
Sinopse: Uma fábula sobre aceitação, amor, amadurecimento e o poder da memória. Da autora de O filho da feiticeira, considerado o Livro do Ano pelo Washington Post. Todo ano o povo do Protetorado deixa um bebê como oferenda para a Bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade protegida pelos muros e pela Torre das Irmãs da Guarda. Mas, Xan, a Bruxa na floresta, ao contrário do que eles acreditam, é bondosa. Ela vive em paz com um Monstro do Pântano muito inteligente e um Dragão Perfeitamente Minúsculo.
Todo ano ela resgata o bebê deixado pelos Anciãos e o leva em segurança para uma família adotiva em uma das Cidades Livres do outro lado da floresta. Durante a longa viagem, quando a comida acaba, Xan alimenta os bebês com luz estelar. Em uma dessas ocasiões ela acidentalmente oferece a um deles a luz do luar, dotando a menininha de uma magia extraordinária.
A bruxa então decide criar a menina “embruxada”, a quem chama de Luna. Conforme o aniversário de treze anos da menina se aproxima, sua magia começa a aflorar – e pode colocar em perigo a própria Luna e todos à sua volta.

Kelly Bamhill é uma autora de livros de fantasia infanto-juvenil e poesias, norte americana que ficou conhecida pelo livro O Filho da Floresta, considerado o livro do ano de 2017 pela Washington Post, ainda não li esse livro mas com certeza está na minha lista. Ganhei esse livro de presente da minha madrinha,a princípio achei que seria um livro muito infantil, mas logo nos primeiros capítulos fui me apegando a leitura. Apesar de ser um livro de fantasia infanto-juvenil, é uma história repleta de emoções e lições importantes e personagens intrigantes. A história se passa em uma cidadezinha pequena controlada por um homem mau que parece bom e manipula as pessoas para aceitarem seus atos inescrupulosos e uma bruxa boa que é vista como malvada.
Os moradores do Protetorado, vivem cercados por muros em uma cidadezinha cinzenta que parece nunca ver a luz do sol, uma aura de tristeza toma conta da cidade dominada pelo medo e pela dor. Sob o governo dos Anciãos e das Irmãs da Guarda, o povo acredita que a cidade é amaldiçoada por uma bruxa terrível que vive na Floresta e ninguém deve ousar passar pela Floresta ou pelos muros da cidade. Todos os anos, sempre à mesma época, um bebê recém nascido deve ser levado como oferenda para a bruxa, sob determinação do conselho dos Anciãos, a criança é tirada de sua família e levada para debaixo de uma árvore à beira da Floresta, onde acreditam que a Bruxa vai buscá-la.
Gherland é o Guardião Grão-Ancião do Conselho dos Anciões, um homem severo, prepotente, respeitável e temido por todos, mas não tão temido por Antain, seu sobrinho e Guardião em treinamento. Antain acompanha o tio nas incursão atrás da criança que será oferecida em sacrifício, mas ele demonstra não concordar com a prática e passa a questionar seu tio. Antain acredita que deveriam tentar negociar com a bruxa, ao invés de simplesmente largar um bebê na floresta e dar a volta sem olhar para trás. Com sua curiosidade, coragem e esperteza, o aprendiz de Guardião se torna um personagem fundamental no desenrolar dessa história.
Chega o dia de mais um sacrifício, Gherland embora se irrite com os questionamentos de seu sobrinho, o obriga a participar do ato, mais um bebê é escolhido, uma menina recém nascida, porém um ato inesperado acontece, a mãe da criança se recusa a entregar a sua filha, isso nunca havia acontecido, as mães sempre acreditaram que esse era um mal necessário. Gherland e sua equipe tomam a criança a força e a levam para beira da floresta. A pobre mãe indignada é tratada como louca por seu ato de rebeldia e levada para uma espécie de prisão junto às Irmãs da Guarda.
Em paralelo, a velha Bruxa Xan, como faz todos os anos, sempre na mesma data, atravessa a floresta para buscar o bebê, ela não entende porque isso acontece, desconhece a razão pela qual aquele povo todo ano deixa um bebê abandonado ao relento à beira da Floresta, ela não gosta da energia daquela cidade e nunca procurou questioná-los, ela simplesmente pega o bebê e o leva para as cidades livres, onde há famílias bondosas que adotam às crianças com felicidade. Xan sempre leva mamadeiras durante a viagem, mas se a mamadeira acaba e a criança sente fome, ela a alimenta com energia estelar.
“Deixaram a menina ali sabendo que certamente não existia bruxa alguma. Nunca existiu uma bruxa. Havia apenas a floresta perigosa e uma única estrada e um controle tênue de uma vida da qual os Anciãos gozaram por gerações. A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes. Era terrivelmente conveniente para um governo livre e desimpedido dos Anciãos. Era desagradável também, mas isso não poderia ser evitado.”
Apesar da idade avançada, Xan estava lá novamente resgatando a menininha abandonada, um belo bebê de pele branca, com cabelos negros encaracolados e uma marca na testa que lembrava uma meia lua, a bruxa então a batizou de Luna. Aquele bebê era demasiado faminto, e logo consumiu todas as mamadeiras, a velha bruxa então lhe alimentou com luz estelar, porém em dado momento ela cometeu um erro, o que fez com que a menina fosse alimentada pela luz lunar, uma luz repleta de energias mágicas, Xan ficou desesperada ao perceber que a menina havia sido embruxada.
Xan não poderia levar uma criança embruxada para ser adotada por uma família convencional, eles não saberiam lidar com os poderes dela quando sua magia começasse a crescer dentro de si. A bruxa então adotou a menina e a levou para morar junto de si na floresta com seu mini dragão e seu monstro do pântano, criaturas muito mais dóceis do que se parece. Eles formaram uma verdadeira família feliz, porém ao fazer 13 anos, Luna começa a ter os seus poderes aflorados, enquanto Xan começa a enfraquecer. A magia de Luna se torna cada vez mais forte e perigosa para todos, inclusive para ela mesma e uma ameaça perigosa se aproxima cada vez mais da velha Xan e seus protegidos.
Por outro lado, no triste e pacato Protetorado, Antain não é mais um garoto, ele agora é um homem comprometido e prestes a ser pai e seu bebê é um dos ameaçados para o sacrifício. Antain decide então enfrentar a bruxa, enfrentar seu tio e impedir que o sacrifício aconteça. Ele busca por informações com a louca da torre, que é simplesmente a mãe biológica de Luna, arma um plano e encara a floresta e não demora muito para ele descobrir toda a verdade. A cidade sofre sim de um mal terrível, mas não é culpa da velha bruxa da floresta, e isso não é nenhum spoiler, pois é muito bem explicado no comecinho do livro. Antain, a louca da Torre, Luna e a velha Xan se unem em um objetivo em comum.
O livro é uma aventura leve e divertida, cheia de mistérios e encantos, ótimo para estimular a leitura de crianças e adolescentes, mas pode muito bem agradar ao público mais velho que gosta de fantasias. Aqui não temos um personagem principal, temos vários personagens importantes, personagens com personalidades complexas e realidades diferentes cujo os caminhos se cruzam. Uma leitura suave, bastante criativa, com um toque de suspense que prende a nossa atenção do início ao fim e com um desfecho muito bem construído. Não posso deixar de mencionar a beleza da capa e o apelo poético em alguns trechos, afinal a escritora também escreve poesias e trás um pouco desse lado para o livro. Comecei o livro sem grandes expectativas, mas me surpreendi de forma bastante positiva.
























