Rita Lee – outra autobiografia

Publicada em 2023, essa foi a última autobiografia da Ritinha, em meio a pandemia da COVID 19 e todos os desafios da pandemia, Rita Lee enfrentava um desafio pessoal gigantesco, a descoberta de um câncer no pulmão. 

Em seu livro, Rita narra toda a sua trajetória após a descoberta da doença, as primeiras sessões de quimioterapia, as internações, a decisão de raspar a cabeça, o relacionamento com as enfermeiras e outros pacientes oncológicos, e o mais difícil, a vontade de desistir e a escolha por continuar a lutar.

Rita nos mostra mais uma vez o quanto ela foi uma mulher guerreira e destemida, enfrentando a fragilidade da doença com força, fé, esperança e bom humor. Ela também nos fala de política, sociedade, espiritualidade e dá conselhos valiosos para as gerações mais jovens. Achei que esse fosse ser um livro triste e dificil de ler, mas a narrativa lúcida e bem humorada de Rita Lee torna tudo mais leve.

O livro conta com relatos emocionantes e trás um álbum de fotos inéditas da vida pessoal da artista, inclusive registros dos últimos momentos de sua vida na terra. Rita nos deixou em maio de 2023, mas seu legado é e deve continuar sendo eterno. Viva Rita Lee!

Rita Lee – uma autobiografia

Rita Lee – uma autobiografia é uma biografia emocionante narrada pela própria Rita, onde ela conta suas aventuras, seus traumas, seus amores, sonhos e sentimentos mais profundos. Uma história super intensa, como a própria Rita, um exemplo de força e coragem. Rita relata não apenas a sua carreira artística, mas também a sua infância, adolescência e a história de sua família. A roqueira abre o jogo sobre detalhes íntimos como a violência sofrida na infância, o vício, as internações, a prisão e os discos, no qual ela detalha como cada obra foi criada, o contexto de cada música escrita e como ela própria avalia suas criações.  

A paulistana criada na Vila Mariana mostra o seu amor pela família, seus pais, irmãs e os muitos bichos de estimação que teve ao longo da vida. De forma bastante detalhada ela narra seu início no mundo da música, as primeiras composições, as primeira vaias e os primeiros sucessos. Ela conta sua trajetória nos mutantes, sua expulsão da banda e sua decisão de seguir carreira solo e provar que mulher também pode fazer rock.  A artista também fala sobre a ditadura, as músicas censuradas e a prisão armada de forma bem golpista como uma espécie de retaliação à atriz – Elis foi seu anjo de guarda, foi visitar a amiga na cadeia e fez um verdadeiro escândalo, Rita estava grávida e correndo o risco de perder o bebê quando foi solta. 

Rita e Elis eram grandes amigas e Rita dedica muitas passagens à Elis, relembrando momentos saudosos e declarando seu imenso carinho pela diva da MPB. Rita também conta sobre sua amizade com personalidades como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Paulo Coelho e Raul Seixas. Rita interpretou Raul Seixas no filme “Tanta Estrela por aí” em 1992, mostrando seu talento não só com a música, mas também no cinema. Multitalentosa, inteligentíssima e super criativa, Rita se aventurou nos cinemas e também na literatura, escrevendo vários livros infantis.      

Rita Lee foi pioneira em muitos sentidos, foi uma personalidade autêntica, irreverente e inigualável. Não teve medo de se mostrar, se posicionar e lutar pelo seu espaço. O livro carrega toda essa intensidade da Rita e consegue transferir sua essência ao leitor. Trata-se de uma autobiografia de verdade, narrada pela própria Rita que fala o pensa sem pudores. Rita fala abertamente sobre a política, a militância, a religião, e os costumes da sociedade. Ela defende as mulheres e os animais. Ela assume quem ela é de forma honesta, humilde, autocrítica e autoconsciente. Rita Lee – uma autobiografia é o incrível diário de uma Ovelha Negra, um deleite para os fãs.  

A Garota Que Bebeu a Lua de Kelly Barnhill

Sinopse: Uma fábula sobre aceitação, amor, amadurecimento e o poder da memória. Da autora de O filho da feiticeira, considerado o Livro do Ano pelo Washington Post. Todo ano o povo do Protetorado deixa um bebê como oferenda para a Bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade protegida pelos muros e pela Torre das Irmãs da Guarda. Mas, Xan, a Bruxa na floresta, ao contrário do que eles acreditam, é bondosa. Ela vive em paz com um Monstro do Pântano muito inteligente e um Dragão Perfeitamente Minúsculo.
Todo ano ela resgata o bebê deixado pelos Anciãos e o leva em segurança para uma família adotiva em uma das Cidades Livres do outro lado da floresta. Durante a longa viagem, quando a comida acaba, Xan alimenta os bebês com luz estelar. Em uma dessas ocasiões ela acidentalmente oferece a um deles a luz do luar, dotando a menininha de uma magia extraordinária.
A bruxa então decide criar a menina “embruxada”, a quem chama de Luna. Conforme o aniversário de treze anos da menina se aproxima, sua magia começa a aflorar – e pode colocar em perigo a própria Luna e todos à sua volta.

Kelly Bamhill é uma autora de livros de fantasia infanto-juvenil e poesias, norte americana que ficou conhecida pelo livro O Filho da Floresta, considerado o livro do ano de 2017 pela Washington Post, ainda não li esse livro mas com certeza está na minha lista. Ganhei esse livro de presente da minha madrinha,a princípio achei que seria um livro muito infantil, mas logo nos primeiros capítulos fui me apegando a leitura. Apesar de ser um livro de fantasia infanto-juvenil, é uma história repleta de emoções e lições importantes e personagens intrigantes. A história se passa em uma cidadezinha pequena controlada por um homem mau que parece bom e manipula as pessoas para aceitarem seus atos inescrupulosos e uma bruxa boa que é vista como malvada. 

Os moradores do Protetorado, vivem cercados por muros em uma cidadezinha cinzenta que parece nunca ver a luz do sol, uma aura de tristeza toma conta da cidade dominada pelo medo e pela dor. Sob o governo dos Anciãos e das Irmãs da Guarda, o povo acredita que a cidade é amaldiçoada por uma bruxa terrível que vive na Floresta e ninguém deve ousar passar pela Floresta ou pelos muros da cidade. Todos os anos, sempre à mesma época, um bebê recém nascido deve ser levado como oferenda para a bruxa, sob determinação do conselho dos Anciãos, a criança é tirada de sua família e levada para debaixo de uma árvore à beira da Floresta, onde acreditam que a Bruxa vai buscá-la. 


Gherland é o Guardião Grão-Ancião do Conselho dos Anciões, um homem severo, prepotente, respeitável e temido por todos, mas não tão temido por Antain, seu sobrinho e Guardião em treinamento. Antain acompanha o tio nas incursão atrás da criança que será oferecida em sacrifício, mas ele demonstra não concordar com a  prática e passa a questionar seu tio. Antain acredita que deveriam tentar negociar com a bruxa, ao invés de simplesmente largar um bebê na floresta e dar a volta sem olhar para trás. Com sua curiosidade, coragem e esperteza, o aprendiz de Guardião se torna um personagem fundamental no desenrolar dessa história.  

Chega o dia de mais um sacrifício, Gherland embora se irrite com os questionamentos de seu sobrinho, o obriga a participar do ato, mais um bebê é escolhido, uma menina recém nascida, porém um ato inesperado acontece, a mãe da criança se recusa a entregar a sua filha, isso nunca havia acontecido, as mães sempre acreditaram que esse era um mal necessário. Gherland e sua equipe tomam a criança a força e a levam para beira da floresta. A pobre mãe indignada é tratada como louca por seu ato de rebeldia e levada para uma espécie de prisão junto às Irmãs da Guarda.

Em paralelo, a velha Bruxa Xan, como faz todos os anos, sempre na mesma data, atravessa a floresta para buscar o bebê, ela não entende porque isso acontece, desconhece a razão pela qual aquele povo todo ano deixa um bebê abandonado ao relento à beira da Floresta, ela não gosta da energia daquela cidade e nunca procurou questioná-los, ela simplesmente pega o bebê e o leva para as cidades livres, onde há famílias bondosas que adotam às crianças com felicidade. Xan sempre leva mamadeiras durante a viagem, mas se a mamadeira acaba e a criança sente fome, ela a alimenta com energia estelar.

“Deixaram a menina ali sabendo que certamente não existia bruxa alguma. Nunca existiu uma bruxa. Havia apenas a floresta perigosa e uma única estrada e um controle tênue de uma vida da qual os Anciãos gozaram por gerações. A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes. Era terrivelmente conveniente para um governo livre e desimpedido dos Anciãos. Era desagradável também, mas isso não poderia ser evitado.”

Apesar da idade avançada, Xan estava lá novamente resgatando a menininha abandonada, um belo bebê de pele branca, com cabelos negros encaracolados e uma marca na testa que lembrava uma meia lua, a bruxa então a batizou de Luna. Aquele bebê era demasiado faminto, e logo consumiu todas as mamadeiras, a velha bruxa então lhe alimentou com luz estelar, porém em dado momento ela cometeu um erro, o que fez com que a menina fosse alimentada pela luz lunar, uma luz repleta de energias mágicas, Xan ficou desesperada ao perceber que a menina havia sido embruxada. 

Xan não poderia levar uma criança embruxada para ser adotada por uma família convencional, eles não saberiam lidar com os poderes dela quando sua magia começasse a crescer dentro de si. A bruxa então adotou a menina e a levou para morar junto de si na floresta com seu mini dragão e seu monstro do pântano, criaturas muito mais dóceis do que se parece. Eles formaram uma verdadeira família feliz, porém ao fazer 13 anos, Luna começa a ter os seus poderes aflorados, enquanto Xan começa a enfraquecer. A magia de Luna se torna cada vez mais forte e perigosa para todos, inclusive para ela mesma e uma ameaça perigosa se aproxima cada vez mais da velha Xan e seus protegidos.

Por outro lado, no triste e pacato Protetorado, Antain não é mais um garoto, ele agora é um homem comprometido e prestes a ser pai e seu bebê é um dos ameaçados para o sacrifício. Antain decide então enfrentar a bruxa, enfrentar seu tio e impedir que o sacrifício aconteça. Ele busca por informações com a louca da torre, que é simplesmente a mãe biológica de Luna, arma um plano e encara a floresta e não demora muito para ele descobrir toda a verdade. A cidade sofre sim de um mal terrível, mas não é culpa da velha bruxa da floresta, e isso não é nenhum spoiler, pois é muito bem explicado no comecinho do livro. Antain, a louca da Torre, Luna e a velha Xan se unem em um objetivo em comum. 

O livro é uma aventura leve e divertida, cheia de mistérios e encantos, ótimo para estimular a leitura de crianças e adolescentes, mas pode muito bem agradar ao público mais velho que gosta de fantasias. Aqui não temos um personagem principal, temos vários personagens importantes, personagens com personalidades complexas e realidades diferentes cujo os caminhos se cruzam. Uma leitura suave, bastante criativa, com um toque de suspense que prende a nossa atenção do início ao fim e com um desfecho muito bem construído. Não posso deixar de mencionar a beleza da capa e o apelo poético em alguns trechos, afinal a escritora também escreve poesias e trás um pouco desse lado para o livro. Comecei o livro sem grandes expectativas, mas me surpreendi de forma bastante positiva. 

Resenha: Beijos de Areia de Reyes Monforte

Sinopse: Laia é uma jovem saariana que começou uma vida nova na Espanha – vai seguir uma carreira, planeja ir morar com seu namorado, Júlio. No entanto, sua felicidade é truncada pelo terrível peso das recordações – ninguém conhece o obscuro segredo que ela conseguiu deixar para trás nas tendas que formam o acampamento de Dajla. E agora, esse passado voltou para assombra-la. Quando Laia desaparece, arrastada a terras africanas pelos fantasmas de seu passado, as duas histórias de amor ganham forçosamente um novo rumo. Laia e Júlio; Carlos e Maima. Uma dança entre personagens que se mesclam no presente e no passado, unidos por um destino em comum – um amor impossível. Uma aventura apaixonante, cheia de romantismo, segredos inconfessáveis, ameaças, injustiças históricas e a impactante denúncia de uma realidade mascarada que ainda hoje existe nas dunas do Saara. 

“Somos o que somos por causa de nosso passado. Você nunca poderá se esquecer de onde veio, nunca poderá mudar isso.”

O livro conta a história de Laia, uma saariana que tenta esquecer suas origens e levar uma vida diferente na Espanha, mas o passado insiste em bater na sua porta e fazê-la encarar o monstro de sua infância nas Dunas. Laia nasceu no deserto, onde passou parte de sua infância, ela era uma Hartani, uma escrava que havia sido doada para uma família saariana e portanto deveria prestar serviços a essa família, esse era o maior segredo que Laia tentava manter guardado a sete chaves.


Quando criança, Laia, assim como outras crianças do deserto participavam de um programa do governo Espanhol, o Vacaciones en Paz, que oferecia uma espécie de férias na espanha, com famílias temporárias que se encarregavam principalmente dos cuidados médicos das crianças. Laia foi recebida por Sandro e Letícia, um casal que não tinha filhos, a criança deveria ser devolvida ao fim do programa, mas devido aos problemas de saúde, precisou ficar mais tempo na Espanha. 

Letícia e Sandro apegaram-se à Laia, que embora assustada com toda a situação, não desejava voltar para a sua antiga família. O casal consegue a guarda de Laia, o tempo passa, ela cresce, estabelece sua vida na espanha, mantém suas origens sob segredo, nem seus pais adotivos sabem de sua história por completo. Laia apaixona-se por Júlio, um espanhol com quem pretende se casar, ela também tem planos de fazer faculdade e tudo parece se encaixar perfeitamente em sua vida, quando o passado começa a assombra-la. 

Nos acampamentos de Djala, a antiga família saariana de Laia, busca uma forma de trazer a Hartani de volta para o deserto, eles nunca aceitaram perdê-la e prometeram trazê-la de volta nem que fosse à força. Laia começa a ser perseguida e seus dias de paz chegam ao fim. Ela é levada contra a vontade ao Sul da Argélia, ao antigo acampamento de Djala, onde encara novamente o pesadelo de uma vida de servidão, humilhações e torturas. Laia é forçada a trabalhar em condições extremas de calor e exaustão física.

Logo Sandro, Letícia, Júlio e seu pai Carlos, descobrem a verdade sobre Laia e não medem esforços para encontrá-la e trazê-la de volta, porém a missão não será tão simples, pois envolve questões culturais do povo de Djala, no qual a política espanhola não tem autorização para interferir. Nas areias quentes e secas do deserto Laia, vai perdendo cada vez mais as esperanças de voltar para a sua vida na Espanha, convivendo com o medo, a dor, a saudade e a frustração.


– Quero dizer que a vida das pessoas mudam, e muitas vezes não se pode fazer nada para evitar. Hoje estamos aqui e amanhã no lugar mais afastado de nossos sonhos. “ (p. 332)

Em paralelo temos a história de Carlos, pai de Júlio, que acaba se cruzando com a história de Laia, nas areias do Saara. No passado Carlos viveu um romance proibido com Maima uma jovem saariana, separados pelo destino, por um golpe de sorte, acabam se reencontrando durante a missão para resgatar Laia e Maima acaba sendo uma personagem fundamental nesse resgate. Passado e presente se chocam e os destinos se cruzam inesperadamente.    

O livro é narrado em terceira pessoa, a autora traz detalhes vívidos de forma bem explicativa, alguns detalhes desnecessários acabam tornando a leitura cansativa. Algumas partes parecem se arrastar apenas para aumentar o volume de leitura, apesar de ter um enredo muito bom, a leitura é maçante. A história retrata a cultura opressiva do oriente, no que diz respeito às mulheres, a realidade de injustiças vividas no deserto, mascaradas pelo que chamam de cultura local e tradição, a vida em condições precárias e os conflitos entre a Espanha e a região saariana.    

Babel, Romance em Tempos de Guerra – Martha Sutter.

Sinopse: A terra fértil entre os rios Tigre e Eufrates, que corresponde o atual Iraque, foi berço de invenções que mudaram o mundo: a roda, o arado, a escrita e também palco de disputas ferozes entre reinos. Nesse turbilhão, ao mesmo tempo criativo e destrutivo, o amor e a guerra conviviam lado a lado – segundo a crença da época, estavam sob o domínio de uma mesma divindade, a poderosa Deusa Ishtar. Babel – Romance em tempos de guerra reconstrói a disputa ocorrida há 4.000 anos, entre dois importantes reinos da Mesopotâmia. De um lado a emergente Babel, estando sob a regência de Hammurabi, conhecido mundialmente por seu código de leis, e de outro lado Larsa, governado por Rim-Sin. Tendo como cenário de fundo esta guerra, desenrola-se o cotidiano peculiar da taberneira vendendo cerveja, passando pela escriba, que anota no tablete de argila as adivinhações dos sacerdotes, até a realeza com suas intrigas e espionagens. No romance Babel, a vida desses antigos habitantes é retratada com tal riqueza de detalhes, que o leitor se sente como um deles.  

   

A história se passa em uma época muito distante, no ano de 1763 antes de Cristo, em um período de muita tensão entre os antigos reinos da Mesopotâmia. Larsa e Babel eram reinos prósperos, porém em lados opostos, Larsa era um reino imenso, com seu poder consolidado, porém sob ameaças internas e externas, com um rei que acabara de perder um de seus filhos e cercado de pessoas falsas e pretensiosas. Babel era um reino em constante ascensão, governado por Hammurabi, um líder forte, pretensioso e inflexível, firme em um propósito de domínio e poder. Hammurabi procura investir todo o seu poder para tentar invadir e conquistar Larsa, mesmo contrariando as difíceis previsões, pois Larsa é um reino aparentemente impossível de invadir. 

Em meio a toda guerra e luta por poder, Hammurabi encontra Núria, uma mulher tão inflexível e destemida quanto ele. Núria é uma súdita real, foi casada com o filho falecido do Rei de Larsa, porém o casamento não foi considerado consumado pois Núria não teve filhos. Núria acaba sendo prometida em casamento ao seu cunhado, o novo herdeiro de Larsa, Rammâmn Lâ Shânan, uma idéia que nada lhe agrada, já que Nuria tem a desconfiança de que príncipe mais novo pode ter sido o responsável pela morte de seu próprio irmão, para lhe tomar o lugar na linha de sucessão ao trono. 


Aflita com a ideia de se casar com Rammâmn Lâ Shânan, Núria foge e acaba indo parar em Babel, onde recebe abrigo e conhece o Rei Hammurabi. A figura firme, enigmática e conquistadora do Rei desperta a atenção de Núria e provoca um misto de sentimentos em seu coração aflito, ao mesmo tempo em que sua beleza, inteligência e personalidade forte, desperta o desejo de conquista de Hammurabi. Mais do que dominar Larsa, o Rei de Babil cobiça também tomar Núria como sua esposa. Núria percebe a ameaça contra o povo de Larsa e retorna ao reino de Larsa, receosa do que pode acontecer, ela luta contra os sentimentos de desejo e a vontade de ajudar o seu povo. 

Ao chegar em Larsa, Núria acaba sendo traída por membros da corte que desconfiam de sua passagem por Babel, embora não tenha feito nada de errado e apresente justificativas plausíveis para sua viagem, uma conspiração faz com que Núria enfrente o juízo cruel da corte, a mulher é julgada, caluniada, humilhada e agredida a chibatadas em público. A guerra é inevitável e Babel consegue a sua tão sonhada expansão, Hammurabi consegue conquistar e dominar cruelmente o Reino de Larsa, o que ele não sabe é que sua missão mais difícil seria conquistar a destemida Núria. 

Larsa e Babel cultuam os Deuses antigos e até então toda a região da antiga Mesopotâmia estava sob o domínio da deusa Istar. A história apresenta toda uma aura mística sob a forma como os antigos Deuses influenciavam nos acontecimentos entre os reinos, mais do que uma guerra entre humanos, é também uma guerra entre os Deuses. O livro retrata uma sociedade dominada pela disputa por poder, pela influência religiosa nas decisões de um povo, a escravidão, a servidão do povo perante os reis e o papel da mulher em uma sociedade machista. A leitura é um pouco cansativa, mas é uma história interessante, bem detalhada, é um romance complexo e nada bobo.  

Resenha – Madame Terror de Jan Guillou

Sinopse: Quando o submarino russo Kursk avariado, foi parar no fundo do mar de Barents em consequência de um erro norte-americano, ficou claro para todas as organizações de espionagem do mundo que a Rússia tinha desenvolvido uma nova e superior tecnologia de submarinos. Os palestinos que sempre foram inferiores, viram com o acidente a possibilidade de colocar as mãos num super submarino russo e alcançar, pela primeira vez, uma posição de superioridade. A missão de realizar o maior ataque terrorista da história mundial é dada a general-de-brigada Mouna al Husseini. Ela reconhece que o choque entre oficiais russos e universitários palestinos altamente instruídos é inevitável. E que o projeto só poderá ir a frente se for encontrado um comandante que não seja Russo, mas fale fluentemente o idioma e que de preferência, tenha sido condecorado com a Estrela Vermelha e com a maior condecoração do país, a medalha de Herói da Rússia, além da Legião de Honra da Palestina. E que seja de fato, acima de tudo, um oficial da marinha. Essa combinação quase impensável existe, na realidade, na figura de um velho amigo de Mouna. Assim que o vice-almirante Carl Gustaf Gilbert Hamilton, sueco de nascimento, e protegido pelo FBI, subiu a bordo do U-1 Jerusalém, tudo mudou. As duas principais adversárias na luta política que se sucedeu a seguir foram Mouna al Husseini, a Madame Terror, e a secretária de  Estado norte-americana, Codoleezza Rice. Elas de lados opostos, se tornaram grandes amigas para uma vida inteira, e de certa forma inimigas.

O primeiro livro da série Os Desafios de Halmiton – Madame Terror, escrito pelo jornalista e escritor Jan Guillou, conta uma história de guerra, patriotismo, terrorismo, religião e política internacional. A obra fictícia está tão bem inserida no contexto da nossa atual política internacional e apresenta tantos dados técnicos que parece estarmos diante de um livro-reportagem sobre uma guerra marítima que realmente aconteceu. O fato de Jan Guillou ser um respeitado jornalista sueco deve reforçar o sentido de realismo da sua obra. De um lado temos a Rússia e a Palestina e de outro Irrael e os Estados Unidos. Mouna al Husseini era a líder do grupo de Libertação da Palestina, crescida em uma zona de guerra, ela fora programada para revidar qualquer forma de ataque, patriota, ela odiava Irrael e sonhava em ser a libertadora da Palestina que entraria para a história mundial.

A Rússia, inimiga declarada dos Estados Unidos, entrou em acordo com a Organização de Libertação da Palestina, fornecendo a tecnologia necessária e os melhores marinheiros. O que pareceu impossível aconteceu, o maior submarino da história fora construído, russos e palestinos trabalhavam juntos embora enfrentassem algumas divergências, e mais um detalhe inédito, esse seria o primeiro submarino da história russa com mulheres a bordo. Carl Halmiton se torna a peça chave, o sueco protegido pelo FBI e condecorado como Herói da Rússia em missões no passado, sobe a bordo do U-1 Jerusalém e ganha a missão de manter a ordem entre russos e palestinos em zonas de conflito.

O U-1 Jerusalém parte da Rússia em direção a Isrrael, a missão é atacar a base da marinha em Isrrael e dissimar militares, promovendo o maior ataque terrorista da história, depois do 11 de setembro. Para isso eles precisam combater qualquer submarino espião que tente impedi-los de completar a missão. Com uma respeitada jornalista a bordo, aos poucos o submarino russo com a bandeira da Palestina vai se tornando um mistério a ser revelado. Após o sucesso no ataque à Isrrael, o submarino vai a superfície e Mouna mostra sua cara pela primeira vez, amada por uns e odiada por outros, Mouna exige a libertação de prisioneiros palestinos, a construção de um Porto e um aeroporto na Palestina, mas a missão não vai ser tão fácil.

A revolucionária protegida pelo presidente da Rússia e o presidente da Palestina, ganha o apelido de Madame Terror e desperta o ódio de Isrrael e dos Estados Unidos que insiste em se meter no conflito alheio. Mouna nunca teve o intuito de atacar os Estados Unidos e apesar de ser chamada de terrorista, ela condenava aqueles que jogam suas vidas fora em ataques contra pessoas que nada tinham haver com a política internacional. Apesar de estar acostumada a matar, o alvo de Mouna era a base militar e seus motivos eram o desejo de libertar a sua Pátria dos verdadeiros terroristas.

Os Estados Unidos toma as dores de Isrrael, por simples sentido de atacar qualquer grupo que futuramente possa ofecerer perigo a nação americana, embora os palestinos afirmem ter como único alvo a base militar de Isrrael. Enquanto a maioria dos países prefere não interferir, os Estados Unidos declaram guerra à Palestina, caçando e ordenando o ataque ao submarino U-1 Jerusalém, no entanto, os americanos não sabem que os russos conseguiram construir uma tecnologia maior do que tudo o que já foi visto na história americana. Uma guerra entre um submarino americano e o submarino Russo é um suicídio coletivo declarado, mas os americanos parecem estar convencidos do contrário.

Mouna se reúne com a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, as duas entendem a necessidade de evitar uma guerra, mas isso não depende apenas das duas, incrivelmente elas se tornam grandes amigas, duas mulheres muito parecidas em situação política oposta, e por isso também inevitavelmente inimigas. Os americanos armam uma emboscada contra o U-1 Jerusalém mas acabam levando a pior, o governo americano tenta distorcer os fatos levando o povo a crer que o ataque partiu inicialmente dos terroristas, mas algumas provas denunciam o contrário. O submarino termina a sua missão com festa entre os tripulantes e sentimento de vitória, mas a Madame Terror sabe que muito ainda precisa ser feito em nome da Libertação Palestina, a guerra ainda não acabou.

Com uma narrativa dinâmica é difícil parar de ler, uma história surpreendente onde o vilão torna-se o mocinho, um ataque terrorista visto de um outro ângulo, os vários lados da moeda da complexa política internacional. Jan Guillou é um dos jornalistas mais respeitados da Suécia e também um prestigiado escritor com mais de 40 livros, onde muitos foram transformados em filmes. Madame Terror, somente na Suécia vendeu mais de 5 milhões de exemplares o que elevou a posição de personalidade cultural mais influente de toda a Escandinávia. Hoje além de escritor e diretor de cinema, Guillou escreve para o jornal Aftonbladet e é considerado um dos mais influentes formadores de opinião da Suécia. Sua série de maior sucesso publicada no brasil é As Cruzadas com 4 livros pela Bertrand Brasil.

Resenha: O Diário de Anne Frank

Sinopse: O retrato da menina por trás do mito. A única edição autorizada por Anne Frank Fonds, onde parte dos direitos autorais são direcionados a Unicef. O depoimento da pequena Anne, morta pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona leitores no mundo inteiro. Suas anotações narram os sentimentos, os medos e alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao holocausto. Uma poderosa lembrança dos horrores de uma guerra, um testemunho eloquente do espírito humano. Assim podemos descrever os relatos feitos por Anne em seu diário. Isolados do mundo exterior, os Frank enfrentam a fome, o tédio e a terrível realidade do confinamento, além da ameaça constante de serem descobertos. Nas páginas de seu diário, Anne Frank registra as impressões sobre esse longo período no esconderijo. O diário de Anne Frank é um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.

No dia 12 de junho de 1942, ao completar 13 anos de idade Anne Frank ganhou um diário e passou a registrar o seu cotidiano. De origem judia, Anne vivia em Frankfurt na Alemanha, com a sua família, sua mãe Edith Frank, seu pai Otto Frank e sua irmã mais velha Margot Frank. Eles tinham uma vida tranquila até o dia em que Margot recebeu uma carta para comparecer a um campo de concentração nazista. O ódio contra os nazistas aumentava cada vez mais e a família Frank precisou fugir da Alemanha para a Holanda para tentar sobreviver. 

Anne passou a ter de viver enclausurada em um sótão pequeno, fechado, sem poder sequer se aproximar de janelas para não ser vista e não despertar desconfiança. A comida era escassa, tudo tinha que ser muito bem dividido entre eles para que ninguém passasse fome, também faltavam opções de roupas para o inverno rigoroso e o dia seguinte era sempre uma incerteza. A família Frank passou a ter que dividir o espaço com outra família de judeus, a família do senhor Van Dan, sua esposa e seu filho Peter. Anne em seu diário relata as dificuldades de conviver em isolamento, a convivência forçada com uma família que lhe estranha mas que passa pela mesma situação, as incertezas sobre o futuro, seus sonhos e medos. 

Anne Frank é uma adolescente inteligentíssima, criativa, sensível e lúcida, ela está descobrindo a si própria, sua sexualidade e a formando a sua personalidade como mulher em meio à uma guerra cruel que parece nunca ter fim. Seu diário é a sua maior distração nos momentos em que todos parecem estar presos demais em suas próprias dores e aflições, é nas folhas de papel que ela coloca pra fora tudo o que sente, pensa e deseja. Ela começou a princípio escrevendo para si mesma, até ouvir na rádio um membro do governo da Holanda recomendando que as cartas e os diários escritos durante a invasão alemã na Holanda sejam guardados para serem publicados após a guerra. 

Anne então decide reescrever seus relatos, acrescentando informações extras, relatando o que se passa também entre os seus companheiros de confinamento e externa o desejo de que seu diário possa ser publicado. Em agosto de 1944, após dois anos de esconderijo, oficiais da Gestapo descobrem a localização do grupo e então eles são conduzidos aos campos de concentração. A princípio Anne foi levada para Auschwitz e depois para Bergen-Belsen onde morreu em fevereiro de 1945. Quando a guerra acabou, o diário de Anne Frank foi recuperado e entregue a seu pai, que conseguiu publicá-lo em 1947. 

O livro é um relato profundo, emocionante e triste como todas as histórias relatadas sobre o período nazista. O fato de ter sido escrito por uma adolescente em meio ao seu processo de amadurecimento, trás uma carga emocional mais pesada. É um livro de se ler com um lencinho para secar as lágrimas, é impossível não se emocionar com os relatos sofridos de Anne. Sua personalidade forte, inteligente e racional é cativante e envolvente. Esse sem dúvida é um livro clássico e muito importante para a história mundial e sua leitura deveria ser obrigatória a todos os públicos para que a humanidade nunca se esqueça das barbaridades do nazismo. 

Resenha: Amon. Meu avô teria me executado

Sinopse: Aos 38 anos de idade, a publicitária alemã Jeniffer Teege fez uma descoberta que a deixou chocada: seu avô, que ela não chegou a conhecer, era o infame comandante Amon Goth, do campo de concentração de Plaszow, na Polônia, cujo sadismo se destacou em meio à barbárie nazista. Milhares de pessoas conhecem a história de Amon Goth pelo premiado filme “A lista de Schindler” de Steven Spielberg lançado em 1993. Como esquecer da chocante cena do comandante atirando em prisioneiros de forma aleatória, da sacada de sua residência? Com a ajuda do jornalista Nikola Sellmair, Jennifer começa uma profunda e dolorosa pesquisa sobre a história da sua família biológica. Passo a passo, partir da chocante história da sua família, começa uma história de libertação.

Jennifer Teege, autora de seu próprio livro com a ajuda de um jornalista, relata a descoberta de sua árvore genealógica, o choque e a amargura de descobrir as suas raízes. Jennifer nasceu em 1970, filha de uma alemã com um nigeriano, neta de alemão nazista, quando tinha apenas quatro semanas de vida, sua mãe a entregou para um orfanato, sua gravidez fruto de um relacionamento com um homem negro, não seria aceita por seu pai, o comandade Amon Goth, deixar a criança mestiça em um orfanato era a melhor maneira de protejê-la.  Aos 7 anos Jennifer foi adotada e viveu em Israel como estudante. Atualmente ela trabalha com publicidade e vive com sua família na Alemanha. 

 A descoberta de Jennifer sobre a origem de sua família ocorre de forma aleatória. Já adulta, bem resolvida na vida, com seu emprego e sua família, Jennifer encontra um livro de capa vermelha, com o rosto de uma mulher familiar, em uma biblioteca,com o nome de Monika Goth, o livro conta a história da filha do comandante Goth, sua mãe biológica, através do nome, da foto e de relatos deste livro, Jeniffer desconfia de que aquela mulher pode ser sua mãe e começa a investigar até encontrar a verdade sobre suas origens. 

Jennifer teve um bom relacionamento com sua família adotiva, seus pais e seus irmãos, nunca havia cogitado buscar a sua família de sangue, embora tivesse boas recordações de sua avó materna, com quem foi mais próxima ela aceitava a vida que tinha e não buscava pensar sobre seu passado, ela tinha filhos, marido, um profissão e tudo parecia estar certo no seu caminho, embora às vezes lhe batesse um sentimento de despertencimento junto aos seus irmãos adotivos. Até que por um acaso ela se depara com o passado, ela reconhece a mulher na capa do livro e o passado passa a lhe tirar o sono. 

A alemã que morou em Israel, aprendeu hebraico, conviveu com judeus, fez amigos vítimas do nazismo, faz uma busca profunda por si mesmo e por aqueles que deveriam a ter acolhido. Jennifer passa a viver um conflito entre o sentimento carinhoso que tinha pela sua avó materna e o medo de que ela tenha sido omissa quanto aos crimes praticados por seu avô e o desejo e medo de se aproximar de sua mãe biológica. Ela também se questiona se a sua família adotiva sabia quem era o avô. 

Jennifer mergulha em profundas pesquisas sobre o nazismo, famílias de nazistas, os herdeiros de nazistas e as famílias das vítimas desse crime bárbaro. Ela chega a viajar pela Alemanha e Polônia, visita os antigos campos de concentração e conversa com especialistas. O passado de sua família lhe pesa bastante sobre os ombros, mas com coragem e determinação ela enfrenta seus sentimentos mais conflituosos e busca seguir em frente de cabeça erguida. 

O livro traz relatos pesados e emocionantes não apenas sobre Jeniffer Teege e a relação com sua família, mas também de outras famílias ligadas ao nazimo como Bettina Goring, neta de Hermann Goring que decidiu se esterilizar. Os relatos nos mostra que ambos os lados dos herdeiros do nazimo, famílias de vítimas e famílias de carrascos sofrem com o peso dessa herança amarga. Jennifer teve depressão e lutou para se recuperar e seguir com a sua família. 

Jennifer tentou se reaproximar de sua mãe biológica, embora não consiga perdoá-la por completo, promete ter empatia e não guardar rancor, ela passa a aceitar o sentimento de afeto que sempre nutriu por sua avó e também conseguiu conhecer seu pai biológico com quem teve um ótimo relacionamento, viajou para a Nigéria e passou a ter orgulho de sua raiz africana. Jennifer Teege ainda manteve o relacionamento com sua família adotiva e nunca escondeu de seus filhos a verdade sobre suas origens e seus antepassados.

Resenha: O Último Patriota de Brad Thor

Sinopse: Numa manhã tranquila em Paris, o ex agente do serviço secreto dos Estados Unidos, Scot Harvath, não podia nem imaginar que em breve voltaria a se envolver com política e espionagem, enfrentando mais uma vez seu pior inimigo: o terrorismo. A explosão de um carro-bomba na capital francesa muda por completo sua rotina pacata junto da namorada Trancy e ele embarca numa aventura ensandecida a fim de desvendar a última revelação de Maomé – um segredo que pode transformar o islamismo em uma religião totalmente diferente da que é hoje. Harvath salva o professor Anthony Nichols do atentado à bomba e os dois se veem obrigados a fugir das autoridades francesas. Especialista em Thomas Jefferson, Nichols vem conduzindo, por ordem do atual presidente americano, uma operação arriscada em busca das informações que levarão a decifrar o mistério em torno da última revelação do profeta Maomé não incluída no alcorão. Quem está por trás da tentativa de assassinato é Matthew Dodd, vulgo Majd al-Din. Ex-agente especial da CIA e desiludido com a sociedade americana, Dodd se converteu ao islamismo e forjou a própria morte, passando a prestar serviços a fundamentalistas mulçumanos dentro e fora dos Estados Unidos. Com uma narrativa irresistível  e repleto de ação do começo ao fim, O Último Patriota é um thriller cativante que desafia o leitor a refletir sobre como as antigas tradições do islã se relacionam com o terrorismo que marca o século XXI.

Um livro sobre os mistérios do Alcorão, o velho terrorismo que ameaça os Estados Unidos, e é claro, o patriotismo americano. A obra de Brad Thor especula que no ano 632 da era cristã, o profeta Maomé, compartilhou com seus seguidores mais próximos, uma última e surpreendente revelação recebida por Alá, e que seria essa uma revelação final, a última sura (mandamento) do Alcorão que revogaria todos os versículos anteriores. Porém dias depois, ele foi assassinado por pessoas que queriam impedir que essa revelação fosse divulgada. 

Os terroristas usam passagens do alcorão para justificar os seus atos; a nona sura, o penúltimo capítulo é a mais violenta de todas, contém versículos como “Matem os idólatras sempre que os encontrarem, e os que se recusam a lutar por Alá serão afligidos por uma morte dolorosa e irão para o inferno” esse é um dos versículos usados para justificar a intolerância e violência contra os povos de outras religiões. Se Maomé realmente tivesse uma última revelação pacífica e que anulasse todas as invocações à violência anteriores, isto causaria um grande impacto no Islamismo.

Após 11 séculos do ocorrido, Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos e um grande estudioso do Alcorão, que na época travava um combate com os violentos piratas muçulmanos da Berbéria, procurava também desvendar os segredos do Alcorão e a possível revelação final de Maomé que deveria apaziguar a violência islâmica. Jefferson não consegue desvendar essa revelação final, mas deixa pistas em um livro que anos mais tarde serve como guia a pesquisadores, estudiosos e até especialistas da inteligência americana na busca pelo segredo mais bem guardado do Islã.

A aventura começa quando Scot Harvath, um ex agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos, percebe que um atentado pode acontecer em Paris, próximo de um café em que ele lanchava com sua namorada Tracy. O agente especialista em operações de combate ao terrorismo, não poderia imaginar que em breve, teria que voltar ao trabalho, enfrentando novamente o terrorismo, que já havia ameaçado sua vida e a vida de seus parentes e amigos. Scot presenciou a explosão de um carro bomba e salvou o professor Antony Nicolas, sem saber que ele era o alvo do atentado. Antony é um especialista em Thomas Jefferson e vem realizando pesquisas por ordem do presidente do Estados Unidos, em uma perigosa operação em busca do antigo segredo perdido do Alcorão: a revelação final de Maomé.

Por terem sido reconhecidos nas câmeras de segurança durante o curioso atentado, o professor Anthony, Scot e Tracy são perseguidos pela polícia parisiense, porém o professor não pode entregar sua sigilosa pesquisa às autoridades locais. O agente Scot Harvath se vê obrigado a retornar ao seu antigo posto, ao entrar em contato com o Presidente dos Estados Unidos, Scot recebe ordens para proteger o professor, levá-lo em segurança para o território americano, e neutralizar o inimigo. Quem está por trás do atentado é um ex agente especial da CIA que se converteu ao islamismo e passou a prestar serviços para um grupo de fundamentalistas.

O livro narra a história de americano desiludido com seu país de origem, que sente-se seduzido pelo Islamismo, e um americano patriota que busca a paz mas não foge da guerra. A narrativa e o caráter de ameaça religiosa é bem ao estilo O Código Da Vince, e de fato este livro é para o Islã o que o Código Da Vince foi para a Igreja Católica. Se houvesse uma revelação final de Maomé, não incluída no Alcorão, o fanatismo Islâmico, o ideal de que o Alcorão é a completa e mais correta palavra de Alá, mudaria completamente de sentido. 

Com uma leitura instigante, misteriosa e frenética, esse livro nos faz pensar em como a religião é usada para controlar as pessoas e como os governos buscam controlar as religiões. A história nos mostra como uma sociedade fragilizada e desigual causa revolta nas pessoas e as torna mais propensas ao fanatismo religioso e ao comportamento violento. Existe todo um histórico de traumas, raiva, rejeição, desejo de poder e justiça por trás do terrorismo. Com uma narrativa muito bem construída e personagens complexos, esse é um livro arrebatador porém muito pró-governo e de fato patriota demais para o meu gosto.

Resenha: A Maravilha das Pequenas Coisas de Dawn French

Sinopse: A maravilha das pequenas coisas é a divertida história de uma família moderna contada do ponto de vista de três de seus membros: a mãe, que pensa que sabe tudo, o filho, que pensa que pode tudo, e a filha, que pensa que não pode nada e que não sabe nada. Cada um vive em seu pequeno mundo e a vida familiar fica cada vez mais caótica – até que eles descobrem o que realmente importa. Um livro para todos os que fazem parte de uma família confusa, bagunçada, desestruturada, mas que no fundo se amam muito e têm certeza de que, seja qual for o problema, sempre haverá alguém pronto a lhe dar mão.

O livro promete ser uma comédia familiar retratando dramas comuns de qualquer família com dois adolescentes em fase de descobrimento de si próprios e um casal à beira da meia idade e todas as crises que possam surgir. Não é o tipo de livro que eu compraria e de fato não comprei, ganhei. Nada contra, mas simplesmente não faz o meu estilo de leitura. O livro é narrado através da perpectiva de cada personagem, cada capítulo é uma narrativa diferente o que trás um bom dinamismo para a leitura. Mas a história em si é um pouco insossa e não tem engraçada como o livro nos propõe, algumas piadas inclusive beiram ao ridículo.

Quase larguei a leitura logo no começo, não gostei da maioria dos personagens, principalmente a Dora, a adolescente insuportável que acha que os seus problemas tolos são maiores que os problemas de todo mundo, ela foi o motivo de me fazer querer jogar o livro bem longe e não pegá-lo nunca mais. Dora é uma adolescente típica, dramática, rebelde, egoísta e irritante, a forma como ela trata a mãe dela é revoltante. A mãe de Dora é uma psicanilista especializada justamente em adolescentes, mas parece não enxergar ou não querer enxergar os problemas dos próprios filhos.

Má tem 49 anos, seu aniversário de 50 anos está cada vez mais próximo e junto com a meia idade chega a insegurança com sua aparência e o tédio com a sua rotina monótona. Má se deixa envolver pelo seu estagiário, um homem bem mais novo, confuso, misterioso e que não é quem parece ser, esse foi um personagem que eu achei muito mal construído, alguns fatos relacionados a ele ficaram muito vagos. Má tem sorte de ter um excelente marido, um homem seguro, estável e confiável, o porto seguro dessa família. Ela também tem uma mãe maravilhosa, a vó Pâmela, uma mulher inteligente e divertida que deveria ter tido mais destaque no livro.

Oscar é o meu personagem favorito e a razão pela qual eu não larguei a leitura, Oscar me salvou do tédio e foi o único que me me rendeu algumas risadas e conseguiu prender a minha atenção. Ele parece ter algum tipo de transtorno de personalidade, ele vive em um mundo particular onde Oscar Wilde é um rei inspirador. Embora se ache mais inteligente do que realmente é, Oscar é inteligente, divertido e cativante. Oscar é quem salva esse livro de ser um tédio total.

Não gosto de afirmar que é um livro é ruim, porque as pessoas tem gostos diferentes, mas não me agradou em quase nada, algumas piadas são bem estúpidas e sem graça e alguns personagens são entediantes e irritantes, enquanto outros personagens mais interessantes são mal elaborados. Não é o tipo de livro que eu leria novamente e por não me acrescentar em nada, certamente a história vai fugir da minha memória em pouco tempo.

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