Resenha: Fallen de Lauren Kate

Sinopse: Algo parecia estranhamente familiar em Daniel Grigori. Solitário e enigmático, ele chama atenção de Luce logo no seu primeiro dia de aula no reformatório. A mudança de escola foi difícil para a jovem, mas encontrar Daniel parecia aliviar o peso das sombras que atormentam o seu passado: Um incêndio misterioso – que provocou a morte de seu namorado – levou Luce até ali. Irremediavelmente atraída por Daniel, ela quer descobrir qual é o segredo que ele precisa tanto esconder – uma verdade que poderia matá-la. Algo que em suas vidas passadas, Daniel não conseguiu evitar. Excitante, sombrio e romântico Falen é ao mesmo tempo, um Thriller e uma inesquecível história de amor.

Este livro já estava na minha lista há bastante tempo (há anos na verdade) mas com a correria dessa vida de estudante é muito difícil cumprir listas. Confesso que a primeira coisa me atraiu foi a capa (sim, sou dessas) em seguida a proposta de um romance entre anjos e humanos. Toda essa mística de anjos e demônios e as suas presenças na terra sempre me chamou atenção, não sou fã de um romance qualquer, mas o apelo místico, ainda que totalmente fora da realidade, me fascina. Assisti ao filme, baseado no livro, antes de pegar o livro para ler e isso aguçou ainda mais a minha curiosidade.

A história começa com os dramas de uma garota esquisita e vê sombras estranhas e acabara de perder o seu único namorado em um incêndio que ela não era capaz de compreender, mas a julgavam culpada. A jovem Luce seria punida em uma escola reformatória cheia de pessoas, iguais e piores do que ela. Ao ver Daniel pela primeira vez ela sente que há algo familiar entre eles e mesmo contra a sua vontade, sem entender os motivos, ela sente-se ridiculamente atraída pelo loiro misterioso de olhos violetas. Luce faz alguns amigos e inimigos em poucos dias e atrai a atenção de Cam, um homem enigmático e super charmoso disposto a tudo para conquistá-la.

Apesar das investidas de Cam, ela até que gostava dele e queria poder gostar mais, no entanto ela não pode controlar o que o sente por Daniel, ainda que o loirinho misterioso a princípio tente ao máximo fugir da moça, chegando a destratá-la para se manter longe. Existe muita coisa em jogo, muitos mistérios a serem resolvidos e pobre Luce não sabe por onde começar. Ela insiste em investigar o passado de Daniel até descobrir que ela já fizera parte dele. A paixão entre Luce e Daniel era inevitável assim como o desastre que se repetira em tantas vidas, mas eles não aguentariam o distanciamento e teriam que se arriscar de novo e mais uma vez se quisessem ficar juntos, estavam entrelaçados um ao outro.

A princípio todas as insistência de Luce em relação a Daniel e suas grosserias tentando afastá-la e todo esse mistério em relação a verdadeira identidade de Daniel me deixaram profundamente irritada com o livro, a ponto de deixar de lado e ler outras histórias para aliviar a tensão. Até Luce descobrir o que de fato Daniel, Cam e alguns de seus amigos realmente são, forma-se um drama entediante. Mas existem muitos mistérios para serem resolvidos e os acontecimentos no fim do livro vão nos despertando a curiosidade em continuar a leitura da sério. Uma mocinha estranha que se apaixona por um cara extraordinário, mas que não é um simples humano e eles precisam lutar para ficarem juntos? Isso me lembrou a saga Crepúsculo! Sim, é bem clichê, mas a curiosidade não me permite desistir da série no primeiro livro.

Resenha: O Beijo – série Bruxos e Bruxas de James Patterson

Sinopse: No quarto livro da série Bruxos e Bruxas, Whit e Wisty, agora membros do Conselho, estão tentando reconstruir a cidade após derrotar o Único que é o Único, o vilão mais malvado do mundo. Quando tudo parece correr bem, surge uma nova ameaça personificada na figura do cruel Rei da Montanha. Ele é um mago indestrutível que deseja a todo custo dominar a cidade. Sem água e prestes a ficar sem alimentos, a população conta com os irmãos Allgood para sobreviver. A aventura e o suspense fazem o leitor prender a respiração a cada vez que um capítulo termina. Mas com um título como esse, não poderia faltar romance no novo livro de James Patterson… Wisty está encantada pelo jovem Heath, que compreende tão bem os seus dilemas, afinal ele também é um bruxo. Talvez Wisty possa se unir a Heath na guerra contra o Rei da Montanha. Mas o que será que Whit pensa disso? Se você ama romance, mistério e ação, O Beijo é o seu livro! Páginas muito intensas, desfechos surpreendentes… Mas uma prova de que James Patterson é o maior autor da sua geração.

O quarto e último livro da série tem tudo para ser o final feliz dos irmãos Allgood e de todos os jovens que o acompanharam na luta contra o terrível ditador que se autodenominava O Único. O malvado já não existia mais, a cidade estava livre e os jovens agora podiam fazer parte do conselho da cidade. A esperança reinava nas ruas apesar das destruições provocadas pela guerra, a vontade de reconstruir a cidade era maior que tudo. Wisty e Whit eram os mais novos heróis da cidade e juntos defendiam a sua reconstrução. Os irmãos assumiram um compromisso com o conselho e passaram a frequentar os debates com frequência, no entanto a política viria a ser mostrar mais cruel do que eles poderiam imaginar. Leis complicadas, crise financeira, acordos desfeitos e toda a falsidade do jogo político acabariam por ameaçar a imagem heroica dos irmãos.

Após a morte do Único que é o Único, o impiedoso Rei da Montanha desfez o acordo que mantinha o abastecimento de água na cidade, com a comida escassa e com o risco de seca, o conselho precisa tentar um novo acordo, porém o Rei da Montanha parece não ter a menor afeição aos jovens bruxos. Se não bastasse o confronto político, crianças e jovens começam a desaparecer misteriosamente, tudo indica que estão sendo levadas pelo malvado das montanhas. Mais um vilão para os irmãos Allgoood enfrentarem e nesse caminho Wisty se apaixona pelo jovem Heath, um misterioso bruxo que faz explodir em Wisty sentimentos e sensações ainda desconhecidas, no entanto Whit não confia nenhum pouco no novo namorado de Wisty e acaba se afastado da irmã, preferindo ir a luta sozinho.

Wisty merecia encontrar um namorado legal, ela que já sofreu por confiar na pessoa errada, merecia enfim ser feliz e Heath parecia ser o cara perfeito, um bruxo lindo e poderoso, que parecia sempre saber exatamente o que ela precisava, juntos eles eram uma explosão, literalmente, um vulcão em erupção, no entanto, algo parece não estar certo, nem todos acham adequado o relacionamento dos dois. Wisty prefere não subir a montanha com o irmão, evitando o confronto direto com o Rei malvado até que a guerra torna-se inevitável. Heath e Wisty juntos poderiam combinar seus poderes e enfrentar o Rei da Montanha, no entanto a bruxinha recebe uma notícia nada agradável, a família de Heath não é bem o que ela desejava, na verdade é exatamente o contrário, e novamente Wisty se vê sem saber em quem e no que confiar.

Apenas a união entre os irmãos, a confiança nas pessoas certas, os amores verdadeiros e os bons amigos podem acabar com a guerra que ameaça a cidade, mais uma vez os irmãos Allgood precisam lutar, mas agora não apenas pela própria sobrevivência, mas pelo sustento de toda uma cidade. O quarto livro é uma verdadeira guerra política e os interesses são os mesmos: poder e domínio ditatorial. Sem perder o fôlego e a narrativa irreverente e divertida, o último livro da série não deixa nada a desejar, com muita ação, magia, intrigas, mistérios e surpresas a cada capítulo, além de um toque especialmente romântico, um verdadeiro Grand Finale. Essa é uma das melhores séries de todos os tempos do estilo aventura/fantasia. James Patterson esbanja criatividade e perfeição em cada detalhe, consagrando-se como um dos escritores mais brilhantes do gênero.

Resenha: O Fogo – série Bruxos e Bruxas de James Patterson

Sinopse: Você pensou que seria um conto de fadas? Whit e Wisty Allgood sacrificaram tudo para liderar a Resistência contra o regime sanguinário que governa o mundo. O líder supremo, O Único Que É O Único, baniu tudo o que havia de bom: livros, música, arte e imaginação. Mas o poder dos dois irmãos parece estar longe de conseguir deter O Único, e agora ele executou a única família que eles tinham. Você não vai encontrar O Único aqui. Wisty sabe que o momento se aproxima. Em breve ela estará cara a cara com O Único. A sua bravura e o seu dom canalizam ainda mais poder para esse ser, que já é invencível. De que maneira ela e Whit poderão se preparar para o confronto iminente com o implacável vilão que devastou o seu mundo – antes de ele se tornar verdadeiramente onipotente? Nem sempre seremos felizes depois que acabar. No impressionante terceiro livro da série Bruxos e Bruxas, a tensão está maior do que nunca – e as consequências mudarão tudo.

O Fogo é o terceiro e penúltimo livro da série, representa um dos piores momentos dos irmãos bruxos, eles chegam até o inferno, literalmente, para tentarem a salvação final. O Único que o Único, nosso vilão sem escrúpulos, tem expandido seu poder cada vez mais, chegando até a terra das sombras, uma espécie de plano intermediário, onde aqueles que morrem precisam passar para chegar ao outro plano. O Único poder que o nosso vilão ainda não domina é o poder da nossa bruxinha Wisty, o dom de dominar o fogo.

” Mas ele não tem o seu fogo Wisty, a sua energia, sua eletricidade. Ele pode controlar a terra mas não controla as pessoas que vivem aqui. Pelo menos não os pensamentos delas. Ainda não. Mas se aquilo que o Único acredita for verdade, que os poderes se estendem aos impulsos elétricos do cérebro, ele vai usar você para controlar não só o governo da superfície, mas também todas as mentes, de toda a humanidade, em todas as dimensões.” (Pág. 111)

Repleto de momentos tensos, cenas horripilantes e confusões desnecessárias, Wisty e Whit demonstram muita imaturidade para quem tem a pretensão de salvar o mundo e se colocam em momentos tensos que complicam ainda mais toda a situação. Eles ainda não conseguem compreender a real dimensão dos seus poderes e se encontram em um beco sem saída, após a perda dos pais, eles só podem contar um com o outro. 

Uma peste se espalhou abruptamente pela cidade, espalhando doença, miséria e caos, dizimando grande parte da população. A resistência se separou, eles estão desamparados e Whit acaba não podendo contar com muita ajuda de Wisty que está gravemente doente. A bruxa precisa contar com a ajuda de algumas pessoas boas que surgem em seu caminho para se recuperar e ter forças para encarar o Único que é o Único que segue em sua perseguição cruel.

Após uma leitura morna no livro anterior, esse livro aqui faz jus ao nome e realmente pega fogo, o livro aborda mais sobre o vilão inescrupuloso, mostra quem de fato ele é, suas intenções e a forma como a Nova Ordem consegue manipular as pessoas. Repleto de relatos chocantes, com forte carga dramática e muita adrenalina, é uma leitura bem mais acelerada e instigante. Acho que o último livro, O Beijo, deve trazer uma energia mais romântica e um desfecho harmônico. 

Relatos da Mila: Um amigo de infância

Um dia desses, indo para faculdade eu encontrei um cão da raça labrador guiando um deficiente visual e dando uma verdadeira lição nos apressadinhos que queriam atravessar na frente dos carros. Fiquei embasbacada com a intelegência de um cão que trabalha com a difícil tarefa de ser os olhos daqueles que não enxergam. Passei o resto da noite pensando nesse pequeno detalhe do meu dia que não durou nem cinco minutos. Isso me fez lembrar do meu melhor amigo de infância, daquele que tanto brincou comigo e nunca me deixou ficar triste. Meu amigo tinho quatro patas, pêlo marrom com uma mancha branca no peito, olhos cor de mel e jeito de safado. Ele tinha porte de labrador mas a mancha branca no peito denunciava sua misticidade de raças.

O Marrom, como era chamado por pura falta de criatividade em criar um nome decente, chegou à família Correia Freire aos poucos, primeiro conquistou o coração do Sr. Correia, meu avô que vira e mexe dava ração para ele na rua, depois conquistou a minha avô acompanhando-a no caminho de casa para o clube e do clube para casa. Marrom virou o guardião do portão aqui de casa, alimentado na calçada e nos acompanhando nos passeios na rua. Por que dar de comer e beber a um cão na rua e não dar também um lugar aconchegante para dormir? Não tem jeito! Com aquele olhar de cachorro abandonado e a educação digna de um lorde, o vira-lata metido a labrador conquistou a todos e logo ganhou um cantinho aconchegante para dormir no quintal.

Porém o Marrom era cachorro de rua, não conseguia ficar trancado por muito tempo em casa, escapulia sempre que alguém abrisse o portão, e não adiantava reclamar, cachorro de rua não se domina. Apesar de rebelde, o bicho era inteligente, minha mãe reclamava de ter que limpar o quintal sozinha e o cão para não incomodar não fazia suas necessidades fisiológicas enquanto alguém não abrisse o portão para deixá-lo ir a rua. Não podímos impedir, ele fugia, fazia o que queria na rua, voltava para casa na hora que bem entendesse, deitava no portão e aí de quem chegasse perto. Não podia passar ninguém na calçada que ele botava pra correr, afinal ele era o guardião do portão.

Mas é curiosa a inteligência desse bicho, certo dia, a vizinha, uma senhora de idade avançada resolveu chegar no portão quando a fera lá estava plantada, ele olhou de cima abaixo, sentou e simplesmente não fez nada, acho que essa foi a primeira pessoa ou talvez a única que chegou no meu portão e guardião não quis atacar. Ele era um bicho de temperamento difícil, e após tentar atacar alguém no portão, meu pai revoltou-se com o cão rebelde e resolveu jogá-lo fora, esse foi o dia mais triste e ao mesmo tempo mais feliz da minha infância.

Colocamos o Marrom dentro do carro, ele adorava passear conosco mas sempre preferiu ir correndo ao redor do carro, ele me olhava angustiado e eu queria chorar, mas não pude falar nada, não podia desafiar o meu pai. Levamos ele para outro bairro, o botamos para fora do carro e fomos embora, senti uma tristeza tão grande que não consigo descrever. Alguns minutos depois de chegar em casa, eu tentava superar o vazio no quintal, quando vejo chegando quase morrendo com a respiração acelerada, o meu amigo rebelde. Já era! Ele aprendeu o caminho de casa! E o meu pai, afinal, aprendeu a lição, o cão atravessou o bairro e voltou para casa, com a língua para fora, o rabo balançado e os olhinhos brilhando, ele parecia dizer que jamais nos deixaria. Não fomos nós que escolhemos, foi o cão que nos escolheu. Meu pai e o Marrom se tornaram grandes amigos, e nunca vi meu pai se emocionar falando de um cachorro.

O Marrom era o meu guia, quando queria saber para onde o meu pai havia ido, eu abria o portão e pedia para ele me levar até o pai, ele olhava para os lados da rua, parecia farejar o ar e saía correndo na minha frente, eu seguia, ele parava em cada esquina para me esperar e voltava a correr, eu sabia que ele me levaria ao lugar certo. E quando o meu pai sentando no bar via o Marrom correndo em sua direção, já sabia que logo a patrulha viria atrás. Além de guia, ele também era segurança, nós tinhamos o hábito de andar pelo bairro de bicileta, podíamos ir ao mercado e deixar a bike destrancada do lado de fora que lá ficava o Marrom tomando conta, e ninguém ousava chegar perto do objeto assegurado pelo bicho.

Uma vez saímos todos de carro para uma festa junina, o Marrom fugiu assim que abrimos o portão e não vimos para onde ele foi, durante a festa nós pergutamos se ele estaria no portão de casa tentando morder quem chegasse perto, afinal ele não tinha nos seguido. Quando íamos em direção ao carro, já era tarde de noite e abandonávamos a festa, vimos de longe um cão deitado ao lado do carro, quando chegamos mais perto lá veio ele abanando o rabo e fazendo festa, ele não encontrou os donos mas achou o carro e lá ficou tomando conta.

Esse cão é uma das melhores lembranças que eu tenho da minha infância, tive vários cães ao longo da minha existência, mas nenhum foi tão fiel à família quanto ele. Lembro de quando o Flamengo ganhou um campeato e saimos de carro buzinando pelo bairro, com a bandeira cobrindo o carro, várias pessoas de preto e vermelho no calçadão celebrando, e claro, lá estava o Marrom, como se fosse um flamenguista, correndo na frente no carro e latindo, e as pessoas brincando conosco. Não havia um só momento triste ao lado dele, ele parecia saber ler as emoções das pessoas, fazia de tudo para agradar, e várias vezes eu achava que ele era um humano em forma de cão, nunca vi bicho mais inteligente, sabia atravessar a rua, fazer as necessidades no lugar certo, entendia o que falávamos, menos a parte de que não era certo brigar com o gari e o carteiro.

A única recordação ruim que eu tenho com o meu amigo foi quando ele apareceu em casa com uma parte do crânio amassada, ele não gostava dos carroceiros que passavam na rua, e certa vez levou uma pedrada de um ser humano cruel, só porque ele estava latindo para a carroça. O ferimento afetou o crânio e não havia chance de recuperação, não quis vê-lo nesses últimos dias, não aguentei ver o sofrimento do meu amigo, não me despedi, prefiri pensar que ele ainda estava na rua fazendo bagunça. Sofremos com a morte dele como se ele fosse um humano, uma pessoa importante na família, sei que nunca vou encontrar um cão que o substitua, ele era super inteligente, divino, único. Certas coisas só acontecem uma vez na nossa vida, e o que eu vivi com esse amigo eu sei que não viverei novamente.

Literatura Espírita: Esmeralda de Zibia Gasparetto

Sinopese: Esmeralda era orgulhosa, absoluta! O mistério maravilhoso de sua dança arrancava olés e aplausos acalorados. Sempre desejada, despertava grandes paixões. Mas não amava ninguém. Não se importava com dor daqueles que se apaixonavam por ela. Um dia, porém, Esmeralda encontrou um amor, que arrastou consigo o seu destino. A vaidade tem um preço que o orgulho cigano sempre paga. Todas nós, mulheres, temos um pouco de Esmeralda.

Esmeralda é uma bela cigana, admirada por todos entre os seus, orgulhosa de sua beleza e magnetismo. De rara beleza e natural sensualidade, despertava grandes paixões e gostava de ser mimada, mas ela não amava a ninguém e desprezava a dor dos seus apaixonados. Julgando-se forte e incapaz de amar alguém além de si mesma, a cigana joga charme para quem quer que se meta em seu caminho.

Uma noite, durante uma festa na cidade de Valença, Esmeralda se depara com um sentimento nunca antes sentido, o amor. Ao conhecer o jovem fidalgo Carlos, a cigana logo se apaixona, Carlos também fica encantado com a magia da cigana, sua dança encantadora, seu olhar misterioso e sorriso faceiro, sob a luz da lua e o brilho das estrelas eles e entregam ao amor.

Nos dias após a festa, Carlos procura a cigana e ela engana-se ao perceber que ele estaria disposto a passar por cima de todas as diferenças sociais e culturais entre ambos para ficar com ela. Mas o destino do casal não é fácil, a família de Carlos, muito tradicional, jamais aceitaria esse relacionamento e as diferenças de costumes torna o amor deles praticamente impossível de ser levado a diante, a não ser que um dos dois seja capaz de abrir mão da própria vida para viver a vida do outro.

O destino os leva a caminhos diferentes, mas um amor como esse jamais poderia ser apagado, Carlos ao perceber que a cigana não abandonaria seu estilo de vida, resolve casar-se com uma mulher de família tradicional para também agradar sua própria família, porém é difícil esquecer Esmeralda. A cigana tomada de raiva e ciúmes, esperando uma filha de Carlos, não tem coragem de procurá-lo e lhe informar sobre a paternidade.

A criança nasce saudável, mas Esmeralda deprimida, adoece e deixa a filha ainda pequena. Carlos não é totalmente feliz com sua nova família, e o destino acaba o aproximando novamente da comunidade dos ciganos, só então o fidalgo toma consciência das escolhas que fez, de como magoou Esmeralda desejando-a como amante e colocando outra no posto oficial, e a criança fruto do amor impossível.

Esmeralda é um dos maiores clássicos da literatura espírita, ditado por Lucius e psicografado por Zibia Gasparetto, a história é uma lição de amor, que nos transporta para o século XIX, o estilo de vida cigano e os precoceitos que eles sofriam, o cotidiano dos fidalgos e as diferenças culturais são descritas detalhadamente. A grande crítica é contra a hipocrisia e preconceito das pessoas na época. Esmeralda é uma história apaixonante, movida por amor e repleta de lições.

” – Não julgue o que não podes compreender. O amor precisa ser veículo de libertação, não de apego. Quem ama verdadeiramente aprende a respeitar a liberdade de escolha do ser amado.“

Relatos da Mila: Atravessar ou não a rua?

Estava parada tentando não enlouquecer com as buzinas irritantes dos carros. Rodoviária de Campo Grande, zona oeste do Rio, fim de tarde, comecinho da noite, pessoas saindo do trabalho com pressa, alguns saindo da escola e outros indo para faculdade, todos numa ânsia como se vivêssemos o última dia de vida no planeta Terra. O sinal ainda estava verde para os carros, mas devido ao engarrafamento, as pessoas tentavam atravessar, ignorando as buzinadas constantes dos motoristas de ônibus.  Por um instante eu pensei como me sentiria no lugar do motorista, com hora para cumprir viagem, tendo que ter paciência com o trânsito terrível do horário e ainda esperar os desesperados acabarem de atravessar por entre os ônibus. Não tive coragem de atravessar, afinal o sinal ainda estava verde e eu me colocava no frustrante lugar do motorista. Eis que alguém me empurra, uma mulher segurando uma criança pela mão e ainda exclama – se não vai atravessar saia do caminho! Fiquei tão boba e foi tudo tão rápido que não tive resposta. Em meio a minha indignação com o comportamento das pessoas, aparece um cão ao meu lado, um labrador champanhe, daqueles lindos dignos de um filme, guiando um deficiente visual, educadamente o cão parou na calçada ao meu lado e me fez companhia atrapalhando a passagem dos desesperados, como mais ninguém notou um bichinho tão fofo? Ele olhava para os carros tentando passar e também não devia estar entendendo o desespero e a falta de respeito das pessoas, apenas quando o sinal fechou e os carros pararam atrás da faixa ele atravessou guiando o seu dono educadamente, como um lord canino. Como pode um ser dito irracional ter mais educação do que nós, seres racionais ditos civilizados? Fui para a faculdade, cheguei atrasada e  talvez tivesse chegado no horário se tivesse atravessado mais rápido ou se o meu ônibus não ficasse tanto tempo tentando atravessar em um sinal que ninguém respeita. Passei a noite pensando naquele cão e em todos os vira latas, poodles e Pit Bulls que eu já tive na vida, e realmente entendo as razões de quem criou a frase “quanto mais eu conheço as pessoas mais eu amo o meu cachorro”. 

Literatura Espírita: O Matuto

Sinopse: Um matuto que não sabia ler nem escrever, herdeiro de uma enorme fortuna, parecia presa fácil para um advogado que pensava em ludibriá-lo e para o tio dele, que julgando-o morto, pretendia ficar com a herança. Os fatos porém surpreenderam ambos. Este romance agradável e proveitosa leitura, também nos faz meditar e compreender mais as lutas da vida, encorajando-nos a manter a confiança na grande bondade e inteligência de Deus.

O Matuto é um antigo romance espírita ditado por Lucious, publicado primeiramente em 1984. Um história que nos mostra a importância da confiança, da crença na verdade mesmo nos momentos difíceis. Essa é a história de um homem sem instrução, criado numa cidade do interior com o pai, sem contato com a civilização, que descobre ser herdeiro de grande fortuna na cidade grande.

Com apenas dois anos de idade, Geraldo nascido em uma família abastada na cidade de São Paulo, foi raptado pelo pai e levado à uma cidadezinha no interior do Mato Grosso. O menino foi criado sem ter conhecimento da existência da mãe, já que seu pai acreditara nos boatos de traição envolvendo sua esposa.

Acostumado à vida pacata no meio do mato, Geraldo perde o pai e fica sozinho na pequena casa até que uma surpresa muda a sua vida. O homem humilde e sem instrução fica chocado quando recebe a visita de um advogado e um jornalista de São de Paulo que lhe trás a notícia de uma herança milionária e da morta de uma mãe que ele sequer sabia ter.

Geraldo descobre que sua mãe Carolina, mulher da alta sociedade, havia deixado para ele todos os seus bens, e que seu tio, Dr Marcondes, um interesseiro que vivia em guerra com Carolina, pretendia se apoderar de todos os bens da falecida, julgando que Geraldo jamais seria encontrado.

O homem do mato não sabia se realmente poderia acreditar em toda a história contada por aqueles homens que apareceram em sua vida sem pedir permissão, porém alguma coisa dentro dele, em seu coração, o fazia querer ir à São Paulo, não pelo dinheiro que ela não sentia falta, mas pela necessidade de descobrir quem era a sua família e porque fora tão cedo arrancado da mãe.

Ao chegar em São Paulo Geraldo de primeira sente aversão pela Cidade Grande e sofre muitos preconceitos por vir do interior e não ter educação refinada. Ele recebe ajuda do advogado e do jornalista que a principio aparentam serem amigos do homem, mas Geraldo mesmo com sua falta de instrução, percebe que não deve confiar nesses homens. Geraldo pode não conhecer as palavras e saber ler, mas conhece as pessoas e sabe ler a personalidade de cada um.

Logo que chega a mansão de sua falecida mãe, Geraldo faz amizade com o caseiro e a governanta que lhe revela alguns segredos da família. O caseiro que logo simpatiza com Geraldo e percebe o interesse do advogado em passar a perna no matuto, trata de ajudar seu novo amigo a defender o que é seu por direito.

O homem do mato passa a sentir por sua mãe um amor que ele não imaginava sentir algum dia, mesmo sem ter sido criado com ela, ele sente o carinho da mãe sempre por perto e mesmo não se sentindo à vontade a vida de luxo na cidade grande, ele permanece na casa pensando satisfazer o desejo de Carolina. Geraldo aos poucos começa a fazer amizade com os amigos de sua mãe e devido ao seu carisma logo conquista a amizade sincera de alguns.

O Dr Marcondes não desiste de prejudicar o rapaz, mas o apoio sincero de pessoas lúcidas e de bem o ajudam a descobrir as verdades sobre sua família e se adaptar a nova vida sem perder seus antigos valores e sua humildade.

O Matuto é uma história emocionante e Geraldo é um caipira apaixonante. No fim das contas é uma história que nos leva a refletir sobre o ato de perdoar, a importância do perdão na vida das pessoas, a humildade e confiança na verdade e justiça divina. Esse é um livro que eu nunca vou esquecer!

Resenha: O Dom – James Patterson

Sinopse: Os irmãos Allgood nunca desistem de lutar contra os poderes autoritários e desumanos do Único que é o Único, mas agora estão sem Margô – a atrevida revolucionária; sem Célia – o grande amor de Whit; e sem seus pais – que provavelmente estão mortos… Então em uma tentativa de esquecer suas tristezas e lembranças e ao mesmo tempo, continuar seu trabalho revolucionário, os irmãos vão parar em um show de rock organizado pela Resistência, onde os caminhos de Wisty e de um jovem roqueiro vão se cruzar. Afinal, Wisty poderá encontrar algo que lhe ofereça um pouco de alegria em meio a tanta tristeza e quem sabe um amor… Mas na vida desses irmãos nada é tão simples e tudo pode sofrer graves reviravoltas. Entre perdas e ganhos, o Único que é o Único continua fazendo uso dos seus poderes, inclusive o controle sobre o gelo e a neve.

O Dom é o segundo livro da série Bruxos e Bruxas de James Patterson. A Nova Ordem continua aumentando o seu poder, dominando o mundo através de um sistema político ditatorial. As músicas populares foram proibidas, bem como o cinema livre, a literatura e demais formas de arte. A liberdade de expressão não existe mais, o mundo se submeteu ao domínio de um homem inescrupuloso que se autodenomina o Único que é o Único. Em uma antiga loja de departamentos de um bairro degradado, um grupo de adolescentes revolucionários contra ataca o sistema com a ajuda de Margô, uma garota rebelde mas muito inteligente e dos poderosos irmãos Allgood, porém os jovens resistentes sofrem um golpe e tanto quando perdem a Margô, até então líder do grupo.

Os irmãos Allgood terão que reanimar o grupo e fazer a resistência seguir em frente. Wisty e Whit perderam pessoas importantes, não sabem se seus pais ainda estão vivos e nem como encontrá-los, mas apesar das dificuldades, eles ainda são a única esperança de todos os outros adolescentes que conseguiram escapar da Nova Ordem, afinal eles são os jovens da profecia, os salvadores da nova era. Wisty e seus amigos resolvem ir a um show de rock organizado por outro grupo de resistentes de uma região vizinha, o evento parece a oportunidade perfeita de fazer novos contatos, estabelecer alianças contra os homens do poder e também, é claro, aliviar um pouco as tristezas de quem tenta não perder a fé nas coisas boas da vida. Porém Wisty não percebe o perigo por trás das coisas, ignora os pressentimentos do seu irmão e acaba confiando nas pessoas erradas.

Wisty é traída mais uma vez por quem ela menos esperava e os irmãos Allgood voltam as prisões da Nova Ordem. É difícil manter a esperança quando tudo parece dar errado e não se sabe em quem confiar, mas eles não podem se entregar, ainda há muito a ser descoberto. O Único que é o Único demostra todo o seu poder, inclusive o domínio do gelo, para os irmãos e surpreendentemente não os mata e ainda propõe um acordo, há algo que ele precisa para se tornar ainda mais poderoso e por fim, completo. Apenas Wisty tem o que ele precisa e cabe a nossa “Tocha Humana” decidir se vale a pena ceder, entregar o seu dom ao “Homem de Gelo” ou resistir e encontrar uma forma de vencê-lo. Traída por um lado e ajudada por quem menos espera entre surpresas e confusões Wisty se vê mais uma vez em fuga. Consciente do seu poder, mas ainda sem saber como usá-lo para acabar definitivamente com a Nova Ordem.

O livro continua seguindo o mesmo estilo do pioneiro da série, com capítulos curtos e uma narrativa leve, irreverente e bem humorada, sempre com alguma surpresa no meio do caminho e repleto de aventuras mirabolantes do começo ao fim, a história segue seu rumo sem perder o fôlego. Entretanto, os personagens evoluíram pouco do primeiro livro para o segundo, é como se ainda estivéssemos no primeiro livro porém sob outra perspectiva, não se parece uma continuação, mas espero entusiasmada por uma melhor evolução dos personagens no livro seguinte. Não consigo imaginar como essa história vai acabar, mas não dá mais para os irmãos ficarem nessa mesmice de fugir da Nova Ordem, ainda não sabemos até onde o poder dos Allgood pode chegar e como esse sistema pode ser desconstruído.

Clássicos da literatura: Dom Casmurro de Machado de Assis

“Sim eu me faço de forte, mas já chorei no meu quarto, em silêncio, a porta fechada, travesseiro no rosto, chorei por dentro, sofri. Mas sabe o que tudo isso resultou; nada, é preciso aprender a crescer, viver, ser ‘gente grande’ e enfrentar os próprios problemas”

Dom Casmurro é uma das obras de maior prestígio de Machado de Assis, a complexidade e aura misteriosa que envolve os personagens, provocam discussões até hoje sobre a real intenção da história. Afinal, Capitu traiu ou não o amado Bentinho? Ou seria ele apenas um paranóico, ciumento sem motivos? Eis o mistério ainda não desvendado! A história começa quando Bentinho, que mais tarde viria a ser apelidado de Dom Casmurro, decide no fim da vida adulta, atar as duas pontas de sua vida, revelando memórias da sua juventude até o presente momento de solidão que se encontra no fim da vida. A obra é um romance marcado por conflitos sociais da época. A mãe de Bentinho, que tivera muita dificuldade em engravidar, quando teve seu filho fez uma promessa de que ele haveria de ser padre. Viúva e muito católica, Dona Glória sonhava com a carreira de padre do seu filho, não poderia abrir mão da antiga promessa.

Bentinho e Capitu eram vizinhos e muito amigos desde criança, no começo tudo era uma brincadeira inocente de crianças, mas o tempo foi passando, eles foram crescendo e nutrindo sentimentos especiais um pelo outro, juntos eles descobriram o que era o amor, o desejo por outra pessoa. Mas Bentinho se sentia ameaçado, ouvira uma conversa de sua mãe explicando a promessa e necessidade de levá-lo ao seminário. Ele já completara 15 anos e em breve deveria começar os estudos para a carreira de padre. O amor entre Capitu e Bentinho tinha tudo para dar errado, ela de família pobre e sem futuro promissor, e ele herdeiro de família abastada e com o dever de cumprir uma sagrada promessa. Bentinho achava bonita a carreira de padre, mas não poderia abrir mão de Capitu, seus olhos de ressaca, seu jeito de mulher esperta e que sabe o que quer. Eles prometeram um ao outro que se casariam de qualquer forma quando completassem 18 anos.

Bentinho fez drama, inventou que não tinha vocação para a carreira de padre, disse que queria estudar as leis, ou a medicina, mas padre não queria ser. Em momento algum contou a mãe seu amor por Capitu. E Capitu esperta como era, fazia questão de dissimular, se fazer de inocente aos olhos de Dona Glória. Bentinho foi para seminário, e conheceu Escobar, um seminarista que também não queria ser padre, eles tornaram-se grandes amigos. Dona Glória já não aguentava de saudades do filho, e parecia começar a pensar na possibilidade de abrir mão da promessa, pedia perdão ao padre, escreveria uma carta até ao Papa se fosse preciso, ela queria seu filho mais próximo de si, e claro, sendo feliz. Capitu cheia de agrados com Dona Glória, mostra-se uma menina, apesar da baixa classe social, educada e uma possível boa esposa.

Bentinho consegue fazer sua mãe esquecer a promessa, estuda as leis e consegue realizar o desejo de casar com Capitu. Ela era diferente das demais moças da época, esperta, com aqueles olhos oblíquos de cigana dissimulada, conseguia o que queria, gastava pouco dinheiro mas era sempre bem vista, elegante, despertava olhares embora não parecesse corresponder, era ela com suas atitudes firmes e muita perspicácia quem dava as cartas a relação. Bentinho sempre caindo de amores, era passivo, aceitava, deixava-se dominar. Porém o ciúme vivia tirando o seu sossego, é difícil estar ao lado de uma mulher tão desejada e nunca saber do que ela é capaz. Eles tiveram o primeiro filho, e o que deveria ser um presente para os dois, tornou-se mais uma vez um motivo para despertar o ciúme doentio de Bentinho, o menino foi crescendo e revelando-se muito parecido com seu amigo já falecido Escobar. Bentinho olhava nos olhos do filho, seu sorriso e até sua voz lembravam Escobar, até mesmo Capitu admitia a semelhança, mas ela jamais confessara uma traição. Bentinho lembrava-se de um outro caso de uma pessoa que se parecia muito com outra sem ser da mesma família, mas alguma coisa em sua cabeça lhe dizia o tempo inteiro que Capitu fora adúltera.

O sentimento de traição, o ciúme descontrolado e os olhos dissimulados de Capitu jurando inocência, o deixaram louco. Bentinho por um momento pensou em se matar, pensou em matar o “filho”. Capitu arrasada já não sabia o que fazer. A solução foi o divórcio disfarçado, ele não teria coragem de contar a família a sua humilhação. Mandou Capitu para fora do país com o filho, pagava uma boa quantia para o sustento. E mesmo com as juras de inocência de Capitu, continuou a viver com o sentimento da traição que nunca se provou verdadeira. A solidão e o gosto amargo que tomou conta de sua vida o transformaram no conhecido Dom Casmurro, homem frio, de poucas palavras e carranca feroz. E como seria se ele seguisse a carreira de padre? Como seria se ele jamais tivesse casado com Capitu? Não teria talvez, enlouquecido de amor, mas teria enlouquecido por jamais ter-se entregue. De qualquer forma, a loucura já o esperava.

“E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.”

Resenha: Bruxos e Bruxas – James Patterson

Sinopse: No meio da noite, os irmãos Allgood, Whit e Whisty foram arrancados de sua casa, acusados de bruxaria e jogados em um prisão. Milhares de outros jovens como eles também foram sequestrados, acusados e presos. Outros tantos estão desaparecidos. O destino desses jovens é desconhecido, mas assim é o mundo sob o regime da Nova Ordem, um governo opressor que acredita que todos os menores de 18 anos são naturalmente suspeitos de conspiração. E o pior ainda está por vir, porque o Único que é O Único não poupará esforços para acabar com a vida e a liberdade, com os livros e a música, com a arte e a magia, nem para extirpar tudo o que tenha a ver com a vida de um adolescente normal. Caberá a nós Whit e Whisty, lutar contra esta terrível realidade que não está nada longe de nós.  

Pensem em um lugar governado por um sistema extremamente autoritário, as escolas preparam as crianças e os jovens para aceitarem tudo o que o governo impor, seguindo regras e jurando devoção ao governante supremo. As regras do governo são leis imutáveis, quem questiona, foge dos padrões, é considerado um desajustado que precisa de tratamento “especial”. Todas as formas de arte e a liberdade de expressão foram banidas. Livros foram queimados, museus fechados, a música não pode mais cantar o que bem entender. A ciência serve um único objetivo, a impressa não tem escolha e a magia é um pecado condenável. Fala sério! Não é tão difícil imaginar!

Esse é o mundo em que os irmãos Allgood vivem, sob o controle de um ditador com poderes especiais que se denomina “O Único que é O Único” um cara estranho que acha que tem o dever de reordenar o mundo, exterminar o pecado, o caos e a desordem, mas para isso ele se acha no direito de julgar e condenar quem não segue as suas regras ou de alguma forma ameaça o seu poder. Whit é um jovem popular, o atleta bonitão do colégio, aluno aplicado e charmoso que arranca suspiros da garotada, sua namorada Célia também bonita e popular, está desaparecida e a vida de Whit virou um caos. Whisty, irmã mais nova de Whit, é uma adolescente problemática, de temperamento forte, um tanto quanto indisciplinada e com um quadro de notas baixas, embora seja inteligente.

Durante a madrugada a casa dos Allgood é invadida por uma equipe da Nova Ordem, acusados de bruxaria, os guardas ameaçam levar os dois irmões para a prisão. Whit e Whisty não entendem o que está acontecendo, eles aliás sequer acreditam em bruxarias, magia e poderes sobrenaturais. Eles olham para os seus pais em busca de explicações, mas eles lhes entregam apenas um livro velho com páginas em branco e uma baqueta, sem maiores explicações. As ameaças de bruxaria ganham sentido quando algo estranho alcontece, Whisty começa a pegar fogo, transformando-se em uma tocha humana e a situação fica ainda mais estranha.

Os irmãoes são enviados para um prisão repleta de adolescentes considerados ameaças à sociedade e ao governo da Nova Ordem, alguns são apenas jovens rebeldes, outros apresentam poderes estranhos, como se fossem mutantes ao estilo X-Man. Sinceramente, acredito que apesar do nome da série e citar a Wicca (religião neo-pagã, bruxaria tradicional), a história não tem nada haver com bruxaria em si, na verdade é uma grande distorção acerca do que realmente é bruxaria. Os poderes desses jovens se assemelham aos poderes dos mutantes que a gente vê no cinema.

Muitos desses jovens mutantes são usados em pesquisas científicas e muitos outros são condenados a morte, Whisty em especial parece ter algo que governante deseja muito, mas que nem ela sabe ao certo o que seja, até bem pouco tempo atrás a jovem não imaginava que pudesse incendiar as coisas, se transformar em fogo puro. Ela e seu irmão precisam descobrir como fugir da Nova Ordem, mas para isso eles precisam primeiro entender o que está acontecendo e quem de fato eles são. Começa então uma grande aventura, misteriosa e surreal em busca de um conhecimento que parece fora da realidade.

O livro é uma aventura e tanto, embora seja bem diferente do que realmente é bruxaria, mas o enredo é irreverente, curioso e muito criativo, apesar dos poderes sobrehumanos e eventos surreais, a história brinca um pouco com a realidade, abordando de maneira bem sútil questões que envolvem a política e o papel dos jovens na sociedade e de alguma forma o livro atenta para a necessidade de uma atuação mais responsável dos jovens em questões sociais. A narrativa é leve, bem humorada e ágil, a história não te deixa parar para respirar um só minuto, é ação atrás de ação. 

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