Resenha: O Beijo – série Bruxos e Bruxas de James Patterson

Sinopse: No quarto livro da série Bruxos e Bruxas, Whit e Wisty, agora membros do Conselho, estão tentando reconstruir a cidade após derrotar o Único que é o Único, o vilão mais malvado do mundo. Quando tudo parece correr bem, surge uma nova ameaça personificada na figura do cruel Rei da Montanha. Ele é um mago indestrutível que deseja a todo custo dominar a cidade. Sem água e prestes a ficar sem alimentos, a população conta com os irmãos Allgood para sobreviver. A aventura e o suspense fazem o leitor prender a respiração a cada vez que um capítulo termina. Mas com um título como esse, não poderia faltar romance no novo livro de James Patterson… Wisty está encantada pelo jovem Heath, que compreende tão bem os seus dilemas, afinal ele também é um bruxo. Talvez Wisty possa se unir a Heath na guerra contra o Rei da Montanha. Mas o que será que Whit pensa disso? Se você ama romance, mistério e ação, O Beijo é o seu livro! Páginas muito intensas, desfechos surpreendentes… Mas uma prova de que James Patterson é o maior autor da sua geração.

O quarto e último livro da série tem tudo para ser o final feliz dos irmãos Allgood e de todos os jovens que o acompanharam na luta contra o terrível ditador que se autodenominava O Único. O malvado já não existia mais, a cidade estava livre e os jovens agora podiam fazer parte do conselho da cidade. A esperança reinava nas ruas apesar das destruições provocadas pela guerra, a vontade de reconstruir a cidade era maior que tudo. Wisty e Whit eram os mais novos heróis da cidade e juntos defendiam a sua reconstrução. Os irmãos assumiram um compromisso com o conselho e passaram a frequentar os debates com frequência, no entanto a política viria a ser mostrar mais cruel do que eles poderiam imaginar. Leis complicadas, crise financeira, acordos desfeitos e toda a falsidade do jogo político acabariam por ameaçar a imagem heroica dos irmãos.

Após a morte do Único que é o Único, o impiedoso Rei da Montanha desfez o acordo que mantinha o abastecimento de água na cidade, com a comida escassa e com o risco de seca, o conselho precisa tentar um novo acordo, porém o Rei da Montanha parece não ter a menor afeição aos jovens bruxos. Se não bastasse o confronto político, crianças e jovens começam a desaparecer misteriosamente, tudo indica que estão sendo levadas pelo malvado das montanhas. Mais um vilão para os irmãos Allgoood enfrentarem e nesse caminho Wisty se apaixona pelo jovem Heath, um misterioso bruxo que faz explodir em Wisty sentimentos e sensações ainda desconhecidas, no entanto Whit não confia nenhum pouco no novo namorado de Wisty e acaba se afastado da irmã, preferindo ir a luta sozinho.

Wisty merecia encontrar um namorado legal, ela que já sofreu por confiar na pessoa errada, merecia enfim ser feliz e Heath parecia ser o cara perfeito, um bruxo lindo e poderoso, que parecia sempre saber exatamente o que ela precisava, juntos eles eram uma explosão, literalmente, um vulcão em erupção, no entanto, algo parece não estar certo, nem todos acham adequado o relacionamento dos dois. Wisty prefere não subir a montanha com o irmão, evitando o confronto direto com o Rei malvado até que a guerra torna-se inevitável. Heath e Wisty juntos poderiam combinar seus poderes e enfrentar o Rei da Montanha, no entanto a bruxinha recebe uma notícia nada agradável, a família de Heath não é bem o que ela desejava, na verdade é exatamente o contrário, e novamente Wisty se vê sem saber em quem e no que confiar.

Apenas a união entre os irmãos, a confiança nas pessoas certas, os amores verdadeiros e os bons amigos podem acabar com a guerra que ameaça a cidade, mais uma vez os irmãos Allgood precisam lutar, mas agora não apenas pela própria sobrevivência, mas pelo sustento de toda uma cidade. O quarto livro é uma verdadeira guerra política e os interesses são os mesmos: poder e domínio ditatorial. Sem perder o fôlego e a narrativa irreverente e divertida, o último livro da série não deixa nada a desejar, com muita ação, magia, intrigas, mistérios e surpresas a cada capítulo, além de um toque especialmente romântico, um verdadeiro Grand Finale. Essa é uma das melhores séries de todos os tempos do estilo aventura/fantasia. James Patterson esbanja criatividade e perfeição em cada detalhe, consagrando-se como um dos escritores mais brilhantes do gênero.

Literatura Espírita: Esmeralda de Zibia Gasparetto

Sinopese: Esmeralda era orgulhosa, absoluta! O mistério maravilhoso de sua dança arrancava olés e aplausos acalorados. Sempre desejada, despertava grandes paixões. Mas não amava ninguém. Não se importava com dor daqueles que se apaixonavam por ela. Um dia, porém, Esmeralda encontrou um amor, que arrastou consigo o seu destino. A vaidade tem um preço que o orgulho cigano sempre paga. Todas nós, mulheres, temos um pouco de Esmeralda.

Esmeralda é uma bela cigana, admirada por todos entre os seus, orgulhosa de sua beleza e magnetismo. De rara beleza e natural sensualidade, despertava grandes paixões e gostava de ser mimada, mas ela não amava a ninguém e desprezava a dor dos seus apaixonados. Julgando-se forte e incapaz de amar alguém além de si mesma, a cigana joga charme para quem quer que se meta em seu caminho.

Uma noite, durante uma festa na cidade de Valença, Esmeralda se depara com um sentimento nunca antes sentido, o amor. Ao conhecer o jovem fidalgo Carlos, a cigana logo se apaixona, Carlos também fica encantado com a magia da cigana, sua dança encantadora, seu olhar misterioso e sorriso faceiro, sob a luz da lua e o brilho das estrelas eles e entregam ao amor.

Nos dias após a festa, Carlos procura a cigana e ela engana-se ao perceber que ele estaria disposto a passar por cima de todas as diferenças sociais e culturais entre ambos para ficar com ela. Mas o destino do casal não é fácil, a família de Carlos, muito tradicional, jamais aceitaria esse relacionamento e as diferenças de costumes torna o amor deles praticamente impossível de ser levado a diante, a não ser que um dos dois seja capaz de abrir mão da própria vida para viver a vida do outro.

O destino os leva a caminhos diferentes, mas um amor como esse jamais poderia ser apagado, Carlos ao perceber que a cigana não abandonaria seu estilo de vida, resolve casar-se com uma mulher de família tradicional para também agradar sua própria família, porém é difícil esquecer Esmeralda. A cigana tomada de raiva e ciúmes, esperando uma filha de Carlos, não tem coragem de procurá-lo e lhe informar sobre a paternidade.

A criança nasce saudável, mas Esmeralda deprimida, adoece e deixa a filha ainda pequena. Carlos não é totalmente feliz com sua nova família, e o destino acaba o aproximando novamente da comunidade dos ciganos, só então o fidalgo toma consciência das escolhas que fez, de como magoou Esmeralda desejando-a como amante e colocando outra no posto oficial, e a criança fruto do amor impossível.

Esmeralda é um dos maiores clássicos da literatura espírita, ditado por Lucius e psicografado por Zibia Gasparetto, a história é uma lição de amor, que nos transporta para o século XIX, o estilo de vida cigano e os precoceitos que eles sofriam, o cotidiano dos fidalgos e as diferenças culturais são descritas detalhadamente. A grande crítica é contra a hipocrisia e preconceito das pessoas na época. Esmeralda é uma história apaixonante, movida por amor e repleta de lições.

” – Não julgue o que não podes compreender. O amor precisa ser veículo de libertação, não de apego. Quem ama verdadeiramente aprende a respeitar a liberdade de escolha do ser amado.“

Literatura Espírita: O Matuto

Sinopse: Um matuto que não sabia ler nem escrever, herdeiro de uma enorme fortuna, parecia presa fácil para um advogado que pensava em ludibriá-lo e para o tio dele, que julgando-o morto, pretendia ficar com a herança. Os fatos porém surpreenderam ambos. Este romance agradável e proveitosa leitura, também nos faz meditar e compreender mais as lutas da vida, encorajando-nos a manter a confiança na grande bondade e inteligência de Deus.

O Matuto é um antigo romance espírita ditado por Lucious, publicado primeiramente em 1984. Um história que nos mostra a importância da confiança, da crença na verdade mesmo nos momentos difíceis. Essa é a história de um homem sem instrução, criado numa cidade do interior com o pai, sem contato com a civilização, que descobre ser herdeiro de grande fortuna na cidade grande.

Com apenas dois anos de idade, Geraldo nascido em uma família abastada na cidade de São Paulo, foi raptado pelo pai e levado à uma cidadezinha no interior do Mato Grosso. O menino foi criado sem ter conhecimento da existência da mãe, já que seu pai acreditara nos boatos de traição envolvendo sua esposa.

Acostumado à vida pacata no meio do mato, Geraldo perde o pai e fica sozinho na pequena casa até que uma surpresa muda a sua vida. O homem humilde e sem instrução fica chocado quando recebe a visita de um advogado e um jornalista de São de Paulo que lhe trás a notícia de uma herança milionária e da morta de uma mãe que ele sequer sabia ter.

Geraldo descobre que sua mãe Carolina, mulher da alta sociedade, havia deixado para ele todos os seus bens, e que seu tio, Dr Marcondes, um interesseiro que vivia em guerra com Carolina, pretendia se apoderar de todos os bens da falecida, julgando que Geraldo jamais seria encontrado.

O homem do mato não sabia se realmente poderia acreditar em toda a história contada por aqueles homens que apareceram em sua vida sem pedir permissão, porém alguma coisa dentro dele, em seu coração, o fazia querer ir à São Paulo, não pelo dinheiro que ela não sentia falta, mas pela necessidade de descobrir quem era a sua família e porque fora tão cedo arrancado da mãe.

Ao chegar em São Paulo Geraldo de primeira sente aversão pela Cidade Grande e sofre muitos preconceitos por vir do interior e não ter educação refinada. Ele recebe ajuda do advogado e do jornalista que a principio aparentam serem amigos do homem, mas Geraldo mesmo com sua falta de instrução, percebe que não deve confiar nesses homens. Geraldo pode não conhecer as palavras e saber ler, mas conhece as pessoas e sabe ler a personalidade de cada um.

Logo que chega a mansão de sua falecida mãe, Geraldo faz amizade com o caseiro e a governanta que lhe revela alguns segredos da família. O caseiro que logo simpatiza com Geraldo e percebe o interesse do advogado em passar a perna no matuto, trata de ajudar seu novo amigo a defender o que é seu por direito.

O homem do mato passa a sentir por sua mãe um amor que ele não imaginava sentir algum dia, mesmo sem ter sido criado com ela, ele sente o carinho da mãe sempre por perto e mesmo não se sentindo à vontade a vida de luxo na cidade grande, ele permanece na casa pensando satisfazer o desejo de Carolina. Geraldo aos poucos começa a fazer amizade com os amigos de sua mãe e devido ao seu carisma logo conquista a amizade sincera de alguns.

O Dr Marcondes não desiste de prejudicar o rapaz, mas o apoio sincero de pessoas lúcidas e de bem o ajudam a descobrir as verdades sobre sua família e se adaptar a nova vida sem perder seus antigos valores e sua humildade.

O Matuto é uma história emocionante e Geraldo é um caipira apaixonante. No fim das contas é uma história que nos leva a refletir sobre o ato de perdoar, a importância do perdão na vida das pessoas, a humildade e confiança na verdade e justiça divina. Esse é um livro que eu nunca vou esquecer!

Clássicos da literatura: Dom Casmurro de Machado de Assis

“Sim eu me faço de forte, mas já chorei no meu quarto, em silêncio, a porta fechada, travesseiro no rosto, chorei por dentro, sofri. Mas sabe o que tudo isso resultou; nada, é preciso aprender a crescer, viver, ser ‘gente grande’ e enfrentar os próprios problemas”

Dom Casmurro é uma das obras de maior prestígio de Machado de Assis, a complexidade e aura misteriosa que envolve os personagens, provocam discussões até hoje sobre a real intenção da história. Afinal, Capitu traiu ou não o amado Bentinho? Ou seria ele apenas um paranóico, ciumento sem motivos? Eis o mistério ainda não desvendado! A história começa quando Bentinho, que mais tarde viria a ser apelidado de Dom Casmurro, decide no fim da vida adulta, atar as duas pontas de sua vida, revelando memórias da sua juventude até o presente momento de solidão que se encontra no fim da vida. A obra é um romance marcado por conflitos sociais da época. A mãe de Bentinho, que tivera muita dificuldade em engravidar, quando teve seu filho fez uma promessa de que ele haveria de ser padre. Viúva e muito católica, Dona Glória sonhava com a carreira de padre do seu filho, não poderia abrir mão da antiga promessa.

Bentinho e Capitu eram vizinhos e muito amigos desde criança, no começo tudo era uma brincadeira inocente de crianças, mas o tempo foi passando, eles foram crescendo e nutrindo sentimentos especiais um pelo outro, juntos eles descobriram o que era o amor, o desejo por outra pessoa. Mas Bentinho se sentia ameaçado, ouvira uma conversa de sua mãe explicando a promessa e necessidade de levá-lo ao seminário. Ele já completara 15 anos e em breve deveria começar os estudos para a carreira de padre. O amor entre Capitu e Bentinho tinha tudo para dar errado, ela de família pobre e sem futuro promissor, e ele herdeiro de família abastada e com o dever de cumprir uma sagrada promessa. Bentinho achava bonita a carreira de padre, mas não poderia abrir mão de Capitu, seus olhos de ressaca, seu jeito de mulher esperta e que sabe o que quer. Eles prometeram um ao outro que se casariam de qualquer forma quando completassem 18 anos.

Bentinho fez drama, inventou que não tinha vocação para a carreira de padre, disse que queria estudar as leis, ou a medicina, mas padre não queria ser. Em momento algum contou a mãe seu amor por Capitu. E Capitu esperta como era, fazia questão de dissimular, se fazer de inocente aos olhos de Dona Glória. Bentinho foi para seminário, e conheceu Escobar, um seminarista que também não queria ser padre, eles tornaram-se grandes amigos. Dona Glória já não aguentava de saudades do filho, e parecia começar a pensar na possibilidade de abrir mão da promessa, pedia perdão ao padre, escreveria uma carta até ao Papa se fosse preciso, ela queria seu filho mais próximo de si, e claro, sendo feliz. Capitu cheia de agrados com Dona Glória, mostra-se uma menina, apesar da baixa classe social, educada e uma possível boa esposa.

Bentinho consegue fazer sua mãe esquecer a promessa, estuda as leis e consegue realizar o desejo de casar com Capitu. Ela era diferente das demais moças da época, esperta, com aqueles olhos oblíquos de cigana dissimulada, conseguia o que queria, gastava pouco dinheiro mas era sempre bem vista, elegante, despertava olhares embora não parecesse corresponder, era ela com suas atitudes firmes e muita perspicácia quem dava as cartas a relação. Bentinho sempre caindo de amores, era passivo, aceitava, deixava-se dominar. Porém o ciúme vivia tirando o seu sossego, é difícil estar ao lado de uma mulher tão desejada e nunca saber do que ela é capaz. Eles tiveram o primeiro filho, e o que deveria ser um presente para os dois, tornou-se mais uma vez um motivo para despertar o ciúme doentio de Bentinho, o menino foi crescendo e revelando-se muito parecido com seu amigo já falecido Escobar. Bentinho olhava nos olhos do filho, seu sorriso e até sua voz lembravam Escobar, até mesmo Capitu admitia a semelhança, mas ela jamais confessara uma traição. Bentinho lembrava-se de um outro caso de uma pessoa que se parecia muito com outra sem ser da mesma família, mas alguma coisa em sua cabeça lhe dizia o tempo inteiro que Capitu fora adúltera.

O sentimento de traição, o ciúme descontrolado e os olhos dissimulados de Capitu jurando inocência, o deixaram louco. Bentinho por um momento pensou em se matar, pensou em matar o “filho”. Capitu arrasada já não sabia o que fazer. A solução foi o divórcio disfarçado, ele não teria coragem de contar a família a sua humilhação. Mandou Capitu para fora do país com o filho, pagava uma boa quantia para o sustento. E mesmo com as juras de inocência de Capitu, continuou a viver com o sentimento da traição que nunca se provou verdadeira. A solidão e o gosto amargo que tomou conta de sua vida o transformaram no conhecido Dom Casmurro, homem frio, de poucas palavras e carranca feroz. E como seria se ele seguisse a carreira de padre? Como seria se ele jamais tivesse casado com Capitu? Não teria talvez, enlouquecido de amor, mas teria enlouquecido por jamais ter-se entregue. De qualquer forma, a loucura já o esperava.

“E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.”

Resenha: No mundo de Luna – Carina Rissi

Sinopse: A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando o seu nome. Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas em tempos de internet e notícias instantâneas a revista passa por problemas financeiros e o quadro de funcionários diminui drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser escrever um texto que ninguém presta atenção? Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam, e entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito – não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia.

Uma autora brasileira escrevendo um romance sobre uma jornalista recém formada? É claro que eu iria ler! Ainda não conhecia Carina Rissi, já tinha ouvido falar sobre ela, mas esse é o primeiro livro dela que pego para ler e confesso que o encontrei por um acaso na internet. De imediato a sinopse me conquistou e comecei a ler o ebook instantaneamente, agora pretendo comprar a nova versão do livro impresso. Embora grande parte dos livros que leio seja de ficção e aventura, esse livro tinha ingredientes essenciais para me conquistar: os dramas de uma jornalista recém-formada, a crise do jornalismo imprenso na era da internet e a cultura cigana da qual faço parte.

A história de Luna é muito mais sobre um amor complicado do que qualquer outra coisa. Não sou de ler romances com muito drama, porque eu sofro demais com os personagens e com esse não foi diferente, sofri demais e não consegui ter sossego antes de acabar o livro, fiquei alguns poucos dias presa naquela agonia, mas no fim valeu a pena. O livro aborda muito pouco sobre questões relacionadas ao jornalismo, é apenas um romance, mas com uma visão realista, com todas as suas dúvidas, confusões, suas dores e sua beleza. É fácil se imaginar dentro das páginas, porque tudo é muito dia a dia e são situações que podem acontecer com qualquer um. Os acontecimentos prendem a nossa atenção, a narrativa é leve e fluída.

Insatisfeita com o seu trabalho, jogando tarô para tentar escrever a coluna de horóscopo e sem ter noção do que ela é capaz de criar com isso tudo, Luna ainda tenta superar o último relacionamento, até que inexplicavelmente ela se vê apaixonada justo pelo homem que ela desprezava, quando na verdade preferia se apaixonar pelo novo fotógrafo gato da redação, mas o destino insiste em conspirar para que ela se aproxime ainda mais de um homem que ela jamais imaginaria que pudesse ter algo em comum. A vida as vezes brinca com a gente e nos confunde, então o que pensamos ser o certo já não é mais tão certo assim.

Qual a diferença entre amor e paixão? Quão incontrolável pode ser um sentimento? Devemos nos entregar aos impulsos ou nos controlar? As coisas ruins que acontecem são mesmo necessárias para que posteriormente coisas boas aconteçam? O livro responde essas questões de maneira reflexiva e nos faz perceber que existe uma força maior que nos governa, a felicidade as vezes pode ter um caminho pouco objetivo, o verdadeiro sempre se estabelece, nem tudo na vida tem que ter uma explicação teórica, as vezes é bom a gente se perder e as vezes a gente só precisa confiar e se deixar levar.

Cheio de reviravoltas, mistérios, incertezas, personagens envolventes e imprevisíveis, além de uma boa dose de humor, é praticamente impossível ler esse livro devagar, logo no primeiro capítulo desperta a vontade de ler tudo de uma vez. Assisti a série na HBO recentemente e embora não tenha praticamente nada haver com o livro, acabei gostando bastante, só não gostei do final decepcionante. A série é engraçada, mas o livro é muito melhor.

Resenha: Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

Sinopse: Esta é a inesquecível história de um cão que após renascer várias vezes, imagina que haja uma razão para o seu retorno, um propósito a cumprir e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo. Narrado pelo próprio animal, Quatro Vidas de um Cachorro aborda a questão mais básica da vida: por que estamos aqui?

Emocionante e com boas doses de humor, este é um livro para todas as idades, que mostra o olhar de um cão sobre o relacionamento entre as pessoas e os eternos entre os seres humanos e seus animais. Se você gostou de Marley e Eu vai adorar esta aventura que agora ganha as telas do cinema.

“Esta história vivaz e emociante encantará a todos os apaixonados por cachorros.“ – Booklist

A história começa quando um cãozinho vira lata tem seu primeiro contato com o mundo dos humanos, o pequeno nasce nas ruas, aprende com sua mãe e seus dois irmãos a caçar comida e principalmente a fugir dos humanos, ele não compreendia porque deveria fugir dos homens, viver à margem da sociedade, mas apenas seguia a sua mãe. Um dia os três cãezinhos são resgatados por um grupo que cuida de animais abandonados e então o pequeno tem o seu primeiro contato com os seres humanos, ele aprende o que há de bom e de ruim no instinto humano, que há pessoas boas, de coração puro e outras perdidas, tomadas pela maldade.

Em sua segunda encarnação ele é um cão de porte grande e vasta pelagem dourada, um Golden Retriever, seu nome agora é Bailey, ele é adotado e tem sua primeira família de verdade. Ao contrário de sua vida anterior no abrigo, agora ele é o centro das atenções e o melhor amigo do pequeno Ethan. Ele descobre no menino o verdadeiro significado do amor incondicional. Bailey faz parte do desenvolvimento de Ethan, vê ele crescer, conhecer sua primeira namorada, se magoar, ir à Universidade e etc. Bailey passa a crer que o seu proposito de vida é estar ao lado do menino, amá-lo e protegê-lo acima de tudo. Mas a vida de um cão é curta demais, Bailey sente que seu tempo está acabando e que terá que ir embora, mesmo achando que ainda não fez o suficiente por Ethan.

Mais uma vez o cão reencarna, dessa vez como uma cadela, uma pastora alemã da equipe de buscas e salvamentos da polícia. Depois de ter vivido a experiência de amor incondicional por um humano, o cão não consegue compreender o motivo de ter que viver mais uma vida longe de Ethan, ele nunca esqueceria o seu melhor amigo. Apesar de levar uma vida boa, aprendendo novas habilidades, encontrando e achando pessoas, ele não é feliz e encara a sua nova vida com a única missão de salvar pessoas das burradas que os outros fazem. Em sua vida como cão policial ele aprende o valor da vida humana e em como o ser humano é complexo e cheio de emoções turbulentas.

Poderia ter acabado, depois de tanto ajudar as pessoas ele merecia descansar ou sei lá para onde vão os cães depois de fazerem tantas pessoas felizes. Mas ele nasce novamente e pela primeira vez sente revolta por ter que viver mais uma vez, uma nova vida imprevisível e cheia de obstáculos. Ele sofre com a dor do abandono, da falta de amor humano. Como poderia depois de ajudar tanta gente ser abanado no meio da estrada como se não valesse nada? A quarta vida do nosso amigo não parecia nada fácil. No entanto, nem tudo estava perdido, ele podia reconhecer vagamente o lugar onde se encontrara sem querer, algo o lembra de sua primeira vida como Bailey.

Será se depois de tantas histórias vividas com tantas pessoas diferentes sua missão fosse voltar para Ethan? Ele seguiu seu faro, tendo a certeza de que ainda poderia reencontrar o seu amigo e consertar o que quer que tenha ficado para trás. O cão consegue encontrar a fazenda onde passou boa parte de sua vida com Ethan, consegue até sentir o seu cheiro, mas será se Ethan o reconheceria? Aceitaria sua amizade de volta? O tempo passara para Ethan que já chegara a terceira idade sozinho em uma fazenda, sem ter construído uma família e agora com um cão teimoso que insistia em permanecer na sua importa, implorando por companhia.

Nosso amigo de quatro patas aprendeu o significado do amor incondicional quando conheceu Ethan e mesmo vivendo outras vidas, nunca esqueceu o seu melhor amigo e foi capaz de voltar para ele, quando ele se encontrava triste e solitário. O eterno Bailey percebeu que talvez tudo isso tenha acontecido porque sua missão era fazer o amigo feliz e resgatá-lo da solidão em que vivia.  O livro nos mostra como o amor irracional de um cão é tão mais simples e genuíno do que o complexo e imperfeito amor humano. Bailey nos ensina o quanto a vida é frágil, feita de momentos únicos, a tolice que é tentar ser feliz sozinho e a necessidade de amar sem medo.

PS: O livro é  W. Bruce Cameron é de uma sensibilidade incrível, narrado pelo próprio cão, nos faz pensar que tudo poderia ser bem mais simples se enxergássemos a vida através dos olhos de um cachorro. Quem tem um amigo de quatro patas nunca mais conseguirá olhar para ele da mesma forma depois de ler esse livro. Com boas doses de bom humor, nos faz dar muitas risadas, mas nos faz chorar também, os sentimentais de plantão que peguem seus lencinhos. Assisti o filme duas vezes e confesso que fiquei decepcionada, por já ter lido o livro e ter imaginado a história toda em todos os detalhes na minha cabeça, o filme foi um balde de água fria, embora não seja muito ruim, mas não tem a riqueza de detalhes e a intensidade emocional do livro, além das peças não se encaixarem totalmente. Esse é um livro que eu quero guardar comigo para sempre, é uma leitura leve e divertida.

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