Resenha: Beijos de Areia de Reyes Monforte

Sinopse: Laia é uma jovem saariana que começou uma vida nova na Espanha – vai seguir uma carreira, planeja ir morar com seu namorado, Júlio. No entanto, sua felicidade é truncada pelo terrível peso das recordações – ninguém conhece o obscuro segredo que ela conseguiu deixar para trás nas tendas que formam o acampamento de Dajla. E agora, esse passado voltou para assombra-la. Quando Laia desaparece, arrastada a terras africanas pelos fantasmas de seu passado, as duas histórias de amor ganham forçosamente um novo rumo. Laia e Júlio; Carlos e Maima. Uma dança entre personagens que se mesclam no presente e no passado, unidos por um destino em comum – um amor impossível. Uma aventura apaixonante, cheia de romantismo, segredos inconfessáveis, ameaças, injustiças históricas e a impactante denúncia de uma realidade mascarada que ainda hoje existe nas dunas do Saara. 

“Somos o que somos por causa de nosso passado. Você nunca poderá se esquecer de onde veio, nunca poderá mudar isso.”

O livro conta a história de Laia, uma saariana que tenta esquecer suas origens e levar uma vida diferente na Espanha, mas o passado insiste em bater na sua porta e fazê-la encarar o monstro de sua infância nas Dunas. Laia nasceu no deserto, onde passou parte de sua infância, ela era uma Hartani, uma escrava que havia sido doada para uma família saariana e portanto deveria prestar serviços a essa família, esse era o maior segredo que Laia tentava manter guardado a sete chaves.


Quando criança, Laia, assim como outras crianças do deserto participavam de um programa do governo Espanhol, o Vacaciones en Paz, que oferecia uma espécie de férias na espanha, com famílias temporárias que se encarregavam principalmente dos cuidados médicos das crianças. Laia foi recebida por Sandro e Letícia, um casal que não tinha filhos, a criança deveria ser devolvida ao fim do programa, mas devido aos problemas de saúde, precisou ficar mais tempo na Espanha. 

Letícia e Sandro apegaram-se à Laia, que embora assustada com toda a situação, não desejava voltar para a sua antiga família. O casal consegue a guarda de Laia, o tempo passa, ela cresce, estabelece sua vida na espanha, mantém suas origens sob segredo, nem seus pais adotivos sabem de sua história por completo. Laia apaixona-se por Júlio, um espanhol com quem pretende se casar, ela também tem planos de fazer faculdade e tudo parece se encaixar perfeitamente em sua vida, quando o passado começa a assombra-la. 

Nos acampamentos de Djala, a antiga família saariana de Laia, busca uma forma de trazer a Hartani de volta para o deserto, eles nunca aceitaram perdê-la e prometeram trazê-la de volta nem que fosse à força. Laia começa a ser perseguida e seus dias de paz chegam ao fim. Ela é levada contra a vontade ao Sul da Argélia, ao antigo acampamento de Djala, onde encara novamente o pesadelo de uma vida de servidão, humilhações e torturas. Laia é forçada a trabalhar em condições extremas de calor e exaustão física.

Logo Sandro, Letícia, Júlio e seu pai Carlos, descobrem a verdade sobre Laia e não medem esforços para encontrá-la e trazê-la de volta, porém a missão não será tão simples, pois envolve questões culturais do povo de Djala, no qual a política espanhola não tem autorização para interferir. Nas areias quentes e secas do deserto Laia, vai perdendo cada vez mais as esperanças de voltar para a sua vida na Espanha, convivendo com o medo, a dor, a saudade e a frustração.


“– Quero dizer que a vida das pessoas mudam, e muitas vezes não se pode fazer nada para evitar. Hoje estamos aqui e amanhã no lugar mais afastado de nossos sonhos. “ (p. 332)

Em paralelo temos a história de Carlos, pai de Júlio, que acaba se cruzando com a história de Laia, nas areias do Saara. No passado Carlos viveu um romance proibido com Maima uma jovem saariana, separados pelo destino, por um golpe de sorte, acabam se reencontrando durante a missão para resgatar Laia e Maima acaba sendo uma personagem fundamental nesse resgate. Passado e presente se chocam e os destinos se cruzam inesperadamente.    

O livro é narrado em terceira pessoa, a autora traz detalhes vívidos de forma bem explicativa, alguns detalhes desnecessários acabam tornando a leitura cansativa. Algumas partes parecem se arrastar apenas para aumentar o volume de leitura, apesar de ter um enredo muito bom, a leitura é maçante. A história retrata a cultura opressiva do oriente, no que diz respeito às mulheres, a realidade de injustiças vividas no deserto, mascaradas pelo que chamam de cultura local e tradição, a vida em condições precárias e os conflitos entre a Espanha e a região saariana.    

Babel, Romance em Tempos de Guerra – Martha Sutter.

Sinopse: A terra fértil entre os rios Tigre e Eufrates, que corresponde o atual Iraque, foi berço de invenções que mudaram o mundo: a roda, o arado, a escrita e também palco de disputas ferozes entre reinos. Nesse turbilhão, ao mesmo tempo criativo e destrutivo, o amor e a guerra conviviam lado a lado – segundo a crença da época, estavam sob o domínio de uma mesma divindade, a poderosa Deusa Ishtar. Babel – Romance em tempos de guerra reconstrói a disputa ocorrida há 4.000 anos, entre dois importantes reinos da Mesopotâmia. De um lado a emergente Babel, estando sob a regência de Hammurabi, conhecido mundialmente por seu código de leis, e de outro lado Larsa, governado por Rim-Sin. Tendo como cenário de fundo esta guerra, desenrola-se o cotidiano peculiar da taberneira vendendo cerveja, passando pela escriba, que anota no tablete de argila as adivinhações dos sacerdotes, até a realeza com suas intrigas e espionagens. No romance Babel, a vida desses antigos habitantes é retratada com tal riqueza de detalhes, que o leitor se sente como um deles.  

   

A história se passa em uma época muito distante, no ano de 1763 antes de Cristo, em um período de muita tensão entre os antigos reinos da Mesopotâmia. Larsa e Babel eram reinos prósperos, porém em lados opostos, Larsa era um reino imenso, com seu poder consolidado, porém sob ameaças internas e externas, com um rei que acabara de perder um de seus filhos e cercado de pessoas falsas e pretensiosas. Babel era um reino em constante ascensão, governado por Hammurabi, um líder forte, pretensioso e inflexível, firme em um propósito de domínio e poder. Hammurabi procura investir todo o seu poder para tentar invadir e conquistar Larsa, mesmo contrariando as difíceis previsões, pois Larsa é um reino aparentemente impossível de invadir. 

Em meio a toda guerra e luta por poder, Hammurabi encontra Núria, uma mulher tão inflexível e destemida quanto ele. Núria é uma súdita real, foi casada com o filho falecido do Rei de Larsa, porém o casamento não foi considerado consumado pois Núria não teve filhos. Núria acaba sendo prometida em casamento ao seu cunhado, o novo herdeiro de Larsa, Rammâmn Lâ Shânan, uma idéia que nada lhe agrada, já que Nuria tem a desconfiança de que príncipe mais novo pode ter sido o responsável pela morte de seu próprio irmão, para lhe tomar o lugar na linha de sucessão ao trono. 


Aflita com a ideia de se casar com Rammâmn Lâ Shânan, Núria foge e acaba indo parar em Babel, onde recebe abrigo e conhece o Rei Hammurabi. A figura firme, enigmática e conquistadora do Rei desperta a atenção de Núria e provoca um misto de sentimentos em seu coração aflito, ao mesmo tempo em que sua beleza, inteligência e personalidade forte, desperta o desejo de conquista de Hammurabi. Mais do que dominar Larsa, o Rei de Babil cobiça também tomar Núria como sua esposa. Núria percebe a ameaça contra o povo de Larsa e retorna ao reino de Larsa, receosa do que pode acontecer, ela luta contra os sentimentos de desejo e a vontade de ajudar o seu povo. 

Ao chegar em Larsa, Núria acaba sendo traída por membros da corte que desconfiam de sua passagem por Babel, embora não tenha feito nada de errado e apresente justificativas plausíveis para sua viagem, uma conspiração faz com que Núria enfrente o juízo cruel da corte, a mulher é julgada, caluniada, humilhada e agredida a chibatadas em público. A guerra é inevitável e Babel consegue a sua tão sonhada expansão, Hammurabi consegue conquistar e dominar cruelmente o Reino de Larsa, o que ele não sabe é que sua missão mais difícil seria conquistar a destemida Núria. 

Larsa e Babel cultuam os Deuses antigos e até então toda a região da antiga Mesopotâmia estava sob o domínio da deusa Istar. A história apresenta toda uma aura mística sob a forma como os antigos Deuses influenciavam nos acontecimentos entre os reinos, mais do que uma guerra entre humanos, é também uma guerra entre os Deuses. O livro retrata uma sociedade dominada pela disputa por poder, pela influência religiosa nas decisões de um povo, a escravidão, a servidão do povo perante os reis e o papel da mulher em uma sociedade machista. A leitura é um pouco cansativa, mas é uma história interessante, bem detalhada, é um romance complexo e nada bobo.  

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