Resenha: O Diário de Anne Frank

Sinopse: O retrato da menina por trás do mito. A única edição autorizada por Anne Frank Fonds, onde parte dos direitos autorais são direcionados a Unicef. O depoimento da pequena Anne, morta pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona leitores no mundo inteiro. Suas anotações narram os sentimentos, os medos e alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao holocausto. Uma poderosa lembrança dos horrores de uma guerra, um testemunho eloquente do espírito humano. Assim podemos descrever os relatos feitos por Anne em seu diário. Isolados do mundo exterior, os Frank enfrentam a fome, o tédio e a terrível realidade do confinamento, além da ameaça constante de serem descobertos. Nas páginas de seu diário, Anne Frank registra as impressões sobre esse longo período no esconderijo. O diário de Anne Frank é um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.

No dia 12 de junho de 1942, ao completar 13 anos de idade Anne Frank ganhou um diário e passou a registrar o seu cotidiano. De origem judia, Anne vivia em Frankfurt na Alemanha, com a sua família, sua mãe Edith Frank, seu pai Otto Frank e sua irmã mais velha Margot Frank. Eles tinham uma vida tranquila até o dia em que Margot recebeu uma carta para comparecer a um campo de concentração nazista. O ódio contra os nazistas aumentava cada vez mais e a família Frank precisou fugir da Alemanha para a Holanda para tentar sobreviver. 

Anne passou a ter de viver enclausurada em um sótão pequeno, fechado, sem poder sequer se aproximar de janelas para não ser vista e não despertar desconfiança. A comida era escassa, tudo tinha que ser muito bem dividido entre eles para que ninguém passasse fome, também faltavam opções de roupas para o inverno rigoroso e o dia seguinte era sempre uma incerteza. A família Frank passou a ter que dividir o espaço com outra família de judeus, a família do senhor Van Dan, sua esposa e seu filho Peter. Anne em seu diário relata as dificuldades de conviver em isolamento, a convivência forçada com uma família que lhe estranha mas que passa pela mesma situação, as incertezas sobre o futuro, seus sonhos e medos. 

Anne Frank é uma adolescente inteligentíssima, criativa, sensível e lúcida, ela está descobrindo a si própria, sua sexualidade e a formando a sua personalidade como mulher em meio à uma guerra cruel que parece nunca ter fim. Seu diário é a sua maior distração nos momentos em que todos parecem estar presos demais em suas próprias dores e aflições, é nas folhas de papel que ela coloca pra fora tudo o que sente, pensa e deseja. Ela começou a princípio escrevendo para si mesma, até ouvir na rádio um membro do governo da Holanda recomendando que as cartas e os diários escritos durante a invasão alemã na Holanda sejam guardados para serem publicados após a guerra. 

Anne então decide reescrever seus relatos, acrescentando informações extras, relatando o que se passa também entre os seus companheiros de confinamento e externa o desejo de que seu diário possa ser publicado. Em agosto de 1944, após dois anos de esconderijo, oficiais da Gestapo descobrem a localização do grupo e então eles são conduzidos aos campos de concentração. A princípio Anne foi levada para Auschwitz e depois para Bergen-Belsen onde morreu em fevereiro de 1945. Quando a guerra acabou, o diário de Anne Frank foi recuperado e entregue a seu pai, que conseguiu publicá-lo em 1947. 

O livro é um relato profundo, emocionante e triste como todas as histórias relatadas sobre o período nazista. O fato de ter sido escrito por uma adolescente em meio ao seu processo de amadurecimento, trás uma carga emocional mais pesada. É um livro de se ler com um lencinho para secar as lágrimas, é impossível não se emocionar com os relatos sofridos de Anne. Sua personalidade forte, inteligente e racional é cativante e envolvente. Esse sem dúvida é um livro clássico e muito importante para a história mundial e sua leitura deveria ser obrigatória a todos os públicos para que a humanidade nunca se esqueça das barbaridades do nazismo. 

Resenha: Amon. Meu avô teria me executado

Sinopse: Aos 38 anos de idade, a publicitária alemã Jeniffer Teege fez uma descoberta que a deixou chocada: seu avô, que ela não chegou a conhecer, era o infame comandante Amon Goth, do campo de concentração de Plaszow, na Polônia, cujo sadismo se destacou em meio à barbárie nazista. Milhares de pessoas conhecem a história de Amon Goth pelo premiado filme “A lista de Schindler” de Steven Spielberg lançado em 1993. Como esquecer da chocante cena do comandante atirando em prisioneiros de forma aleatória, da sacada de sua residência? Com a ajuda do jornalista Nikola Sellmair, Jennifer começa uma profunda e dolorosa pesquisa sobre a história da sua família biológica. Passo a passo, partir da chocante história da sua família, começa uma história de libertação.

Jennifer Teege, autora de seu próprio livro com a ajuda de um jornalista, relata a descoberta de sua árvore genealógica, o choque e a amargura de descobrir as suas raízes. Jennifer nasceu em 1970, filha de uma alemã com um nigeriano, neta de alemão nazista, quando tinha apenas quatro semanas de vida, sua mãe a entregou para um orfanato, sua gravidez fruto de um relacionamento com um homem negro, não seria aceita por seu pai, o comandade Amon Goth, deixar a criança mestiça em um orfanato era a melhor maneira de protejê-la.  Aos 7 anos Jennifer foi adotada e viveu em Israel como estudante. Atualmente ela trabalha com publicidade e vive com sua família na Alemanha. 

 A descoberta de Jennifer sobre a origem de sua família ocorre de forma aleatória. Já adulta, bem resolvida na vida, com seu emprego e sua família, Jennifer encontra um livro de capa vermelha, com o rosto de uma mulher familiar, em uma biblioteca,com o nome de Monika Goth, o livro conta a história da filha do comandante Goth, sua mãe biológica, através do nome, da foto e de relatos deste livro, Jeniffer desconfia de que aquela mulher pode ser sua mãe e começa a investigar até encontrar a verdade sobre suas origens. 

Jennifer teve um bom relacionamento com sua família adotiva, seus pais e seus irmãos, nunca havia cogitado buscar a sua família de sangue, embora tivesse boas recordações de sua avó materna, com quem foi mais próxima ela aceitava a vida que tinha e não buscava pensar sobre seu passado, ela tinha filhos, marido, um profissão e tudo parecia estar certo no seu caminho, embora às vezes lhe batesse um sentimento de despertencimento junto aos seus irmãos adotivos. Até que por um acaso ela se depara com o passado, ela reconhece a mulher na capa do livro e o passado passa a lhe tirar o sono. 

A alemã que morou em Israel, aprendeu hebraico, conviveu com judeus, fez amigos vítimas do nazismo, faz uma busca profunda por si mesmo e por aqueles que deveriam a ter acolhido. Jennifer passa a viver um conflito entre o sentimento carinhoso que tinha pela sua avó materna e o medo de que ela tenha sido omissa quanto aos crimes praticados por seu avô e o desejo e medo de se aproximar de sua mãe biológica. Ela também se questiona se a sua família adotiva sabia quem era o avô. 

Jennifer mergulha em profundas pesquisas sobre o nazismo, famílias de nazistas, os herdeiros de nazistas e as famílias das vítimas desse crime bárbaro. Ela chega a viajar pela Alemanha e Polônia, visita os antigos campos de concentração e conversa com especialistas. O passado de sua família lhe pesa bastante sobre os ombros, mas com coragem e determinação ela enfrenta seus sentimentos mais conflituosos e busca seguir em frente de cabeça erguida. 

O livro traz relatos pesados e emocionantes não apenas sobre Jeniffer Teege e a relação com sua família, mas também de outras famílias ligadas ao nazimo como Bettina Goring, neta de Hermann Goring que decidiu se esterilizar. Os relatos nos mostra que ambos os lados dos herdeiros do nazimo, famílias de vítimas e famílias de carrascos sofrem com o peso dessa herança amarga. Jennifer teve depressão e lutou para se recuperar e seguir com a sua família. 

Jennifer tentou se reaproximar de sua mãe biológica, embora não consiga perdoá-la por completo, promete ter empatia e não guardar rancor, ela passa a aceitar o sentimento de afeto que sempre nutriu por sua avó e também conseguiu conhecer seu pai biológico com quem teve um ótimo relacionamento, viajou para a Nigéria e passou a ter orgulho de sua raiz africana. Jennifer Teege ainda manteve o relacionamento com sua família adotiva e nunca escondeu de seus filhos a verdade sobre suas origens e seus antepassados.

Meus clássicos da literatura favoritos

1) Dom Quixote

Esse livro sem dúvida foi o ponta pé inicial na minha história de amor com a literatura. Eu era uma criança que não gostava muito de ler, detestava os livros paradidáticos lidos na escola, talvez pela pressão e obrigação de ler. Esse foi um livro que não tive que ler por obrigação, li por curiosidade, minha mãe me dizia que era uma história engraçada e eu me apaixonei por essa história louca, divertida e irreverente. Tive uma versão pocket e uma versão clássica de colecionador. Dom Quixote é um idealista, corajoso e obstinado em sua luta contra os monstros que só existem em sua mente, um cavaleiro lutando por justiça em meio a insanidade e a descrença. Essa é uma história sobre a superação de si mesmo durante as lutas muitas vezes patéticas que enfrentamos em sociedade.

2) Alice no país das maravilhas

Resolvi ler esse livro depois de ver o filme e me apaixonar pela Alice e pelo chapeleiro maluco. É o meu conto favorito, a história de uma garotinha que cai em um buraco de coelho e descobre um universo paralelo repleto de mistérios e magias. Com sátiras e metáforas, a história é uma crítica ao moralismo e superficialidade da sociedades inglesa durante o reinado da rainha Vitória e o abandonado das convenções sociais tendo a loucura como escapismo. O louco chapeleiro é talvez um dos personagens mais sábios dessa história e Alice é um simbolo de coragem, determinação e heroísmo. A história trás uma lição sobre coragem e autenticidade, sobre o que somos capazes de fazer quando não desistimos de nós mesmos.

3) Gabriela, cravo e canela

Ganhei esse livro da minha madrinha, já tinha assistido a minissérie baseada nessa história e sempre gostei bastante. O livro é ainda melhor do que todas as adaptações já feitas pela TV Globo. Um romance simples que passa em uma época bastante complexa em uma sociedade dominada por um moralismo hipócrita herdado pela influência européia no Brasil. Gabriela é uma mulher que gosta dos prazeres da vida e dos homens bonitos, gosta de ser cortejada e gosta também do Sr. Nacib e o Sr. Nacib se apaixona por Gabriela, mas quer que ela se encaixe nos padrões de mulher recatada e polida. Com uma narrativa riquíssima, Jorge Amado nos faz viajar entre cores, aromas e texturas.

4) Dom Casmurro

A famosa obra de Machado de Assis trata A da complexidade das relações afetivas, a forma como as convenções sociais influenciam na maneira como as pessoas vivem seus relacionamentos afetivos, a imaginação humana, o amor possessivo e egoísta de pessoas desequilibradas e o poder de influência da mente humana. Com uma narrativa instigante, o autor nos faz refletir sobre inúmeras possibilidades, um romance leve e ao mesmo tempo complexo porque envolve personagens complexos. O livro apresenta uma crítica social a sociedade que julga e condena as mulheres à submissão, e também em relação a forma mal como as mulheres pobres e humildes são vistas pela sociedade. Capitu era pobre, sem muita classe e ao se casar com um homem rico é julgada por não ser uma mulher modelo. A propósito Capitu não traiu.

Resenha: A Maravilha das Pequenas Coisas de Dawn French

Sinopse: A maravilha das pequenas coisas é a divertida história de uma família moderna contada do ponto de vista de três de seus membros: a mãe, que pensa que sabe tudo, o filho, que pensa que pode tudo, e a filha, que pensa que não pode nada e que não sabe nada. Cada um vive em seu pequeno mundo e a vida familiar fica cada vez mais caótica – até que eles descobrem o que realmente importa. Um livro para todos os que fazem parte de uma família confusa, bagunçada, desestruturada, mas que no fundo se amam muito e têm certeza de que, seja qual for o problema, sempre haverá alguém pronto a lhe dar mão.

O livro promete ser uma comédia familiar retratando dramas comuns de qualquer família com dois adolescentes em fase de descobrimento de si próprios e um casal à beira da meia idade e todas as crises que possam surgir. Não é o tipo de livro que eu compraria e de fato não comprei, ganhei. Nada contra, mas simplesmente não faz o meu estilo de leitura. O livro é narrado através da perpectiva de cada personagem, cada capítulo é uma narrativa diferente o que trás um bom dinamismo para a leitura. Mas a história em si é um pouco insossa e não tem engraçada como o livro nos propõe, algumas piadas inclusive beiram ao ridículo.

Quase larguei a leitura logo no começo, não gostei da maioria dos personagens, principalmente a Dora, a adolescente insuportável que acha que os seus problemas tolos são maiores que os problemas de todo mundo, ela foi o motivo de me fazer querer jogar o livro bem longe e não pegá-lo nunca mais. Dora é uma adolescente típica, dramática, rebelde, egoísta e irritante, a forma como ela trata a mãe dela é revoltante. A mãe de Dora é uma psicanilista especializada justamente em adolescentes, mas parece não enxergar ou não querer enxergar os problemas dos próprios filhos.

Má tem 49 anos, seu aniversário de 50 anos está cada vez mais próximo e junto com a meia idade chega a insegurança com sua aparência e o tédio com a sua rotina monótona. Má se deixa envolver pelo seu estagiário, um homem bem mais novo, confuso, misterioso e que não é quem parece ser, esse foi um personagem que eu achei muito mal construído, alguns fatos relacionados a ele ficaram muito vagos. Má tem sorte de ter um excelente marido, um homem seguro, estável e confiável, o porto seguro dessa família. Ela também tem uma mãe maravilhosa, a vó Pâmela, uma mulher inteligente e divertida que deveria ter tido mais destaque no livro.

Oscar é o meu personagem favorito e a razão pela qual eu não larguei a leitura, Oscar me salvou do tédio e foi o único que me me rendeu algumas risadas e conseguiu prender a minha atenção. Ele parece ter algum tipo de transtorno de personalidade, ele vive em um mundo particular onde Oscar Wilde é um rei inspirador. Embora se ache mais inteligente do que realmente é, Oscar é inteligente, divertido e cativante. Oscar é quem salva esse livro de ser um tédio total.

Não gosto de afirmar que é um livro é ruim, porque as pessoas tem gostos diferentes, mas não me agradou em quase nada, algumas piadas são bem estúpidas e sem graça e alguns personagens são entediantes e irritantes, enquanto outros personagens mais interessantes são mal elaborados. Não é o tipo de livro que eu leria novamente e por não me acrescentar em nada, certamente a história vai fugir da minha memória em pouco tempo.

Resenha: A Viagem do Tigre de Colleen Houck

Sinopse: Em sua terceira busca, a jovem Kelsey Hayes e seus tigres precisam vencer desafios incríveis propostos por cinco dragões míticos. O elemento comum é a água, e o cenário de mar aberto obriga Kelsey a enfrentar seus piores temores. Dessa vez, sua missão é encontrar o Colar de Pérolas Negras de Durga e tentar libertar seu amado Ren tanto da maldição do tigre quanto de sua repentina amnésia. No entanto o irmão dele, Kishan, tem outros planos, e os dois competem por sua afeição, além de afastarem aqueles que planejam frustrar seus objetivos. Em A viagem do tigre, terceiro volume da série A maldição do tigre, Kelsey, Ren e Kishan retomam a jornada em direção ao seu verdadeiro destino numa história com muito suspense, criaturas encantadas, corações partidos e ação de primeira. A épica saga dos tigres já foi lançada em 18 países e ocupou os primeiros lugares na lista dos mais vendidos do The New York Times.

Quando a gente pensa que o drama de Kelsey vai acabar, eis que a coisas se complicam e surgem situações ainda mais dramáticas. Kelsey e Kishan conseguem libertar Ren e quando a mocinha acha que finalmente será feliz ao lado do seu amado homem tigre, ela percebe que ele retornou totalmente desmemoriado, Ren não tem nenhuma lembrança de Kelsey, de tudo o que eles viveram juntos, é como se ela fosse uma desconhecida e o pior é que ele sequer consegue ficar perto dela sem sentir um dor de cabeça terrível. Kelsey, óbvio, fica com o coração partido.

O trio agora precisa partir em uma nova empreitada para concluir a quebra da maldição, enfrentando dragões para tentar encontrar o colar de pérolas negras da Deusa Durga. Kelsey, apesar de muito triste com toda essa situação, se mostra mais uma vez uma guerreira, ela pode até não ser forte fisicamente, mas demonstra uma força emocional gigantesca. A princípio ela se revolta com o comportamento de Ren, eu também me revoltei bastante com algumas atitudes dele, mas depois ela tenta recomeçar do zero, buscando estabelecer primeiro uma amizade com ele e ele parece começar a demonstrar algum afeto por ela, mas ainda não consegue ficar perto dela.

Todo esse cenário acaba de certa forma criando um clima perfeito e uma oportunidade única para o apaixonado Kishan que tenta ainda mais conquistar Kelsey, apesar de intenso e direto ao ponto, Kishan se mostra um homem paciente e deseja que Kelsey seja feliz, mesmo que não seja ao lado dele, mas ele não suporta ver o sofrimento de Kelsey por seu irmão e se aproveita em algumas situações. A cada livro eu gosto mais do Kishan, embora também goste do Ren, mas o Kishan é especial e no lugar de Kelsey eu não pensaria duas vezes sobre quem escolher.

As aventuras do trio atrás dos itens mágicos da Deusa Durga para completar o amuleto se tornam cada vez mais perigosas, eles correm risco de vida várias vezes. Kelsey se põe em uma verdadeira missão suicida, completamente imprevisível na qual ela parece ser sempre a coadjuvante, os protagonistas nos momentos de maior ação são sempre os irmãos príncipes. Apesar disso ela é resiliente e não tem medo de enfrentar os desafios, a também demonstra ser menos passiva e passa a tomar mais iniciativas. Kelsey sabe que já foi fundo demais nessa loucura toda e ela sabe que não tem mais como voltar atrás.

Acho incrível como Colleen Houck nos trás uma história rica em detalhes, descrevendo sentimentos, gostos, cheiros, sensações de forma bem consistente. Também gosto da profundidade que a autora consegue dar nas mitologias abordadas, sou fã de mitologias então sou suspeita para falar, mas a autora consegue explorar tudo isso de forma bastante convincente, ela realmente parece ter mergulhado na Índia para escrever esse romance. Não sei o que esperar do próximo livro, cada livro é uma surpresa.

Ė obvio que Ren vai recuperar suas memórias, não teria graça se ele não voltasse a ser quem é, e ele luta por Kelsey novamente, quando ela já havia desistido de Ren e investido em Kishan, não gostei desse comportamento dela, parece que ela está apenas usando o Kishan enquanto Ren está indisponível, agindo como um bacaca e desfilando com várias garotas diferentes bem na frente de Kelsey. É bem claro que Kelsey deve ficar com Ren, esse é o clichê, mas eu gostaria muito que fosse diferente. Embora eu goste muito do Kishan, também não acho que ele devesse ficar com a Kelsey, ele merece alguém que tenha ele como prioridade. 

Resenha: Um Mundo Brilhante de T. Greenwood

Sinopse: Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato. Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta, desde o emprego como professor de História, até o relacionamento com sua noiva. Quando a conheceu, Ben tinha ficado impressionado com seu otimismo e sua autoconfiança. Com o tempo, porém, ela apenas reforçava nele a sensação de solidão que o fazia relembrar sua infância problemática. Essa procura pelas respostas o deixará dividido entre a responsabilidade e a felicidade, entre seu futuro há muito planejado e as escolhas que podem libertá-lo da delicada teia de mentiras que ele construiu. Esta, enfim, é uma história fascinante sobre o que devemos às pessoas, o que devemos a nós mesmos e o preço das decisões que tomamos.

Quando vi a propaganda desse livro em algum encarte da editora, logo pensei “Essa é a questão que define a minha vida”. Acho que passei a vida inteira me questionando sobre a minha tarefa nesse mundo, acho que sempre me senti no lugar errado, na hora errada, como um alienígena perdido no planeta terra. Acabei de alguma forma acreditando que eu me identificaria com esse livro e poderia até quem sabe encontrar a resposta desta pergunta tão complexa, foi um erro, não me identifiquei e nem encontrei essa resposta.

Ben Bailey não se conformava com a morte misteriosa do rapaz e o descaso da polícia local, investigando por conta própria, ele conhece a navajo Shadi Bagay, irmã do jovem índio. Shadi abre sua casa para Ben, conta detalhes sobre sua vida com o irmão e juntos eles começam uma investigação complexa e perigosa na tentativa de descobrir quem pode ter sido o agressor do menino que tinha poucos amigos e não costumava criar problemas. Ben vai se aproximando cada vez mais de Shadi e se distanciando de sua noiva.

Quem nunca comprou um livro pela capa? Esse é um daqueles que seduzem à primeira vista, comprei sem saber do que se tratava, e na verdade nem estava procurando por ele, foi durante a Bienal do Rio em que os olhos inquietos procuravam por algo que já não lembro mais, até que misteriosamente o brilho desse livro me chamou atenção e eu lembrei daquela velha propaganda em um folheto da Editora Contexto, corri na direção dele e peguei sem pensar, sem ao menos ler o primeiro e o último capítulo como eu costumo fazer. A sinopse também me chamou bastante atenção. 

A Obra da romancista T. Greenwood conta a história de um professor de história, Ben Bailey, que tenta levar a vida em uma cidadezinha pequena trabalhando como professor de história e barman. Ben é noivo de Sara, uma enfermeira de família bem sucedida que sempre fez tudo para agradar o confuso noivo. Ben e Sara costumavam se amar verdadeiramente, mas o professor começou a se sentir sufocado e perdido no relacionamento, enrolando a noiva e tentando escapar do casamento. A vida do casal vira do avesso quando Ben ao acordar em uma manhã após o Halloween, encontra o corpo de um jovem índio navajo em frente a sua casa. 

Os índios navajos da região tem fama de beberem demais e criarem problemas na cidade. Mas também há casos de índios que são perseguidos e agredidos sem terem feito nada de errado. Ben reconheceu o jovem que frequentava o seu bar com frequência, mas não costumava beber, era um rapaz quieto e um pouco tímido que ia ao bar apenas para beber refrigerante e jogar bilhar. O professor sabia que tinha algo de errado. O livro aborda questões muito importantes sobre a discriminação que ocorre nos Estados Unidos contra a indígena.

Daí já dá para imaginar o que acontece. Traição, ciúmes, revoltas, dramas e etc. Todos os personagens são egoístas e possessivos, mas ao contrário do que a princípio parece, Ben é o menos egoísta de todos, sim ele traiu a noiva, ele quase largou tudo, mas ele se sentia sufocado, ele precisa de um escapismo, e apesar do seu comportamento ele foi capaz de abrir mão do que ele realmente desejava pelo bem dos outros, por um compromisso maior, acho que por esse pequeno detalhe eu me identifiquei um pouco mais com Ben.

No entanto, não gostei do livro, parecia um romance recheado de suspense, mas na verdade é um romance dramático, uma história de pessoas possessivas tentando dominar as outras, e o Ben, nosso personagem principal, magoou tantas pessoas, casou sem amor e talvez continue sentindo-se perdido e sufocado pelo resto de sua vida, mas ele fez o que era certo, honrou um compromisso. Então é isso? Devemos mesmo enterrar os nossos sentimentos, esquecer tudo e nos sacrificarmos por compromissos assumidos? A questão indígina e a corrupção política mericam ter sido melhor abordadas. Desculpe T. Greenwood, mas esse mundo não tem nada de brilhante.

Não é o pior livro de todos os tempos, mas me deixou um gosto amargo, um sentimento depressivo e até um pouco de raiva direcionada aos personagens. Talvez outras pessoas que leram tenham entendido a mensagem de outra forma, mas para mim, não passa de uma história amarga. O livro me fez pensar sobre o quanto nos perdemos na vida e deixamos de ser quem somos, de fazer o que queremos devido aos padrões morais estabelecidos, devido ao medo de magoar os outros. O suspense em relação a morte do índio foi o que me fez não desistir da leitura e acredito que o livro seria melhor se explorarasse mais esse lado investigativo e abordasse com mais ênfase as questões sociais.

Resenha: Filhos do Éden – Série Herdeiros de Atlântida de Eduardo Spohr

Sinopse: Há uma guerra no céu. O confronto civil entre o arcanjo Miguel e as tropas revolucionárias de seu irmão, Gabriel, devasta as sete camadas do paraíso. Com as legiões divididas, as fortalezas sitiadas, os generais estabeleceram um armistício na terra, uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante. Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio de forças no céu e ameaçará toda vida humana na terra. Ao lado de Denyel, um ex-espião em busca de anistia, os celestiais partirão em uma jornada através de cidades, selvas e mares, enfrentarão demônios e deuses, numa trilha que os levará às ruínas da maior nação terrena anterior ao dilúvio – o reino perdido de Atlântida.

Uma guerra entre os arcanjos cruza os céus e pode causar impactos na sociedade humana. O exército de Miguel entra em choque com soldados revolucionários das tropas de Gabriel, devastando as inúmeras camadas do paraíso. Os querubins de várias castas são enviados a terra em diferentes missões e dois anjos recebem a missão de resgatar Kaíra, uma ishim do fogo, capitã dos exércitos rebeldes, que desaparecerá na Terra enquanto investigava uma suposta violação de um tratado feito entre os arcanjos. 

A missão revela mistérios de uma conspiração milenar, esquecidos pelo tempo, um plano que se concluído destruirá o equilíbrio no planeta, revertendo as forças no céu e ameçando toda a vida na terra. Com a ajuda de Denyel, um safado querubim, ex expião das tropas de Miguel, que exilado na Terra, busca anistia no exército inimigo, os celestiais partem em uma missão entre cidades e lugares inimagináveis, selvas e mares, numa perigosa trilha que os leva às ruínas do antigo império da maior nação terrena anterior ao grande dilúvio, as ruínas de Atlântida.

A Eterna guerra entre os arcajos, a imprevisibilidade do futuro na Terra, um arcanjo guerreiro exilado, e uma ishim da província do fogo, a centelha divina, uma celestial poderosa, mas sem memória e sem o controle dos seus poderes. Essas são as características principais do segundo livro de Eduardo Spohr, o autor de A Batalha do Apocalipse, que trouxe para os brasileiros um novo estilo literário. Assim como A Batalha do Apocalipse, a história se passa também no Brasil, em grande parte no estado do Rio de Janeiro, mas também conhecemos templos sagrados escondidos e as ruínas de Atlântida, a maior civilização terrena, antes do dilúvio que praticamente destruiu a vida na terra.

Filhos de Éden é o primeiro livro da série Herdeiros de Atlântida, que apesar das semelhanças com A Batalha do Apocalipse, trata-se de uma história à parte, paralela ao livro anterior. A obra apesar de não ter tantos detalhes e não dar tantas reviravoltas como a primeira publicação de Spohr, é também de tirar o folêgo, impossível parar de ler no segundo capítulo, uma aventura atrás da outra, surpresas e um final emocionante com gostinho de quero mais. É claro que pretendo ler o segundo livro da série, Anjos da Morte, no qual Kaíra, A Cetelha Divina, deverá retornar às ruínas em busca de quem ficou para trás. Espero que Eduardo Spohr continue produzindo mais histórias épicas para nós podermos viajar mais um pouco entre o céu e a Terra.

O livro é bem menor que A Batalha do Apocalipse, menos detalhado, mais objetivo, mas nem por isso é menos interessante. A história é empolgante, cômica em algumas partes, pretensiosa e bastante criativa, deixa um enredo muito bom a ser desenvolvido nos livros posteriores que obviamente pretendo ler todos. Kaíra e Denyel são os personagens centrais do livro, com Kaíra sendo a protagonista, mas por enquanto Denyel é o meu favorito. Eduardo Spohr ganhou um lugar especial na minha lista de autores favoritos até o momento. Os próximos livros são Anjos da Morte e O Paraíso Perdido.

Resenha: A Escolha de Nicholas Sparks

Sinopse: Travis Parker possui tudo o que um homem poderia ter: a profissão que desejava, amigos leais, e uma linda casa beira-mar na pequena cidade de Beaufort, Carolina do Norte. Com uma vida boa, seus relacionamentos amorosos são apenas passageiros e para ele, isso é o suficiente. Até o dia em que sua nova vizinha, Gabby, aparece na porta.Apesar de suas tentativas de ser gentil, a ruiva atraente parece ter raiva dele. Ainda sim, Travis não consegue evitar se engraçar com Gabby e seus esforços persistentes o levam a uma jornada que ninguém poderia prever. Abrangendo os anos agitados do primeiro amor, casamento e família, A Escolha nos faz confrontar a questão mais cruel de todas: Até onde você iria manter o amor de sua vida?

Até onde devemos ir em nome do amor? O que você faria se tivesse que definir o destino de quem você ama? Gaby e Travis são duas pessoas completamente diferentes, uma moça estudiosa e dedicada à família que sempre seguiu as regras e procurou viver com paz e harmonia, e um solteirão aventureiro, que gosta de viver a vida nos extremos, destemido, aveso às regras e vivendo aos extremos.

A única coisa em comum entre Gaby e Travis é o fato de serem vizinhos e adorarem seus cães. Todas as tentativas de Travis para agradar a nova vizinha acabam dando errado, até que a cadela de Gabby, uma Border Collie acaba aproximando os dois. E o inesperado acontece… os dois opostos sentem-se atraídos um pelo outro. Gaby tem então uma difícil escolha, largar seu relacionamento estável com seu namorado de adolescência e viver uma aventura de amor incerta ou sufocar seus sentimentos e fazer calar o coração. 

É claro que ela acaba seguindo a voz do seu coração. O relacionamento dos dois teria tudo para dar errado, mas o destino vive surpreendendo a todos, então os opostos se unem. Gabby e Travis se casam e constroem uma família com dois filhos, e seus cães, tudo é felicidade até que um trágico acidente abala as estruturas dessa família, Gabby entra em um coma profundo, o tempo passa e os médicos começam a perder as esperanças de que ela se recupere, mas poderia Travis perder também as esperanças e permitir que desligassem o fio que ainda dá vida ao seu amor?

É claro que ela acaba seguindo a voz do seu coração. O relacionamento dos dois teria tudo para dar errado, mas o destino vive surpreendendo a todos, então os opostos se unem. Gabby e Travis se casam e constroem uma família com dois filhos, e seus cães, tudo é felicidade até que um trágico acidente abala as estruturas dessa família, Gabby entra em um coma profundo, o tempo passa e os médicos começam a perder as esperanças de que ela se recupere, mas poderia Travis perder também as esperanças e permitir que desligassem o fio que ainda dá vida ao seu amor?

A obra nos traz lições sobre o verdadeiro amor, as escolhas que fazemos quando ouvimos e nosso coração, e a esperança de que no final tudo pode dar certo. Esse é o primeiro livro que leio do Nicholas Sparks, já havia ouvido muito do autor, mas nunca me interessei em comprar nenhum livro porque eu sempre me interesso primeiramente por livros de ficções e aventuras, não sou grande fã dos romances porque geralmente eles me deprimem. 

Ganhei esse livro da minha madrinha e confesso que deixei-o no fim da minha fila de leitura, Nicholas Sparks nunca me atraiu, porque não sou fã do gênero, confesso também que me surpreendi com a capacidade do autor em criar histórias com fatos do cotidiano que poderiam acontecer com qualquer um. E ainda bem que não teve um final triste para me deixar deprimida. Enfim, para quem gosta de romances com finais felizes é um excelente livro, vale a pena ler.

Série: O Imortais de Alyson Noel

A série escrita pela americana Alyson Noel gira em torno de Ever Bloom, uma menina popular que tinha uma vida perfeita e invejável, até que um acidente de carro envolvendo a sua família muda completamente a sua história. A loira de olhos azuis se vê perdida e atormentada, a experiência de quase morte trás a ela uma nova maneira de enxergar as coisas e as pessoas. Ever Bloom passa de líder de torcida, patricinha popular a esquisitona do capuz preto. Com seis livros, a trama se passa na Califórnia em tempos atuais, mas mistura o passado com o presente, uma viagem complexa e estimulante sobre as várias encarnações que uma alma pode ter e como elas se interligam. A série de Alyson Noel é uma mistura de romance, magia e alquimia, com conceitos espiritualistas bem definidos e convincentes.  Uma fantasia inteligente, espirituosa, extremamente criativa e estimulante.

Quando li o primeiro livro da série Para Sempre, confesso que fiquei um pouco decepcionada, mas também curiosa, a princípio achei que se tratasse de mais uma historinha de vampiros a moda Crepúsculo. O primeiro livro da série como relatei em uma resenha feita aqui há muito tempo atrás, conta como Ever Bloom se transformou de menina comum a uma esquisitona com poderes paranormais e como ela conheceu (reconheceu) Damen August, o rapaz misterioso, cheio de segredos que a salvou do acidente de carro que matou sua família. O livro termina com muitos segredos em relação a personalidade de Damen e sua real ligação com Ever, a história parece muito vaga e aponta para mais um conto vampiresco qualquer, o que desestimula a leitura do segundo livro.

Depois de Lua Azul engatei em Terra das Sombras e não parei mais, Ever Bloom descobre como viajar para Sumerland, uma espécie de universo paralelo, um mundo mágico e espiritual que só algumas pessoas com certos dons conseguem entrar. Em sumerland ela pode criar o que quiser, vivenciar situações diferentes e principalmente buscar respostas para todas as suas dúvidas. Ever começa a descobrir a sua ligação cármica com Damen e as vidas passadas que eles viveram juntos, ela começa a compreender a infinitude das almas, o mundo espiritual e o poder mágico.

Nem tudo são flores, ao descobrir os segredos do passado Ever se vê confusa, cheia de dúvidas e incertezas, outros personagens importantes do seu passado começam a aparecer novamente em sua vida, uns aparecem para o bem e outros para o mal, existe um carma que precisa ser resolvido para que ela possa voltar a viver em paz. Ela precisa aprender a usar a magia para se defender e enfrentar uma perigosa viagem ao passado, relembrando todas as suas encarnações, revivendo momentos de dor para compreender o que ela realmente deve fazer. Em geral a série nos mostra as verdades do mundo espiritual, o conceito de reencarnação e a imortalidade da alma com uma mistura de magia, paranormalidade e a busca pela evolução espiritual e o conhecimento superior.

O mundo não é dos espertos

Alguém disse uma vez que o mundo é dos espertos, mas o que é ser esperto? Dizem que o esperto é aquele que sempre vence, então acredito que esse tal esperto não seja humano, talvez um folclore, uma criatura mística, algum tipo de ser sobrenatural, não o conheço, talvez ninguém conheça. Jamais conheci um ser humano que sempre vencesse em tudo, a maioria das pessoas reconhecidas como grandes vitoriosas, escondem suas derrotas por baixo do manto sagrado da glória, algumas pessoas são habilidosas em esconder as coisas, principalmente o que lhes vai no íntimo, o que dói, o que envergonha, o que lhes mancha a honra da vitória.

Tolo quem se engana com as aparências dessas ilustres criaturas, ora, somos humanos, meros mortais, fracos, emotivos, medrosos, traumatizados, propensos ao erro e à derrota. Não acredito que o mundo seja dos espertos, porque não acredito que algum mero ser humano seja de fato esperto em tudo, o tempo inteiro. Alguns acham que o esperto é aquele que coloca seus interesses acima dos interesses de outras pessoas, que vencem no grito, na trapaça, na marra, mas acreditem, eles também caem, principalmente quando ficam cegos pelo ego e enxergam o abismo a sua frente, eles se acostumam a ganhar, sempre ganhar, começam a cair na ilusão de que são invencíveis e aos poucos, mortalmente, tornam-se cegos e ignorantes, eles caem sem perceber e quando caem não conseguem se levantar porque não estão acostumados a lidar com a queda.

Acredito que os melhores vencedores são aqueles que reconhecem que podem falhar, que podem perder e que já perderam muitas vezes e ainda não desistiram de tentar. O mundo não é dos espertos, porque eles não existem duradouramente, a esperteza que conhecemos é uma armadilha. – E o mundo é de quem? – Vocês devem estar se perguntando – religiosos devem crer que o mundo é de Deus, uma espécie de princípio criador, ou espírito super poderoso que nos julga, condena ou absolve de acordo com suas leis. Materialistas dirão que o mundo é dos homens que sabem se auto governar e comandar os mais fracos de acordo com seu entendimento de certo ou errado. Eu prefiro crer que o mundo é dos resistem, independente de sermos de espécie humana ou outro tipo animal.

Se existe algum princípio criador universal, isso nos trouxe até aqui e nos deixou à própria sorte. Sim, o mundo é dos que resistem, tenho certeza, dos que apanham e muitas vezes se calam, dos que ouvem antes de falar, o mundo é dos que caem de cara no chão, curam suas próprias feridas, choram, desabam rios de lágrimas, sentem dor e não as reprimem, gritam e se levantam, ou se rastejam, mas se recusam a ficar parados, o mundo é dos que sabem perder e aceitam suas derrotas, reconhecem seus erros e aprendem com eles, o mundo é dos não desistem de tentar correr atrás do que querem, mesmo quando o vento bate forte contra o peito e tenta os parar. O mundo é dos que sofrem e tentam ser fortes e reconhecer que a verdadeira força, não é enfrentar o outro, mas enfrentar primeiramente a si mesmo.

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