante decepcionante se ele fosse o culpado. O desfecho é frustrante por vários motivos, não só pelo fato do culpado ter sido quem foi, mas também pelo segredo de Becca ser tão ridículo e fora da realidade.     

O livro possui falhas claras, como o fato de ninguém na cidade ter visto Becca e Jack juntos se por várias vezes eles saíram juntos em restaurantes da cidade, sendo uma cidade muito pequena em que todos se conhecem. O fato do casal conseguir manter o relacionamento em segredo enquanto Jack e Brad moravam juntos e por várias vezes Becca dormia ao lado de Brad. Manter um namoro em segredo dos amigos também é surreal e ridículo. O relacionamento entre a repórter e o médico também poderia ter sido melhor explorado, o autor nos faz entender que eles poderiam estar apaixonados, mas não desenvolve o enredo romântico. O livro termina com um sentimento de fracasso e a sensação de estar faltando algo.

Resenha: Beijos de Areia de Reyes Monforte

Sinopse: Laia é uma jovem saariana que começou uma vida nova na Espanha – vai seguir uma carreira, planeja ir morar com seu namorado, Júlio. No entanto, sua felicidade é truncada pelo terrível peso das recordações – ninguém conhece o obscuro segredo que ela conseguiu deixar para trás nas tendas que formam o acampamento de Dajla. E agora, esse passado voltou para assombra-la. Quando Laia desaparece, arrastada a terras africanas pelos fantasmas de seu passado, as duas histórias de amor ganham forçosamente um novo rumo. Laia e Júlio; Carlos e Maima. Uma dança entre personagens que se mesclam no presente e no passado, unidos por um destino em comum – um amor impossível. Uma aventura apaixonante, cheia de romantismo, segredos inconfessáveis, ameaças, injustiças históricas e a impactante denúncia de uma realidade mascarada que ainda hoje existe nas dunas do Saara. 

“Somos o que somos por causa de nosso passado. Você nunca poderá se esquecer de onde veio, nunca poderá mudar isso.”

O livro conta a história de Laia, uma saariana que tenta esquecer suas origens e levar uma vida diferente na Espanha, mas o passado insiste em bater na sua porta e fazê-la encarar o monstro de sua infância nas Dunas. Laia nasceu no deserto, onde passou parte de sua infância, ela era uma Hartani, uma escrava que havia sido doada para uma família saariana e portanto deveria prestar serviços a essa família, esse era o maior segredo que Laia tentava manter guardado a sete chaves.


Quando criança, Laia, assim como outras crianças do deserto participavam de um programa do governo Espanhol, o Vacaciones en Paz, que oferecia uma espécie de férias na espanha, com famílias temporárias que se encarregavam principalmente dos cuidados médicos das crianças. Laia foi recebida por Sandro e Letícia, um casal que não tinha filhos, a criança deveria ser devolvida ao fim do programa, mas devido aos problemas de saúde, precisou ficar mais tempo na Espanha. 

Letícia e Sandro apegaram-se à Laia, que embora assustada com toda a situação, não desejava voltar para a sua antiga família. O casal consegue a guarda de Laia, o tempo passa, ela cresce, estabelece sua vida na espanha, mantém suas origens sob segredo, nem seus pais adotivos sabem de sua história por completo. Laia apaixona-se por Júlio, um espanhol com quem pretende se casar, ela também tem planos de fazer faculdade e tudo parece se encaixar perfeitamente em sua vida, quando o passado começa a assombra-la. 

Nos acampamentos de Djala, a antiga família saariana de Laia, busca uma forma de trazer a Hartani de volta para o deserto, eles nunca aceitaram perdê-la e prometeram trazê-la de volta nem que fosse à força. Laia começa a ser perseguida e seus dias de paz chegam ao fim. Ela é levada contra a vontade ao Sul da Argélia, ao antigo acampamento de Djala, onde encara novamente o pesadelo de uma vida de servidão, humilhações e torturas. Laia é forçada a trabalhar em condições extremas de calor e exaustão física.

Logo Sandro, Letícia, Júlio e seu pai Carlos, descobrem a verdade sobre Laia e não medem esforços para encontrá-la e trazê-la de volta, porém a missão não será tão simples, pois envolve questões culturais do povo de Djala, no qual a política espanhola não tem autorização para interferir. Nas areias quentes e secas do deserto Laia, vai perdendo cada vez mais as esperanças de voltar para a sua vida na Espanha, convivendo com o medo, a dor, a saudade e a frustração.


“– Quero dizer que a vida das pessoas mudam, e muitas vezes não se pode fazer nada para evitar. Hoje estamos aqui e amanhã no lugar mais afastado de nossos sonhos. “ (p. 332)

Em paralelo temos a história de Carlos, pai de Júlio, que acaba se cruzando com a história de Laia, nas areias do Saara. No passado Carlos viveu um romance proibido com Maima uma jovem saariana, separados pelo destino, por um golpe de sorte, acabam se reencontrando durante a missão para resgatar Laia e Maima acaba sendo uma personagem fundamental nesse resgate. Passado e presente se chocam e os destinos se cruzam inesperadamente.    

O livro é narrado em terceira pessoa, a autora traz detalhes vívidos de forma bem explicativa, alguns detalhes desnecessários acabam tornando a leitura cansativa. Algumas partes parecem se arrastar apenas para aumentar o volume de leitura, apesar de ter um enredo muito bom, a leitura é maçante. A história retrata a cultura opressiva do oriente, no que diz respeito às mulheres, a realidade de injustiças vividas no deserto, mascaradas pelo que chamam de cultura local e tradição, a vida em condições precárias e os conflitos entre a Espanha e a região saariana.    

Babel, Romance em Tempos de Guerra – Martha Sutter.

Sinopse: A terra fértil entre os rios Tigre e Eufrates, que corresponde o atual Iraque, foi berço de invenções que mudaram o mundo: a roda, o arado, a escrita e também palco de disputas ferozes entre reinos. Nesse turbilhão, ao mesmo tempo criativo e destrutivo, o amor e a guerra conviviam lado a lado – segundo a crença da época, estavam sob o domínio de uma mesma divindade, a poderosa Deusa Ishtar. Babel – Romance em tempos de guerra reconstrói a disputa ocorrida há 4.000 anos, entre dois importantes reinos da Mesopotâmia. De um lado a emergente Babel, estando sob a regência de Hammurabi, conhecido mundialmente por seu código de leis, e de outro lado Larsa, governado por Rim-Sin. Tendo como cenário de fundo esta guerra, desenrola-se o cotidiano peculiar da taberneira vendendo cerveja, passando pela escriba, que anota no tablete de argila as adivinhações dos sacerdotes, até a realeza com suas intrigas e espionagens. No romance Babel, a vida desses antigos habitantes é retratada com tal riqueza de detalhes, que o leitor se sente como um deles.  

   

A história se passa em uma época muito distante, no ano de 1763 antes de Cristo, em um período de muita tensão entre os antigos reinos da Mesopotâmia. Larsa e Babel eram reinos prósperos, porém em lados opostos, Larsa era um reino imenso, com seu poder consolidado, porém sob ameaças internas e externas, com um rei que acabara de perder um de seus filhos e cercado de pessoas falsas e pretensiosas. Babel era um reino em constante ascensão, governado por Hammurabi, um líder forte, pretensioso e inflexível, firme em um propósito de domínio e poder. Hammurabi procura investir todo o seu poder para tentar invadir e conquistar Larsa, mesmo contrariando as difíceis previsões, pois Larsa é um reino aparentemente impossível de invadir. 

Em meio a toda guerra e luta por poder, Hammurabi encontra Núria, uma mulher tão inflexível e destemida quanto ele. Núria é uma súdita real, foi casada com o filho falecido do Rei de Larsa, porém o casamento não foi considerado consumado pois Núria não teve filhos. Núria acaba sendo prometida em casamento ao seu cunhado, o novo herdeiro de Larsa, Rammâmn Lâ Shânan, uma idéia que nada lhe agrada, já que Nuria tem a desconfiança de que príncipe mais novo pode ter sido o responsável pela morte de seu próprio irmão, para lhe tomar o lugar na linha de sucessão ao trono. 


Aflita com a ideia de se casar com Rammâmn Lâ Shânan, Núria foge e acaba indo parar em Babel, onde recebe abrigo e conhece o Rei Hammurabi. A figura firme, enigmática e conquistadora do Rei desperta a atenção de Núria e provoca um misto de sentimentos em seu coração aflito, ao mesmo tempo em que sua beleza, inteligência e personalidade forte, desperta o desejo de conquista de Hammurabi. Mais do que dominar Larsa, o Rei de Babil cobiça também tomar Núria como sua esposa. Núria percebe a ameaça contra o povo de Larsa e retorna ao reino de Larsa, receosa do que pode acontecer, ela luta contra os sentimentos de desejo e a vontade de ajudar o seu povo. 

Ao chegar em Larsa, Núria acaba sendo traída por membros da corte que desconfiam de sua passagem por Babel, embora não tenha feito nada de errado e apresente justificativas plausíveis para sua viagem, uma conspiração faz com que Núria enfrente o juízo cruel da corte, a mulher é julgada, caluniada, humilhada e agredida a chibatadas em público. A guerra é inevitável e Babel consegue a sua tão sonhada expansão, Hammurabi consegue conquistar e dominar cruelmente o Reino de Larsa, o que ele não sabe é que sua missão mais difícil seria conquistar a destemida Núria. 

Larsa e Babel cultuam os Deuses antigos e até então toda a região da antiga Mesopotâmia estava sob o domínio da deusa Istar. A história apresenta toda uma aura mística sob a forma como os antigos Deuses influenciavam nos acontecimentos entre os reinos, mais do que uma guerra entre humanos, é também uma guerra entre os Deuses. O livro retrata uma sociedade dominada pela disputa por poder, pela influência religiosa nas decisões de um povo, a escravidão, a servidão do povo perante os reis e o papel da mulher em uma sociedade machista. A leitura é um pouco cansativa, mas é uma história interessante, bem detalhada, é um romance complexo e nada bobo.  

Resenha – Madame Terror de Jan Guillou

Sinopse: Quando o submarino russo Kursk avariado, foi parar no fundo do mar de Barents em consequência de um erro norte-americano, ficou claro para todas as organizações de espionagem do mundo que a Rússia tinha desenvolvido uma nova e superior tecnologia de submarinos. Os palestinos que sempre foram inferiores, viram com o acidente a possibilidade de colocar as mãos num super submarino russo e alcançar, pela primeira vez, uma posição de superioridade. A missão de realizar o maior ataque terrorista da história mundial é dada a general-de-brigada Mouna al Husseini. Ela reconhece que o choque entre oficiais russos e universitários palestinos altamente instruídos é inevitável. E que o projeto só poderá ir a frente se for encontrado um comandante que não seja Russo, mas fale fluentemente o idioma e que de preferência, tenha sido condecorado com a Estrela Vermelha e com a maior condecoração do país, a medalha de Herói da Rússia, além da Legião de Honra da Palestina. E que seja de fato, acima de tudo, um oficial da marinha. Essa combinação quase impensável existe, na realidade, na figura de um velho amigo de Mouna. Assim que o vice-almirante Carl Gustaf Gilbert Hamilton, sueco de nascimento, e protegido pelo FBI, subiu a bordo do U-1 Jerusalém, tudo mudou. As duas principais adversárias na luta política que se sucedeu a seguir foram Mouna al Husseini, a Madame Terror, e a secretária de  Estado norte-americana, Codoleezza Rice. Elas de lados opostos, se tornaram grandes amigas para uma vida inteira, e de certa forma inimigas.

O primeiro livro da série Os Desafios de Halmiton – Madame Terror, escrito pelo jornalista e escritor Jan Guillou, conta uma história de guerra, patriotismo, terrorismo, religião e política internacional. A obra fictícia está tão bem inserida no contexto da nossa atual política internacional e apresenta tantos dados técnicos que parece estarmos diante de um livro-reportagem sobre uma guerra marítima que realmente aconteceu. O fato de Jan Guillou ser um respeitado jornalista sueco deve reforçar o sentido de realismo da sua obra. De um lado temos a Rússia e a Palestina e de outro Irrael e os Estados Unidos. Mouna al Husseini era a líder do grupo de Libertação da Palestina, crescida em uma zona de guerra, ela fora programada para revidar qualquer forma de ataque, patriota, ela odiava Irrael e sonhava em ser a libertadora da Palestina que entraria para a história mundial.

A Rússia, inimiga declarada dos Estados Unidos, entrou em acordo com a Organização de Libertação da Palestina, fornecendo a tecnologia necessária e os melhores marinheiros. O que pareceu impossível aconteceu, o maior submarino da história fora construído, russos e palestinos trabalhavam juntos embora enfrentassem algumas divergências, e mais um detalhe inédito, esse seria o primeiro submarino da história russa com mulheres a bordo. Carl Halmiton se torna a peça chave, o sueco protegido pelo FBI e condecorado como Herói da Rússia em missões no passado, sobe a bordo do U-1 Jerusalém e ganha a missão de manter a ordem entre russos e palestinos em zonas de conflito.

O U-1 Jerusalém parte da Rússia em direção a Isrrael, a missão é atacar a base da marinha em Isrrael e dissimar militares, promovendo o maior ataque terrorista da história, depois do 11 de setembro. Para isso eles precisam combater qualquer submarino espião que tente impedi-los de completar a missão. Com uma respeitada jornalista a bordo, aos poucos o submarino russo com a bandeira da Palestina vai se tornando um mistério a ser revelado. Após o sucesso no ataque à Isrrael, o submarino vai a superfície e Mouna mostra sua cara pela primeira vez, amada por uns e odiada por outros, Mouna exige a libertação de prisioneiros palestinos, a construção de um Porto e um aeroporto na Palestina, mas a missão não vai ser tão fácil.

A revolucionária protegida pelo presidente da Rússia e o presidente da Palestina, ganha o apelido de Madame Terror e desperta o ódio de Isrrael e dos Estados Unidos que insiste em se meter no conflito alheio. Mouna nunca teve o intuito de atacar os Estados Unidos e apesar de ser chamada de terrorista, ela condenava aqueles que jogam suas vidas fora em ataques contra pessoas que nada tinham haver com a política internacional. Apesar de estar acostumada a matar, o alvo de Mouna era a base militar e seus motivos eram o desejo de libertar a sua Pátria dos verdadeiros terroristas.

Os Estados Unidos toma as dores de Isrrael, por simples sentido de atacar qualquer grupo que futuramente possa ofecerer perigo a nação americana, embora os palestinos afirmem ter como único alvo a base militar de Isrrael. Enquanto a maioria dos países prefere não interferir, os Estados Unidos declaram guerra à Palestina, caçando e ordenando o ataque ao submarino U-1 Jerusalém, no entanto, os americanos não sabem que os russos conseguiram construir uma tecnologia maior do que tudo o que já foi visto na história americana. Uma guerra entre um submarino americano e o submarino Russo é um suicídio coletivo declarado, mas os americanos parecem estar convencidos do contrário.

Mouna se reúne com a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, as duas entendem a necessidade de evitar uma guerra, mas isso não depende apenas das duas, incrivelmente elas se tornam grandes amigas, duas mulheres muito parecidas em situação política oposta, e por isso também inevitavelmente inimigas. Os americanos armam uma emboscada contra o U-1 Jerusalém mas acabam levando a pior, o governo americano tenta distorcer os fatos levando o povo a crer que o ataque partiu inicialmente dos terroristas, mas algumas provas denunciam o contrário. O submarino termina a sua missão com festa entre os tripulantes e sentimento de vitória, mas a Madame Terror sabe que muito ainda precisa ser feito em nome da Libertação Palestina, a guerra ainda não acabou.

Com uma narrativa dinâmica é difícil parar de ler, uma história surpreendente onde o vilão torna-se o mocinho, um ataque terrorista visto de um outro ângulo, os vários lados da moeda da complexa política internacional. Jan Guillou é um dos jornalistas mais respeitados da Suécia e também um prestigiado escritor com mais de 40 livros, onde muitos foram transformados em filmes. Madame Terror, somente na Suécia vendeu mais de 5 milhões de exemplares o que elevou a posição de personalidade cultural mais influente de toda a Escandinávia. Hoje além de escritor e diretor de cinema, Guillou escreve para o jornal Aftonbladet e é considerado um dos mais influentes formadores de opinião da Suécia. Sua série de maior sucesso publicada no brasil é As Cruzadas com 4 livros pela Bertrand Brasil.

Resenha: O Diário de Anne Frank

Sinopse: O retrato da menina por trás do mito. A única edição autorizada por Anne Frank Fonds, onde parte dos direitos autorais são direcionados a Unicef. O depoimento da pequena Anne, morta pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona leitores no mundo inteiro. Suas anotações narram os sentimentos, os medos e alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao holocausto. Uma poderosa lembrança dos horrores de uma guerra, um testemunho eloquente do espírito humano. Assim podemos descrever os relatos feitos por Anne em seu diário. Isolados do mundo exterior, os Frank enfrentam a fome, o tédio e a terrível realidade do confinamento, além da ameaça constante de serem descobertos. Nas páginas de seu diário, Anne Frank registra as impressões sobre esse longo período no esconderijo. O diário de Anne Frank é um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.

No dia 12 de junho de 1942, ao completar 13 anos de idade Anne Frank ganhou um diário e passou a registrar o seu cotidiano. De origem judia, Anne vivia em Frankfurt na Alemanha, com a sua família, sua mãe Edith Frank, seu pai Otto Frank e sua irmã mais velha Margot Frank. Eles tinham uma vida tranquila até o dia em que Margot recebeu uma carta para comparecer a um campo de concentração nazista. O ódio contra os nazistas aumentava cada vez mais e a família Frank precisou fugir da Alemanha para a Holanda para tentar sobreviver. 

Anne passou a ter de viver enclausurada em um sótão pequeno, fechado, sem poder sequer se aproximar de janelas para não ser vista e não despertar desconfiança. A comida era escassa, tudo tinha que ser muito bem dividido entre eles para que ninguém passasse fome, também faltavam opções de roupas para o inverno rigoroso e o dia seguinte era sempre uma incerteza. A família Frank passou a ter que dividir o espaço com outra família de judeus, a família do senhor Van Dan, sua esposa e seu filho Peter. Anne em seu diário relata as dificuldades de conviver em isolamento, a convivência forçada com uma família que lhe estranha mas que passa pela mesma situação, as incertezas sobre o futuro, seus sonhos e medos. 

Anne Frank é uma adolescente inteligentíssima, criativa, sensível e lúcida, ela está descobrindo a si própria, sua sexualidade e a formando a sua personalidade como mulher em meio à uma guerra cruel que parece nunca ter fim. Seu diário é a sua maior distração nos momentos em que todos parecem estar presos demais em suas próprias dores e aflições, é nas folhas de papel que ela coloca pra fora tudo o que sente, pensa e deseja. Ela começou a princípio escrevendo para si mesma, até ouvir na rádio um membro do governo da Holanda recomendando que as cartas e os diários escritos durante a invasão alemã na Holanda sejam guardados para serem publicados após a guerra. 

Anne então decide reescrever seus relatos, acrescentando informações extras, relatando o que se passa também entre os seus companheiros de confinamento e externa o desejo de que seu diário possa ser publicado. Em agosto de 1944, após dois anos de esconderijo, oficiais da Gestapo descobrem a localização do grupo e então eles são conduzidos aos campos de concentração. A princípio Anne foi levada para Auschwitz e depois para Bergen-Belsen onde morreu em fevereiro de 1945. Quando a guerra acabou, o diário de Anne Frank foi recuperado e entregue a seu pai, que conseguiu publicá-lo em 1947. 

O livro é um relato profundo, emocionante e triste como todas as histórias relatadas sobre o período nazista. O fato de ter sido escrito por uma adolescente em meio ao seu processo de amadurecimento, trás uma carga emocional mais pesada. É um livro de se ler com um lencinho para secar as lágrimas, é impossível não se emocionar com os relatos sofridos de Anne. Sua personalidade forte, inteligente e racional é cativante e envolvente. Esse sem dúvida é um livro clássico e muito importante para a história mundial e sua leitura deveria ser obrigatória a todos os públicos para que a humanidade nunca se esqueça das barbaridades do nazismo. 

Resenha: Amon. Meu avô teria me executado

Sinopse: Aos 38 anos de idade, a publicitária alemã Jeniffer Teege fez uma descoberta que a deixou chocada: seu avô, que ela não chegou a conhecer, era o infame comandante Amon Goth, do campo de concentração de Plaszow, na Polônia, cujo sadismo se destacou em meio à barbárie nazista. Milhares de pessoas conhecem a história de Amon Goth pelo premiado filme “A lista de Schindler” de Steven Spielberg lançado em 1993. Como esquecer da chocante cena do comandante atirando em prisioneiros de forma aleatória, da sacada de sua residência? Com a ajuda do jornalista Nikola Sellmair, Jennifer começa uma profunda e dolorosa pesquisa sobre a história da sua família biológica. Passo a passo, partir da chocante história da sua família, começa uma história de libertação.

Jennifer Teege, autora de seu próprio livro com a ajuda de um jornalista, relata a descoberta de sua árvore genealógica, o choque e a amargura de descobrir as suas raízes. Jennifer nasceu em 1970, filha de uma alemã com um nigeriano, neta de alemão nazista, quando tinha apenas quatro semanas de vida, sua mãe a entregou para um orfanato, sua gravidez fruto de um relacionamento com um homem negro, não seria aceita por seu pai, o comandade Amon Goth, deixar a criança mestiça em um orfanato era a melhor maneira de protejê-la.  Aos 7 anos Jennifer foi adotada e viveu em Israel como estudante. Atualmente ela trabalha com publicidade e vive com sua família na Alemanha. 

 A descoberta de Jennifer sobre a origem de sua família ocorre de forma aleatória. Já adulta, bem resolvida na vida, com seu emprego e sua família, Jennifer encontra um livro de capa vermelha, com o rosto de uma mulher familiar, em uma biblioteca,com o nome de Monika Goth, o livro conta a história da filha do comandante Goth, sua mãe biológica, através do nome, da foto e de relatos deste livro, Jeniffer desconfia de que aquela mulher pode ser sua mãe e começa a investigar até encontrar a verdade sobre suas origens. 

Jennifer teve um bom relacionamento com sua família adotiva, seus pais e seus irmãos, nunca havia cogitado buscar a sua família de sangue, embora tivesse boas recordações de sua avó materna, com quem foi mais próxima ela aceitava a vida que tinha e não buscava pensar sobre seu passado, ela tinha filhos, marido, um profissão e tudo parecia estar certo no seu caminho, embora às vezes lhe batesse um sentimento de despertencimento junto aos seus irmãos adotivos. Até que por um acaso ela se depara com o passado, ela reconhece a mulher na capa do livro e o passado passa a lhe tirar o sono. 

A alemã que morou em Israel, aprendeu hebraico, conviveu com judeus, fez amigos vítimas do nazismo, faz uma busca profunda por si mesmo e por aqueles que deveriam a ter acolhido. Jennifer passa a viver um conflito entre o sentimento carinhoso que tinha pela sua avó materna e o medo de que ela tenha sido omissa quanto aos crimes praticados por seu avô e o desejo e medo de se aproximar de sua mãe biológica. Ela também se questiona se a sua família adotiva sabia quem era o avô. 

Jennifer mergulha em profundas pesquisas sobre o nazismo, famílias de nazistas, os herdeiros de nazistas e as famílias das vítimas desse crime bárbaro. Ela chega a viajar pela Alemanha e Polônia, visita os antigos campos de concentração e conversa com especialistas. O passado de sua família lhe pesa bastante sobre os ombros, mas com coragem e determinação ela enfrenta seus sentimentos mais conflituosos e busca seguir em frente de cabeça erguida. 

O livro traz relatos pesados e emocionantes não apenas sobre Jeniffer Teege e a relação com sua família, mas também de outras famílias ligadas ao nazimo como Bettina Goring, neta de Hermann Goring que decidiu se esterilizar. Os relatos nos mostra que ambos os lados dos herdeiros do nazimo, famílias de vítimas e famílias de carrascos sofrem com o peso dessa herança amarga. Jennifer teve depressão e lutou para se recuperar e seguir com a sua família. 

Jennifer tentou se reaproximar de sua mãe biológica, embora não consiga perdoá-la por completo, promete ter empatia e não guardar rancor, ela passa a aceitar o sentimento de afeto que sempre nutriu por sua avó e também conseguiu conhecer seu pai biológico com quem teve um ótimo relacionamento, viajou para a Nigéria e passou a ter orgulho de sua raiz africana. Jennifer Teege ainda manteve o relacionamento com sua família adotiva e nunca escondeu de seus filhos a verdade sobre suas origens e seus antepassados.

Meus clássicos da literatura favoritos

1) Dom Quixote

Esse livro sem dúvida foi o ponta pé inicial na minha história de amor com a literatura. Eu era uma criança que não gostava muito de ler, detestava os livros paradidáticos lidos na escola, talvez pela pressão e obrigação de ler. Esse foi um livro que não tive que ler por obrigação, li por curiosidade, minha mãe me dizia que era uma história engraçada e eu me apaixonei por essa história louca, divertida e irreverente. Tive uma versão pocket e uma versão clássica de colecionador. Dom Quixote é um idealista, corajoso e obstinado em sua luta contra os monstros que só existem em sua mente, um cavaleiro lutando por justiça em meio a insanidade e a descrença. Essa é uma história sobre a superação de si mesmo durante as lutas muitas vezes patéticas que enfrentamos em sociedade.

2) Alice no país das maravilhas

Resolvi ler esse livro depois de ver o filme e me apaixonar pela Alice e pelo chapeleiro maluco. É o meu conto favorito, a história de uma garotinha que cai em um buraco de coelho e descobre um universo paralelo repleto de mistérios e magias. Com sátiras e metáforas, a história é uma crítica ao moralismo e superficialidade da sociedades inglesa durante o reinado da rainha Vitória e o abandonado das convenções sociais tendo a loucura como escapismo. O louco chapeleiro é talvez um dos personagens mais sábios dessa história e Alice é um simbolo de coragem, determinação e heroísmo. A história trás uma lição sobre coragem e autenticidade, sobre o que somos capazes de fazer quando não desistimos de nós mesmos.

3) Gabriela, cravo e canela

Ganhei esse livro da minha madrinha, já tinha assistido a minissérie baseada nessa história e sempre gostei bastante. O livro é ainda melhor do que todas as adaptações já feitas pela TV Globo. Um romance simples que passa em uma época bastante complexa em uma sociedade dominada por um moralismo hipócrita herdado pela influência européia no Brasil. Gabriela é uma mulher que gosta dos prazeres da vida e dos homens bonitos, gosta de ser cortejada e gosta também do Sr. Nacib e o Sr. Nacib se apaixona por Gabriela, mas quer que ela se encaixe nos padrões de mulher recatada e polida. Com uma narrativa riquíssima, Jorge Amado nos faz viajar entre cores, aromas e texturas.

4) Dom Casmurro

A famosa obra de Machado de Assis trata A da complexidade das relações afetivas, a forma como as convenções sociais influenciam na maneira como as pessoas vivem seus relacionamentos afetivos, a imaginação humana, o amor possessivo e egoísta de pessoas desequilibradas e o poder de influência da mente humana. Com uma narrativa instigante, o autor nos faz refletir sobre inúmeras possibilidades, um romance leve e ao mesmo tempo complexo porque envolve personagens complexos. O livro apresenta uma crítica social a sociedade que julga e condena as mulheres à submissão, e também em relação a forma mal como as mulheres pobres e humildes são vistas pela sociedade. Capitu era pobre, sem muita classe e ao se casar com um homem rico é julgada por não ser uma mulher modelo. A propósito Capitu não traiu.

Resenha: O Último Patriota de Brad Thor

Sinopse: Numa manhã tranquila em Paris, o ex agente do serviço secreto dos Estados Unidos, Scot Harvath, não podia nem imaginar que em breve voltaria a se envolver com política e espionagem, enfrentando mais uma vez seu pior inimigo: o terrorismo. A explosão de um carro-bomba na capital francesa muda por completo sua rotina pacata junto da namorada Trancy e ele embarca numa aventura ensandecida a fim de desvendar a última revelação de Maomé – um segredo que pode transformar o islamismo em uma religião totalmente diferente da que é hoje. Harvath salva o professor Anthony Nichols do atentado à bomba e os dois se veem obrigados a fugir das autoridades francesas. Especialista em Thomas Jefferson, Nichols vem conduzindo, por ordem do atual presidente americano, uma operação arriscada em busca das informações que levarão a decifrar o mistério em torno da última revelação do profeta Maomé não incluída no alcorão. Quem está por trás da tentativa de assassinato é Matthew Dodd, vulgo Majd al-Din. Ex-agente especial da CIA e desiludido com a sociedade americana, Dodd se converteu ao islamismo e forjou a própria morte, passando a prestar serviços a fundamentalistas mulçumanos dentro e fora dos Estados Unidos. Com uma narrativa irresistível  e repleto de ação do começo ao fim, O Último Patriota é um thriller cativante que desafia o leitor a refletir sobre como as antigas tradições do islã se relacionam com o terrorismo que marca o século XXI.

Um livro sobre os mistérios do Alcorão, o velho terrorismo que ameaça os Estados Unidos, e é claro, o patriotismo americano. A obra de Brad Thor especula que no ano 632 da era cristã, o profeta Maomé, compartilhou com seus seguidores mais próximos, uma última e surpreendente revelação recebida por Alá, e que seria essa uma revelação final, a última sura (mandamento) do Alcorão que revogaria todos os versículos anteriores. Porém dias depois, ele foi assassinado por pessoas que queriam impedir que essa revelação fosse divulgada. 

Os terroristas usam passagens do alcorão para justificar os seus atos; a nona sura, o penúltimo capítulo é a mais violenta de todas, contém versículos como “Matem os idólatras sempre que os encontrarem, e os que se recusam a lutar por Alá serão afligidos por uma morte dolorosa e irão para o inferno” esse é um dos versículos usados para justificar a intolerância e violência contra os povos de outras religiões. Se Maomé realmente tivesse uma última revelação pacífica e que anulasse todas as invocações à violência anteriores, isto causaria um grande impacto no Islamismo.

Após 11 séculos do ocorrido, Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos e um grande estudioso do Alcorão, que na época travava um combate com os violentos piratas muçulmanos da Berbéria, procurava também desvendar os segredos do Alcorão e a possível revelação final de Maomé que deveria apaziguar a violência islâmica. Jefferson não consegue desvendar essa revelação final, mas deixa pistas em um livro que anos mais tarde serve como guia a pesquisadores, estudiosos e até especialistas da inteligência americana na busca pelo segredo mais bem guardado do Islã.

A aventura começa quando Scot Harvath, um ex agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos, percebe que um atentado pode acontecer em Paris, próximo de um café em que ele lanchava com sua namorada Tracy. O agente especialista em operações de combate ao terrorismo, não poderia imaginar que em breve, teria que voltar ao trabalho, enfrentando novamente o terrorismo, que já havia ameaçado sua vida e a vida de seus parentes e amigos. Scot presenciou a explosão de um carro bomba e salvou o professor Antony Nicolas, sem saber que ele era o alvo do atentado. Antony é um especialista em Thomas Jefferson e vem realizando pesquisas por ordem do presidente do Estados Unidos, em uma perigosa operação em busca do antigo segredo perdido do Alcorão: a revelação final de Maomé.

Por terem sido reconhecidos nas câmeras de segurança durante o curioso atentado, o professor Anthony, Scot e Tracy são perseguidos pela polícia parisiense, porém o professor não pode entregar sua sigilosa pesquisa às autoridades locais. O agente Scot Harvath se vê obrigado a retornar ao seu antigo posto, ao entrar em contato com o Presidente dos Estados Unidos, Scot recebe ordens para proteger o professor, levá-lo em segurança para o território americano, e neutralizar o inimigo. Quem está por trás do atentado é um ex agente especial da CIA que se converteu ao islamismo e passou a prestar serviços para um grupo de fundamentalistas.

O livro narra a história de americano desiludido com seu país de origem, que sente-se seduzido pelo Islamismo, e um americano patriota que busca a paz mas não foge da guerra. A narrativa e o caráter de ameaça religiosa é bem ao estilo O Código Da Vince, e de fato este livro é para o Islã o que o Código Da Vince foi para a Igreja Católica. Se houvesse uma revelação final de Maomé, não incluída no Alcorão, o fanatismo Islâmico, o ideal de que o Alcorão é a completa e mais correta palavra de Alá, mudaria completamente de sentido. 

Com uma leitura instigante, misteriosa e frenética, esse livro nos faz pensar em como a religião é usada para controlar as pessoas e como os governos buscam controlar as religiões. A história nos mostra como uma sociedade fragilizada e desigual causa revolta nas pessoas e as torna mais propensas ao fanatismo religioso e ao comportamento violento. Existe todo um histórico de traumas, raiva, rejeição, desejo de poder e justiça por trás do terrorismo. Com uma narrativa muito bem construída e personagens complexos, esse é um livro arrebatador porém muito pró-governo e de fato patriota demais para o meu gosto.

Resenha: A Maravilha das Pequenas Coisas de Dawn French

Sinopse: A maravilha das pequenas coisas é a divertida história de uma família moderna contada do ponto de vista de três de seus membros: a mãe, que pensa que sabe tudo, o filho, que pensa que pode tudo, e a filha, que pensa que não pode nada e que não sabe nada. Cada um vive em seu pequeno mundo e a vida familiar fica cada vez mais caótica – até que eles descobrem o que realmente importa. Um livro para todos os que fazem parte de uma família confusa, bagunçada, desestruturada, mas que no fundo se amam muito e têm certeza de que, seja qual for o problema, sempre haverá alguém pronto a lhe dar mão.

O livro promete ser uma comédia familiar retratando dramas comuns de qualquer família com dois adolescentes em fase de descobrimento de si próprios e um casal à beira da meia idade e todas as crises que possam surgir. Não é o tipo de livro que eu compraria e de fato não comprei, ganhei. Nada contra, mas simplesmente não faz o meu estilo de leitura. O livro é narrado através da perpectiva de cada personagem, cada capítulo é uma narrativa diferente o que trás um bom dinamismo para a leitura. Mas a história em si é um pouco insossa e não tem engraçada como o livro nos propõe, algumas piadas inclusive beiram ao ridículo.

Quase larguei a leitura logo no começo, não gostei da maioria dos personagens, principalmente a Dora, a adolescente insuportável que acha que os seus problemas tolos são maiores que os problemas de todo mundo, ela foi o motivo de me fazer querer jogar o livro bem longe e não pegá-lo nunca mais. Dora é uma adolescente típica, dramática, rebelde, egoísta e irritante, a forma como ela trata a mãe dela é revoltante. A mãe de Dora é uma psicanilista especializada justamente em adolescentes, mas parece não enxergar ou não querer enxergar os problemas dos próprios filhos.

Má tem 49 anos, seu aniversário de 50 anos está cada vez mais próximo e junto com a meia idade chega a insegurança com sua aparência e o tédio com a sua rotina monótona. Má se deixa envolver pelo seu estagiário, um homem bem mais novo, confuso, misterioso e que não é quem parece ser, esse foi um personagem que eu achei muito mal construído, alguns fatos relacionados a ele ficaram muito vagos. Má tem sorte de ter um excelente marido, um homem seguro, estável e confiável, o porto seguro dessa família. Ela também tem uma mãe maravilhosa, a vó Pâmela, uma mulher inteligente e divertida que deveria ter tido mais destaque no livro.

Oscar é o meu personagem favorito e a razão pela qual eu não larguei a leitura, Oscar me salvou do tédio e foi o único que me me rendeu algumas risadas e conseguiu prender a minha atenção. Ele parece ter algum tipo de transtorno de personalidade, ele vive em um mundo particular onde Oscar Wilde é um rei inspirador. Embora se ache mais inteligente do que realmente é, Oscar é inteligente, divertido e cativante. Oscar é quem salva esse livro de ser um tédio total.

Não gosto de afirmar que é um livro é ruim, porque as pessoas tem gostos diferentes, mas não me agradou em quase nada, algumas piadas são bem estúpidas e sem graça e alguns personagens são entediantes e irritantes, enquanto outros personagens mais interessantes são mal elaborados. Não é o tipo de livro que eu leria novamente e por não me acrescentar em nada, certamente a história vai fugir da minha memória em pouco tempo.

Resenha: A Promessa do Tigre de Colleen Houck

Sinopse: Medo. Esperança. Dúvidas. Antes da maldição, uma promessa. Mais de 300 anos antes de Kelsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram. Criada longe dos olhos da corte, isolada do convívio no castelo, Yesubai luta para suportar os maus-tratos do pai e manter em segredo suas habilidades mágicas. Lokesh é um poderoso e cruel feiticeiro que foi capaz de assassinar a própria esposa porque ela lhe deu uma filha em vez de um filho. Ao completar 16 anos, Yesubai é surpreendida por um anúncio do rei. Procurando fortalecer suas relações diplomáticas, o nobre acredita que um casamento entre a filha de Lokesh, comandante de seu exército, e um pretendente de algum dos reinos vizinhos será uma boa estratégia para diminuir os conflitos na região. A jovem recebe a notícia com alegria. Pela primeira vez ela enxerga um fio de esperança, a perspectiva de escapar do controle do pai e de levar uma vida fora do confinamento de seus aposentos. Mas esses não são os planos do feiticeiro. Ele vê no iminente casamento de Yesubai uma oportunidade de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios. A promessa do tigre, conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série ´A maldição do tigre´.

A Promessa do Tigre é um livro paralelo à série A Maldição do Tigre que vem explicar a história de Yesubai, a menina que se envolveu na família de Dhiren e Kishan e como toda a história da maldição dos tigres começou. Yesubai era filha do feiticeiro Lokesh, seu nome é mencionado algumas vezes ao longo dos livros da série, mas sua personalidade até então, era retratada de forma superficial. Nesse livro a autora nos vem desvendar quem realmente foi Yesubai e o quão importante ela foi na história dos príncipes indianos.

Yesubai cresceu sem a sua mãe que havia sido morta pelo próprio Lokesh logo após o parto, trancafiada pelo terrível pai, a menina sofria agressões físicas constantes e vivia em uma espécie de cárcere domiciliar, sequer podia ter contato com o mundo externo. Sua única companhia e amiga era Isha, uma espécie de babá, serviçal, contratada para cuidar da menina desde seu nascimento. O maior sonho de Yesubai era se libertar de seu pai, viver fora de seu domínio violento. 

Filha de um feiticeiro poderoso, Yesubai herdara alguns poderes mágicos que procurava manter escondido de seu pai, a menina tinha o dom  curar a si mesma além de poder ficar invisível, o que a ajudava a escapar em algumas situações. Aos 16 anos Yesubai foi prometida em casamento a Dhiren, o príncipe herdeiro mais velho e o primeiro na linha de sucessão do rei. Yesubai sequer o conhecia, e ela não confiava muito nos homens, mas acreditava que o casamento pudesse ser uma forma de escapar das garras do pai. 

Yesubai era uma jovem muito bonita, de traços delicados e angelicais, longos cabelos negros e olhos penetrantes de cor violeta. Não havia sido difícil arrumar um casamento poderoso para ela, na verdade muitos homens buscavam cortejá-la, mas Lokesh era ambicioso e queria usar o casamento de sua filha para tirar proveito para si próprio. O casamento da menina com o príncipe herdeiro era uma forma de estreitar relações com o reino, ele tinha um plano secreto para se infiltrar no reino e tomar para si o amuleto mágico de Durga que dava poderes a quem o possuísse e até então estava em posse da família real. 

O que ninguém contava é que Yesubai iria se apaixonar por Kishan, o príncipe mais novo e estaria disposta a não mais seguir as ordens do pai. Kishan também se apaixona por Yesubai e decide lutar pelo seu amor. Dhiren, orgulhoso, não aceita perder a mulher que havia sido prometida a si. Cria-se um atrito entre os irmãos e já sabemos tudo o que acontece depois disso. Lokesh, enfurecido, destrói a felicidade de uma família e de sua própria filha que estava começando a conhecer a esperança e o amor. 

O livro é curto, pouco mais de 100 páginas, é uma história simples e objetiva, profundamente triste e vem apenas como um complemento para quem leu a série completa. É um livro que isolado não faz sentido. Fiquei triste por Yesubai e principalmente por Kishan que nunca consegue o que quer. Essa é uma história sobre amor, escolhas e sacrifícios, com um final triste. Queria muito um novo livro em que Kishan seguisse um caminho diferente, fizesse algo por si próprio e fosse mais feliz, ele sempre me pareceu mais merecedor que o Ren, embora ele também seja um ótimo personagem. 

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