Resenha: Um Mundo Brilhante de T. Greenwood

Sinopse: Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato. Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta, desde o emprego como professor de História, até o relacionamento com sua noiva. Quando a conheceu, Ben tinha ficado impressionado com seu otimismo e sua autoconfiança. Com o tempo, porém, ela apenas reforçava nele a sensação de solidão que o fazia relembrar sua infância problemática. Essa procura pelas respostas o deixará dividido entre a responsabilidade e a felicidade, entre seu futuro há muito planejado e as escolhas que podem libertá-lo da delicada teia de mentiras que ele construiu. Esta, enfim, é uma história fascinante sobre o que devemos às pessoas, o que devemos a nós mesmos e o preço das decisões que tomamos.

Quando vi a propaganda desse livro em algum encarte da editora, logo pensei “Essa é a questão que define a minha vida”. Acho que passei a vida inteira me questionando sobre a minha tarefa nesse mundo, acho que sempre me senti no lugar errado, na hora errada, como um alienígena perdido no planeta terra. Acabei de alguma forma acreditando que eu me identificaria com esse livro e poderia até quem sabe encontrar a resposta desta pergunta tão complexa, foi um erro, não me identifiquei e nem encontrei essa resposta.

Ben Bailey não se conformava com a morte misteriosa do rapaz e o descaso da polícia local, investigando por conta própria, ele conhece a navajo Shadi Bagay, irmã do jovem índio. Shadi abre sua casa para Ben, conta detalhes sobre sua vida com o irmão e juntos eles começam uma investigação complexa e perigosa na tentativa de descobrir quem pode ter sido o agressor do menino que tinha poucos amigos e não costumava criar problemas. Ben vai se aproximando cada vez mais de Shadi e se distanciando de sua noiva.

Quem nunca comprou um livro pela capa? Esse é um daqueles que seduzem à primeira vista, comprei sem saber do que se tratava, e na verdade nem estava procurando por ele, foi durante a Bienal do Rio em que os olhos inquietos procuravam por algo que já não lembro mais, até que misteriosamente o brilho desse livro me chamou atenção e eu lembrei daquela velha propaganda em um folheto da Editora Contexto, corri na direção dele e peguei sem pensar, sem ao menos ler o primeiro e o último capítulo como eu costumo fazer. A sinopse também me chamou bastante atenção. 

A Obra da romancista T. Greenwood conta a história de um professor de história, Ben Bailey, que tenta levar a vida em uma cidadezinha pequena trabalhando como professor de história e barman. Ben é noivo de Sara, uma enfermeira de família bem sucedida que sempre fez tudo para agradar o confuso noivo. Ben e Sara costumavam se amar verdadeiramente, mas o professor começou a se sentir sufocado e perdido no relacionamento, enrolando a noiva e tentando escapar do casamento. A vida do casal vira do avesso quando Ben ao acordar em uma manhã após o Halloween, encontra o corpo de um jovem índio navajo em frente a sua casa. 

Os índios navajos da região tem fama de beberem demais e criarem problemas na cidade. Mas também há casos de índios que são perseguidos e agredidos sem terem feito nada de errado. Ben reconheceu o jovem que frequentava o seu bar com frequência, mas não costumava beber, era um rapaz quieto e um pouco tímido que ia ao bar apenas para beber refrigerante e jogar bilhar. O professor sabia que tinha algo de errado. O livro aborda questões muito importantes sobre a discriminação que ocorre nos Estados Unidos contra a indígena.

Daí já dá para imaginar o que acontece. Traição, ciúmes, revoltas, dramas e etc. Todos os personagens são egoístas e possessivos, mas ao contrário do que a princípio parece, Ben é o menos egoísta de todos, sim ele traiu a noiva, ele quase largou tudo, mas ele se sentia sufocado, ele precisa de um escapismo, e apesar do seu comportamento ele foi capaz de abrir mão do que ele realmente desejava pelo bem dos outros, por um compromisso maior, acho que por esse pequeno detalhe eu me identifiquei um pouco mais com Ben.

No entanto, não gostei do livro, parecia um romance recheado de suspense, mas na verdade é um romance dramático, uma história de pessoas possessivas tentando dominar as outras, e o Ben, nosso personagem principal, magoou tantas pessoas, casou sem amor e talvez continue sentindo-se perdido e sufocado pelo resto de sua vida, mas ele fez o que era certo, honrou um compromisso. Então é isso? Devemos mesmo enterrar os nossos sentimentos, esquecer tudo e nos sacrificarmos por compromissos assumidos? A questão indígina e a corrupção política mericam ter sido melhor abordadas. Desculpe T. Greenwood, mas esse mundo não tem nada de brilhante.

Não é o pior livro de todos os tempos, mas me deixou um gosto amargo, um sentimento depressivo e até um pouco de raiva direcionada aos personagens. Talvez outras pessoas que leram tenham entendido a mensagem de outra forma, mas para mim, não passa de uma história amarga. O livro me fez pensar sobre o quanto nos perdemos na vida e deixamos de ser quem somos, de fazer o que queremos devido aos padrões morais estabelecidos, devido ao medo de magoar os outros. O suspense em relação a morte do índio foi o que me fez não desistir da leitura e acredito que o livro seria melhor se explorarasse mais esse lado investigativo e abordasse com mais ênfase as questões sociais.

Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Sinopse: Caro leitor, você está prestes a adentrar o inferno. Mas não hesite: a viagem valerá cada segundo. Essa é uma história de amor e obsessão. E de purgação, crueza, devastação. No centro dos acontecimentos estão a voluntariosa e irascível Catherine Earnshaw e seu irmão adotivo Heathcliff. Rude nos modos e afetos, humilhado e rejeitado, ele aprende a odiar; mas com Catherine desenvolve uma relação de simbiose, paixão e também perversidade. Nada destruirá a essência desse laço – mas quando ela se casa com outro homem, por convenções sociais, as consequências são irreparáveis para todos em volta.

“Mas o que não associo eu a ela? O que não a trás à minha memória? Se olho para estas lajes vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minahs feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhos de que um dia ela realmente existiu e eu a perdi para sempre!” – Heathcliff

O romance de Emily Bronte é uma das histórias de amor mais complicadas e apaixonantes que eu já li. O ambiente arcáico, sombrio e tempestuoso do Morro dos Ventos Uivantes trás um ar de mistério. Uma história intensa no começo ao fim, mas triste em vários detalhes. Não é nenhum conto de fadas, é a história de uma grande paixão mal compreendida, que trouxe mágoas e vingança. Não sei explicar bem o que sinto por esse livro, talvez medo, angústia. Torcemos tanto por um final feliz, mas como já disse, esse não é um conto de fadas e o príncipe revela-se um homem cruel e vingativo. Li esse livro há muitos anos atrás e resolvi reeler porque já não lembra exatamente dos detalhes e dessa vez pude compreender melhor a personalidade de cada personagem.

A história começa quando o dono da fazenda denominada O Morro dos Ventos Uivantes, o Sr Earnshaw na Inglaterra, volta de viagem trazendo consigo um menino moreno de rude aparência denominado Heathcliff, o novo membro da família que ninguém desconfia de suas origens, a princípio provoca repulsa, mas logo ganha a amizade de Catherine. Heathcliff e Catherine tornam-se amigos inseparáveis por terem um comportamento bem parecido um ao outro. Porém os anos passam e a infância fica para trás, Catherine torna-se uma moça bonita, vaidosa e cheia de mimos, e mesmo amando seu amigo de infância, percebe que não pode casar com um homem que não vá lhe oferecer o que conforto que deseja, e ao ser cortejada por Edgar Linton, um homem totalmente aposto de Heathcliff e herdeiro da Granja dos Tortos, a vaidosa Catherine não deixa escapar a oportunidade. Porém um casamento sem amor, não haveria de trazer felicidades.

Heathcliff sente-se magoado e traído, desaparece na véspera do casamento do Catherine e para onde ele foi não se sabe, sabe-se apenas que Catherine vive uma vida de constantes alterações de humor, torna-se amargurada e irritadiça, o que faz com que seu novo marido perca o encanto por ela. Heathcliff retorna depois de um tempo, com dinheiro no bolso, mais forte e mais civilizado. Porém seu amor selvagem por Catherine continua o mesmo e ao perceber que ela sente o mesmo, não hesita em aproximar-se do seu antigo amor e fazer a vida de Linton um inferno. Mas o que pode fazer Heathcliff quando Catherine encontra-se cada vez mais perturbada mentalmente e grávida de um filho de Linton.

Heathcliff tem motivos de sobra para querer vingar-se de todos que tanto o maltrataram na infância e o afastaram de Catherine, principalmente Hindley, o irmão de Catherine, que o escravizou após a morte do Sr Earnshaw, e o obrigou a afastar-se de Catherine. E também de Linton, é claro, que com seu charme e posição social, seduziu o amor de sua vida. Nada mais normal que Heathcliff tenha se tornado uma criatura amarga, vingativa e odiosa, e ele faz questão de manter essa postura.

O odioso homem ao perceber que jamais poderá roubar Catherine do marido, e ao perceber também que a inoncente irmã de Linton fica encantada com a sua presença, logo trata de seduzi-la com o simples propósito de provocar algum tipo de dor ao Sr Linton, roubando a irmã e levando-a para longe da família. Catherine, cada vez mais louca, morre ao dar à luz a uma menina, que fora batizada com o mesmo nome da mãe, a pequena Caty causa repulsa à Heathcliff por ser tão parecida com a mãe e o fazer lembrar do amor que ele perdeu.

Heathcliff sente-se como um animal selvagem ferido e desolado ao perder seu grande amor, é como se a última fagulha de compaixão e amor que pudesse sentir houvesse se apagado de vez. Ele declara então guerra à todos que o machucaram. Isabella Linton ao descobrir que está gravida de Heathcliff resolve fugir do Morro, porém o cruel marido não se dá ao trabalho de sentir sua falta. Ao ficar doente, Isabella deixa a criança ainda pequena aos cuidados do Sr Linton. Porém Heathcliff faz questão de expôr seus direitos de pai, não por ter algum tipo de afeto ao filho, ele não é capaz de se afeiçoar a mais ninguém, mas pelo prazer de tirar algo mais do seu inimigo.

A pequena Caty e o pequeno Linton, começam criar um forte laço de amizade forçado por Heathcliff que deseja o casamento do menino com a herdeira da Granja dos Tortos, para torna-se herdeiro um dia e tirar da filha do Sr Linton tudo o que eles possuem. Os dois jovens que a princípio demonstram interesse um pelo outro casam-se por livre e espontânia pressão de Healthcliff que sabe que a saúde de seu filho e delicada e em breve ele morrerá deixando a Granja nas mãos do pai e Catherine desamparada, sem pai o pai que falece no época do seu casamento, e o marido e adoece e falece um pouco depois.

Heathcliff tem então sua vingança concluída porém ele continua com a mesma personalidade odiosa até o fim de sua vida, infernizando a vida de todos ao seu redor até seu último suspiro. Caty depois de muitas brigas, acaba afeiçoando-se ao seu outro primo Hareton, filho de Hindley Earnshaw, que após perder o pai cresceu como um criado de Heathcliff. Já o odioso e solitário homem não tem um minuto de paz e mergulha-se cada vez mais na solidão e na ilusão de ser perseguido por sua amada falecida. Heathcliff entra em uma espécie de transe e morre misteriosamente sem que nenhuma doença tenha sido registrada. Há boatos por volta da fazenda de que a alma de Heathcliff vaga a noite ao lado de sua amada Catherine.

Compreendo perfeitamente a personalidade maléfica de Heathcliff e não julgo suas atitudes e sinceramente esse é o personagem que mais gosto nessa história. E Catherine? na minha humilde opnião não merece nem metade do amor desse homem, é uma grande mimada e egoísta. A obra é um clássico da literatura inglesa, muito criticada na época em que foi escrita, mas conseguiu se tornar um clássico mundial e foi adaptada diversas vezes para o cinema, a mais recente em 2011. É uma história sobre um amor proibido, orgulho, obsessão e vingaça.

“Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna, eu sou Heathcliff!” – Catherine

Resenha: Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado

Sinopse: O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 20, a luta pela modernização material e cultural de Ilhéus, então em franco desenvolvimento graças às exportações do cacau da região. O eixo da história é a relação delicada e complexa entre as transformações materiais e as idéias morais. Com sua sensualidade inocente, a cozinheira Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a férrea lei local que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.Publicado em 1958, Gabriela, cravo e canela logo se tornou um sucesso mundial. Na televisão, a história se transformou numa das novelas brasileiras mais aclamadas mundo afora. No cinema, Nacib é vivido por Marcello Mastroianni, e Gabriela, por Sônia Braga.

“Do cheiro do cravo, da cor de canela, eu vim de longe, vim ver Gabriela“

Quem nunca ouviu falar na história da Gabriela de Jorge Amado? Grabriela, Cravo e Canela é um dos grandes clássicos da literatura brasileira, publicado pelo baiano Jorge Amado em 1958, que mais tarde acabou inspirando novela da Globo, filme e mini série. O enredo de Gabriela, Cravo e Canela, desenrola-se na Bahia, na cidade de Ilhéus, entre 1925 e 1926, época da zona cacaueira, em que a exploração do cacau plantado e colhido em abundância, provocou diversas transformações políticas, econômicas e culturais, na antiga cidade baiana.

Apesar de ter ouvido falar diversas vezes nessa tal de Gabriela, nunca havia lido sua história de fato, até que minha madrinha deu o livro para a minha mãe e eu peguei para ler, mesmo com uma pequena fila de livros novos e atraentes me esperando, algo me despertou a curiosidade de conhecer melhor a tal Gabriela que inspirou há alguns anos atrás o tão comentado personagem da Juliana Paes, na mini série dedicada à obra.  E digo uma coisa, não tem como não se encantar com Gabriela.

O árabe Nacib foi criado em Ilhéus desde pequeno, sentia-se mais Ilheense do que Sírio de fato. Dono de famoso bar, prestigiado por todos, levava vida boa, passava os dias com os amigos e fregueses a beber no botequim, comentar a vida dos outros, as fofocas da cidade, as aventuras nos cabarés, não tinha compromissos a não ser o lucro do bar e sonho de juntar dinheiro e comprar um bom pedaço de terra para cultivar cacaueiro. O cacau era o astro rei de Ilhéus, a exportação melhorava a economia da pequena cidade, ainda pouco civilizada.

A cidade dependia do cultivo na zona cacaueira, se chovia, se perdesse a plantação era só tristeza, mais quando a colheita era farta, então era só festa entre os Ilheenses. Quem mandava na cidade, quem impunha ordem e respeito eram os fazendeiros, os conquistadores do cacau, que conquistaram o poder através de lutas bárbaras e muito sangue derrubado.

lhéus era a princípio uma cidade bárbara em que mandava quem tinha dinheiro e coragem, matava-se as mulheres que enganavam os maridos, não havia justiça muito menos igualdade. Mas tudo isso mudaria com a chegada de Mundinho Falcão, homem da cidade grande, exportador, grande investidor de Ilhéus, de família prestigiada, que apegara-se à pequena cidade após sair do Rio de Janeiro na tentativa de esquecer um amor não correspondido. Mundinho era o homem que traria a civilização da cidade e do povo Ilheense, e claro, daria muito o que falar nas praças, no porto e no barzinho de Nacib.

Na véspera da chegada do tão espero Mundinho Falcão, Nacib se preparava para um jantar oferecido em seu bar, para homens da cidade grande, gente civilizada de grande escalão, trazidos por Mundinho com o intuito de inaugurar novos projetos da cidade grande. Ilhéus em pouco tempo ganhara estrada de ferro, abriram-se rodovias, viam-se os primeiros carros e caminhões, falava-se agora no complicado caso da Barra, a discutida obra de drenagem no antigo porto da cidade que deveria facilitar a exportação do cacau.

Quando Nacib acreditava que o jantar seu um sucesso e aumentaria seu prestígio de tradicional comerciante, eis que acontece algo que árabe não poderia prever, sua cozinheira o larga a ver navios. Mundinho chegava à cidade com seus amigos, o esperado jantar estava para acontecer e a velha Filomena cumpre a antiga promessa de ir para à casa do filho e deixa Nacib sem ter preparar o jantar e fazer os quitutes do bar. O árabe começa a difícil tarefa de encontrar cozinheira de mão cheia em Ilhéus, o que é raridade na pequena cidade. Gabriela cruza a mata, a pé, do sertão em direção a Ilhéus, em busca de trabalho e um lugar melhor para viver.

A sertaneja passa dias e dias em longa caminhada pela mata, acompanhada de amigos do sertão e do velho tio que adoece e morre durante a viagem. Gabriela era apenas uma menina com ar inocente, sedutora quase sem querer, sempre sorridente e descompromissada. Fez enlouquecer Clemente, com quem se deitou nas noites de descanso no escuro do matagal, ele o prometeu arrumar bom emprego, comprar pedaço de terra e com ela morar, mas não era isso que Gabriela queria. Ela queria ser livre, trabalhar, se sustentar, conhecer a cidade e não se apegar.

Nacib rodou a cidade inteira atrás de cozinheira para substituir a velha Filomena, só restava procurar no mercado dos escravos, chamado assim por ser um agrupamento de pessoas vindas de outras cidades em busca de trabalho. Ela já perdia as esperanças quando encontrou Gabriela, moça solitária, sem família, disposta a trabalhar por qualquer tostão. O árabe duvidava dos talentos da sertaneja maltrapilha, suja, coberta de poeira, que lhe dizia já ter cozinhado em casa de família. Como não tinha nada a perder, Nacib deu uma oportunidade à Gabriela.

O árabe logo encantou-se com tempero da moça, percebeu-se após o banho e a pela limpa, a beleza simples e rude, despretensiosamente sedutora da menina. Era impossível não se atrair pelo jeito de menina inocente e ao mesmo tempo misteriosa de Gabriela. O movimento no bar deu um salto, todos queriam provar o tempero de Gabriela, ver sua beleza de pele cor de canela, perfume de cravo, fazer gracinhas, chamar sua atenção.

O árabe estava contente, o movimento aumentava com a presença de Gabriela, e como não dispensava os prazeres da carnais, passou a ter menina não apenas como cozinheira, procurava-a na cama quase todas as noites, ela não o dispensava, pelo contrário, gostava do árabe. Nacib encantado com seu fogo, seu calor aconchegante, seu perfume de cravo, não precisava mais visitar o cabaré, esquecera de todas as outras.

Nacib estava completamente apaixonado por Gabriela, como nunca esteve por nenhuma outra mulher antes, nunca desejara se casar, construir família, ter uma mulher só, mas Gabriela era agora o que ele tinha de mais importante, e havia o medo, o ciúmes, o grande medo de perde-la. Gabriela todos os dias recebia inúmeras propostas de homens que queria amigar-se com ela, lhe prometiam casa, conta em loja, todas as regalias que ela desejasse.

O árabe em momento de aflição, com medo de perde-la, pediu Gabriela em casamento, quebrou tabus, foi criticado por sua família, apoiado por amigos que acharam nobre de sua parte casar com uma qualquer. Arrumou identidades falsas já que a moça não trouxera documentos, nem sequer sabia o dia de seu nascimento e sobrenome, promoveu o casamento, deu à Gabriela joias, vestidos, sapatos caros, como se ela se importa-se com essas coisas, mas ela gostava mesmo era dos pés no chão, os vestidos de chita e a rosa vermelha atrás da orelha.

Do casamento vieram às discussões, Gabriela não queria magoar Nacib, gosta de seu marido de verdade, mas não gosta dos sapatos apertados, de ficar em casa sem poder ir ao bar, sair sozinha pelas ruas, dançar de pés no chão, e não gostava principalmente de ser repreendida toda vez que saia com o marido e tentava comportar-se como senhora bem educada. Sentia falta dos cortejos, não entendia o ciúme de Nacib, gostava de estar cercada de homens bonitos a admirá-la, amava Nacib, mas não tinha ciúmes dele, seria capaz de aceitar se ele deitasse com outra mulher, queria ela também deitar com outros homens, era apenas desejo carnal, amava mesmo era seu Nacib.

A moça cedeu às provocações de Tônico Bastos, garanhão de má fama, não imaginava magoar Nacib, não imaginava que fossem descobrir, apenas entregou-se ao momento sem pensar, mas o árabe descobriu, pegou os dois no flagra, sua mulher e o padrinho de casamento, o que faria ele, matá-los para lavar com sangue sua honra? Mas ele nunca havia matado ninguém, nenhuma galinha sequer; desolado e pensando em ir embora de Ilhéus para não se sentir humilhado, ele não sabia o que fazer, espancou Gabriela, a pôs para fora de casa, expulsou Tônico à base da pancadaria. Gabriela sabia que cometera um erro, que ele tinha o direito de matá-la se quisesse.

Aconselhado por João Fulgêncio, que lhe propôs a anulação do casamento, já que os documentos de Gabriela eram falsos, Nacib simplesmente a deixou ir, largou Gabriela, a deixou em paz, mesmo não tendo paz em seu coração. Foi prestigiado pelo povo que achou nobre sua atitude, e inteligente por ter conseguido a anulação do casamento, como se tudo aquilo nunca houvesse existido, para o povo Gabriela fora apenas amigada, não havia nascido para ser senhora, e estava agora novamente livre. A moça recebeu novas propostas tentadoras, para cozinhar, se amigar e tudo mais, mas passou então a levar vida solitária, arrependida, na esperança de ter Nacib de volta, Gabriela não aceitara cozinhar para mais ninguém.

Essa é uma história de amor complicada, entre duas pessoas de culturas muito diferentes, que viviam em uma época cheia de rotulações e preconceitos. Uma história que poderia ter terminado em tragédia, mas converteu-se na verdadeira essência do amor: a liberdade. Não sei se é certo o comportamento de Gabriela, mas compreendo sua dificuldade em manter-se fiel, vaidosa, rodeada de pretendentes, moça jovem, porque haveria de ser errado? Por outro lado não há como duvidar do amor de Nacib, enfrentara os preconceitos sociais, casara com uma mulher de classe bem inferior, dera tudo a ela, mas errou tentando fazer com que ela mudasse.

Essa é uma história de amor complicada, entre duas pessoas de culturas muito diferentes, que viviam em uma época cheia de rotulações e preconceitos. Uma história que poderia ter terminado em tragédia, mas converteu-se na verdadeira essência do amor: a liberdade. Não sei se é certo o comportamento de Gabriela, mas compreendo sua dificuldade em manter-se fiel, vaidosa, rodeada de pretendentes, moça jovem, porque haveria de ser errado? Por outro lado não há como duvidar do amor de Nacib, enfrentara os preconceitos sociais, casara com uma mulher de classe bem inferior, dera tudo a ela, mas errou tentando fazer com que ela mudasse.

Resenha: A Escolha de Nicholas Sparks

Sinopse: Travis Parker possui tudo o que um homem poderia ter: a profissão que desejava, amigos leais, e uma linda casa beira-mar na pequena cidade de Beaufort, Carolina do Norte. Com uma vida boa, seus relacionamentos amorosos são apenas passageiros e para ele, isso é o suficiente. Até o dia em que sua nova vizinha, Gabby, aparece na porta.Apesar de suas tentativas de ser gentil, a ruiva atraente parece ter raiva dele. Ainda sim, Travis não consegue evitar se engraçar com Gabby e seus esforços persistentes o levam a uma jornada que ninguém poderia prever. Abrangendo os anos agitados do primeiro amor, casamento e família, A Escolha nos faz confrontar a questão mais cruel de todas: Até onde você iria manter o amor de sua vida?

Até onde devemos ir em nome do amor? O que você faria se tivesse que definir o destino de quem você ama? Gaby e Travis são duas pessoas completamente diferentes, uma moça estudiosa e dedicada à família que sempre seguiu as regras e procurou viver com paz e harmonia, e um solteirão aventureiro, que gosta de viver a vida nos extremos, destemido, aveso às regras e vivendo aos extremos.

A única coisa em comum entre Gaby e Travis é o fato de serem vizinhos e adorarem seus cães. Todas as tentativas de Travis para agradar a nova vizinha acabam dando errado, até que a cadela de Gabby, uma Border Collie acaba aproximando os dois. E o inesperado acontece… os dois opostos sentem-se atraídos um pelo outro. Gaby tem então uma difícil escolha, largar seu relacionamento estável com seu namorado de adolescência e viver uma aventura de amor incerta ou sufocar seus sentimentos e fazer calar o coração. 

É claro que ela acaba seguindo a voz do seu coração. O relacionamento dos dois teria tudo para dar errado, mas o destino vive surpreendendo a todos, então os opostos se unem. Gabby e Travis se casam e constroem uma família com dois filhos, e seus cães, tudo é felicidade até que um trágico acidente abala as estruturas dessa família, Gabby entra em um coma profundo, o tempo passa e os médicos começam a perder as esperanças de que ela se recupere, mas poderia Travis perder também as esperanças e permitir que desligassem o fio que ainda dá vida ao seu amor?

É claro que ela acaba seguindo a voz do seu coração. O relacionamento dos dois teria tudo para dar errado, mas o destino vive surpreendendo a todos, então os opostos se unem. Gabby e Travis se casam e constroem uma família com dois filhos, e seus cães, tudo é felicidade até que um trágico acidente abala as estruturas dessa família, Gabby entra em um coma profundo, o tempo passa e os médicos começam a perder as esperanças de que ela se recupere, mas poderia Travis perder também as esperanças e permitir que desligassem o fio que ainda dá vida ao seu amor?

A obra nos traz lições sobre o verdadeiro amor, as escolhas que fazemos quando ouvimos e nosso coração, e a esperança de que no final tudo pode dar certo. Esse é o primeiro livro que leio do Nicholas Sparks, já havia ouvido muito do autor, mas nunca me interessei em comprar nenhum livro porque eu sempre me interesso primeiramente por livros de ficções e aventuras, não sou grande fã dos romances porque geralmente eles me deprimem. 

Ganhei esse livro da minha madrinha e confesso que deixei-o no fim da minha fila de leitura, Nicholas Sparks nunca me atraiu, porque não sou fã do gênero, confesso também que me surpreendi com a capacidade do autor em criar histórias com fatos do cotidiano que poderiam acontecer com qualquer um. E ainda bem que não teve um final triste para me deixar deprimida. Enfim, para quem gosta de romances com finais felizes é um excelente livro, vale a pena ler.

Resenha: A Hospedeira de Stephenie Meyer

Sinopse: Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente.Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por aquele humano, a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada.

Preciso confessar que li alguns livros da saga Crepúsculo na época da febre vampiresca, até porque estava na moda e todo mundo só falava nisso, até uma das minhas amigas que odeia ler falava na saga o tempo inteiro. Quando vi o livro A Hospedeira na promoção nas lojas americanas, achei que não deveria ser nada muito interessante pois eu não ouvi nada sobre a nova publicação de Meyer. 

Comprei o livro porque fiquei super curiosa para saber quem era a droga da Hospedeira e o que ela era capaz de fazer, comprei também porque pressão da minha mãe que adora livros que envolvam ficção científica. O que me interessou primeiramente foi quando li o release que demonstrava que o livro não era apenas um romance bobo de adolescente, tinha algo mais, o avanço da ciência, as novas tecnologias e a possibilidade de enfrentarmos uma guerra com criaturas mais evoluídas que nós. 

O livro fala não apenas do amor carnal, mas de toda a profundeza das emoções humanas e o amor à humanidade em geral. Os primeiros capítulos me deixaram confusa, precisei reler alguns trechos para entender de fato que eu estava diante de duas personagens diferentes em um só corpo, na metade do livro finalmente entendi o que de fato a autora queria propôr, e então eu já não sabia mais para quem torcer. 

Acredito que este tenha sido o livro mais inteligente de Stephenie Meyer, é uma pena que tenha sido tão pouco comentado. Ouvi muitas críticas em relação ao filme, de fato é um filme confuso, mais que o livro, e para quem assistiu ao filme sem antes ler o livro, realmente não entendeu bulufas. 

A Hospedeira é uma história fantástica e na minha humilde opinião, mais interessante do que toda a Saga Crepúsculo. Apesar de ser uma leitura um pouco cansativa no começo, torna-se mais intensa e instigante do meio para o fim. A história é uma ficção científica bastante criativa e inteligente, com muita ação e emoções profundas. É lamentável que não tenha feito o mesmo sucesso de Crepúsculo.

Série: O Imortais de Alyson Noel

A série escrita pela americana Alyson Noel gira em torno de Ever Bloom, uma menina popular que tinha uma vida perfeita e invejável, até que um acidente de carro envolvendo a sua família muda completamente a sua história. A loira de olhos azuis se vê perdida e atormentada, a experiência de quase morte trás a ela uma nova maneira de enxergar as coisas e as pessoas. Ever Bloom passa de líder de torcida, patricinha popular a esquisitona do capuz preto. Com seis livros, a trama se passa na Califórnia em tempos atuais, mas mistura o passado com o presente, uma viagem complexa e estimulante sobre as várias encarnações que uma alma pode ter e como elas se interligam. A série de Alyson Noel é uma mistura de romance, magia e alquimia, com conceitos espiritualistas bem definidos e convincentes.  Uma fantasia inteligente, espirituosa, extremamente criativa e estimulante.

Quando li o primeiro livro da série Para Sempre, confesso que fiquei um pouco decepcionada, mas também curiosa, a princípio achei que se tratasse de mais uma historinha de vampiros a moda Crepúsculo. O primeiro livro da série como relatei em uma resenha feita aqui há muito tempo atrás, conta como Ever Bloom se transformou de menina comum a uma esquisitona com poderes paranormais e como ela conheceu (reconheceu) Damen August, o rapaz misterioso, cheio de segredos que a salvou do acidente de carro que matou sua família. O livro termina com muitos segredos em relação a personalidade de Damen e sua real ligação com Ever, a história parece muito vaga e aponta para mais um conto vampiresco qualquer, o que desestimula a leitura do segundo livro.

Depois de Lua Azul engatei em Terra das Sombras e não parei mais, Ever Bloom descobre como viajar para Sumerland, uma espécie de universo paralelo, um mundo mágico e espiritual que só algumas pessoas com certos dons conseguem entrar. Em sumerland ela pode criar o que quiser, vivenciar situações diferentes e principalmente buscar respostas para todas as suas dúvidas. Ever começa a descobrir a sua ligação cármica com Damen e as vidas passadas que eles viveram juntos, ela começa a compreender a infinitude das almas, o mundo espiritual e o poder mágico.

Nem tudo são flores, ao descobrir os segredos do passado Ever se vê confusa, cheia de dúvidas e incertezas, outros personagens importantes do seu passado começam a aparecer novamente em sua vida, uns aparecem para o bem e outros para o mal, existe um carma que precisa ser resolvido para que ela possa voltar a viver em paz. Ela precisa aprender a usar a magia para se defender e enfrentar uma perigosa viagem ao passado, relembrando todas as suas encarnações, revivendo momentos de dor para compreender o que ela realmente deve fazer. Em geral a série nos mostra as verdades do mundo espiritual, o conceito de reencarnação e a imortalidade da alma com uma mistura de magia, paranormalidade e a busca pela evolução espiritual e o conhecimento superior.

Resenha: Ninguém é de Ninguém de Zíbia Gasparetto

Sinopse: Há quem pense que sentir ciúme é provar que se ama ardentemente. Até descobrir que ele transforma a sua vida amorosa em dolorosa tragédia que termina em amarga separação.  Se fizermos as contas, perceberemos que sofremos mais com as pessoas que amamos do que com aquelas que nos odeiam.  O que você chama de amor não será apenas paixão?  Você vive se inferiorizando por não conseguir atingir seus vaidosos ideais e sempre escolhe alguém que terá a terrível tarefa de fazê-lo sentir-se melhor. Tortura essa pessoa para que ela lhe dê uma exaustiva atenção, a mesma que você se nega.  Luta para ser o dono absoluto do outro, como se o fato de gostar lhe desse esse direito.  Esta história o fará refletir sobre o falso e o verdadeiro amor e perceber que a vida afetiva é um constante exercício de autodomínio.  No final descobriremos que só possuímos a nós mesmos, pois ninguém é de ninguém!

Roberto é um homem orgulhoso e machista, seu ciúme extremo demonstra um grande complexo de inferioridade que o leva ao abismo. Casado com Gabriela, uma mulher inteligente, determinada, empoderada e humilde, o oposto de Roberto. Roberto tem pouco estudo, mas sempre trabalhou por conta própria fazendo seu dinheiro de forma honesta, porém a ganância, o desejo de ficar rico para tentar convencer sua esposa a deixar de trabalhar fora, o leva a se associar a um homem dissimulado que toma todo o seu dinheiro. 

Roberto perde tudo, fica na miséria e não consegue arrumar emprego por não ter experiência de carteira assinada, dependendo da ajuda financeira de sua esposa, que apesar dos pedidos do marido para que deixasse de trabalhar fora e ficasse somente cuidando da casa, continuou na empresa de Renato, sempre buscando fazer o seu melhor no trabalho. Gabriela ganha cada vez a confiança de Renato, que aos poucos vê-se apaixonado por aquela mulher forte, inteligente e auto-suficiente. 

Porém Renato é casado com Gioconda, uma mulher manhosa, de personalidade frágil, possessiva e desequilibrada. Apesar do seu casamento com Gioconda ser um fracasso, e mesmo desejando a separação, Renato se mantém fiel a esposa e mantém notável respeito por Gabriela, silenciando seus sentimentos e cultivando uma amizade profunda. Gabriela admira o patrão, mas demora a entender seus sentimentos por ele, ela ainda ama o seu marido, apesar das diferenças. 

O ciúmes doentio de Roberto e Gioconda fazem eles se aliarem em uma empreitada perigosa para afastar Renato e Gabriela, jurando que eles possuem um relacionamento secreto e movidos por forças malignas que se aproveitam de suas fragilidades para incentivarem ainda mais a prática do mal. Eles conseguem causar uma verdadeira tragédia, destruindo suas próprias vidas e afastando definitivamente aqueles que eles pensam que amam.

Apesar das alegações caluniosas de que seriam amantes, da amizade que vai transformando-se em amor e da ruína de seus relacionamentos, Gabriela e Renato procuram calar seus sentimentos, assumindo o que sentem apenas quando já se vêem livres dos seus casamentos. Eles conseguem construir um relacionamento bonito e saudável em um verdadeiro encontro de almas afins, com igualdade de energias e propósitos. 

O livro nos trás uma verdadeira lição sobre amor, autoconfiança, e postura firme e positiva perante as dificuldades da vida. Nos mostra como as nossas atitudes diárias, nossos pensamentos e nossos sentimentos influenciam as energias que se aproximam de nós e como a espiritualidade interfere na vida de nós encarnados. Nos alerta sobre a necessidade de vigiarmos o que nos vai no íntimo, limpar nossos corações, cuidar dos nossos pensamentos e sermos pessoas mais otimistas e corajosas. 

Resenha: Paixão de Lauren Kate

Sinopse: Luce morreria por Daniel. E morreu. De novo e de novo. Ao longo do tempo, Luce e Daniel se encontraram somente para serem dolorosamente separados: Luce morta, Daniel deixado machucado e sozinho. Mas talvez não precise ser dessa maneira… Luce está certa que algo – ou alguém – em uma vida passada pode ajudá-la em sua vida presente. Então ela começa a jornada mais importante desta vida… voltando eternidades para presenciar em primeira mão seus romances com Daniel… e finalmente descobrir o segredo para fazer seu amor durar. Cam e a legião de anjos e Exilados estão desesperados para pegar Luce, mas nenhum deles está tão agitado quanto Daniel. Ele vai atrás de Luce através de seus passados em comum, com medo do que pode acontecer se ela reescrever a história. Porque então seu romance corre o risco de acabar… para sempre.

Luce está cansada dos segredos de seu amado anjo misterioso, ela está cansada de receber ordens com a justificativa de que precisa de proteção, ela sente que é capaz de fazer mais, de lutar por si própria. Luce cresceu muito como mulher do primeiro livro da série até esse, embora ainda seja adolescente. Ela aprendeu que pode se virar sozinha e que para o seu relacionamento dar certo ela precisa compreender a sua história, suas vidas passadas e o mistério que o prende a Daniel. É amor ou maldição? Daniel afirma incessantemente que é amor, mas as tragédias assistidas por Luce a fazem duvidar dos sentimentos que os unem. E se ela pudesse libertar Daniel de ter que se prender a ela, vida após vida, sabendo que no final irá perdê-la? 

Luce parte em uma aventura imprevisível, manejando suas antigas sobras que antes tanto a assustavam como meio de transporte rumo ao seu passado, ela embarca em inúmeras vidas tendo chegar ao ponto de início, quando ela conheceu Daniel, quando a história de deles de fato começou. Ela acredita que através do passado poderá mudar o seu futuro com Daniel, o que ela não sabe é que qualquer deslize pode apagar sua existência, além de Cam e os anjos caídos que continuam perseguindo-a. Ela parte sozinha entre as sombras, deixando seus amigos preocupados tentando encontrá-la sem sequer ter ideia de qual dimensão ela estará.  

Ela observa sua vidas antigas, em épocas e lugares totalmente diferentes, vê seus personagens, suas antigas personalidades se desenvolverem, se apaixonarem sempre pelo mesmo homem misterioso e incrivelmente lindo que sempre aparece por um acaso em suas vidas, vê o apego e revive em cada personagem os sentimentos daquela paixão inexplicável e morre, se apaixona, sofre e morre em uma explosão de luz que dura poucos segundos, ela parte sempre e sempre, deixando inconsolável um anjo amaldiçoado. Luce começa a duvidar do amor que os une, confundindo-o como uma prisão que sufoca ambos os envolvidos, embora ame Daniel verdadeiramente, ela já não sabe mais se sua ligação com ele pode um dia ser benéfica.

Daniel parte através de Luce pelas sombras, revivendo suas vidas antigas e cada vez mais preocupado com as escolhas que Luce pode fazer ao presenciar centenas de vezes suas mortes e os sofrimentos que se sucedem a cada época. A história se resume a contar em cada capítulo uma versão de Luce e seu relacionamento destrutivo com Daniel, levei séculos para terminar de ler porque fiquei entediada com a mesmice do livro. Esperava por mais ação, mas no fim de trata de uma menina que em todas as suas vidas se apaixona pelo mesmo cara, vive um curto romance proibido e morre. É claro que Luce escolhe voltar para Daniel no exato momento em que eles se encontram e ainda não há respostas sobre a ligação que os prende. 

Resenha: Tormenta de Lauren Kate

Sinopse: Enquanto Daniel está caçando os anjos que querem matar Luce, ela começa a aprender a utilizar as sombras como janelas para suas vidas passadas em Shorelina, sua nova escola. Lá estão alunos com talentos únicos: nefilins, filhos ou descendentes de relacionamentos entre anjos e mortais… Logo Luce está certa de que Daniel está escondendo um segredo mortal, e começa a questionar as consequências desse amor proibido.

Luce agora precisa ficar afastada de Daniel, sua nova condição como não batizada na igreja faz com que ela possa nunca mais voltar a terra caso morra novamente. Daniel continua firme em sua escolha ao ignorar o apelo de boa parte dos anjos caídos e permanecer fiel ao seu amor à Luce, mas essa é uma escolha perigosa. Agora não são apenas os anjos caídos que estão atrás de Luce, outras criaturas querem pegá-la. A condição durante a guerra que se inicia é que Luce fique afastada de Daniel, de todos os seus amigos e sua família em um lugar aparentemente seguro.

Luce é como uma lenda para os nefilins de Shorelina,  escola é um dos poucos lugares onde Luce não pode ser rastreada pelos anjos do outro lado, a presença dos nefilins de alguma forma parece mascarar a presença de Luce. Ela precisa começar tudo de novo, encarar um lugar totalmente diferente, sem saber o que esperar das pessoas que ela vai conhecer. Ela é bem recebida pelos nefilins como nunca havia sido recebida em nenhum outro lugar, seu romance com Daniel e suas várias outras vidas anteriores são lendas para eles. Ela consegue fazer amigos reais e se sentir integrada à algo novo.

No entanto o tempo longe de Daniel, seus novos amigos e as visões do passado que aos poucos ela vai tendo acesso na medida em que aprende a interpretar as sombras anunciadoras, a faz questionar o seu romance com Daniel. Ela começa então a ter dúvidas sobre o passado de Daniel e as escolhas que ele fez. Luce passa a mudar a sua forma de enxergar o mundo e talvez de acordo com essa nova perspectiva, por mais que seu amor por Daniel seja real, não valha tanto a pena o sacrifício. Ela está cansada da superproteção de Daniel, das perguntas não respondidas e de todo o mistério por trás de sua natureza.

Luce quer independência, autonomia e respostas, mais do que tudo, ela quer uma vida normal, mas talvez seja tarde demais, ela já faz parte de um mundo misterioso e incrivelmente perigoso, a escolha foi feita, mais uma vez, ao lado de Daniel, a guerra voltou e talvez não haja mais tempo para voltar atrás. Shorelina não parece tão segura quanto deveria ser, alguns infiltrados tornam-se sérias ameaças. Luce sente-se presa à algo que ela sequer sabe distinguir e totalmente perdida, mais do que lutar por amor, ela precisa lutar por sobrevivência. Luce então faz uma escolha difícil após presenciar um novo e conflito mortal, ela escolhe partir, sozinha em busca de um refúgio para si própria e de respostas.

Começo a gostar mais de Luce a partir desse segundo livro, ela já não é mais a menina passiva,  obcecada pelo namorado incrivelmente poderoso, ela agora investiga o seu passado, questiona e não suporta mais o silêncio. Por mais que ainda ame Daniel, ela não poderia deixar de amá-lo, ela descobre que pode ser independente, ela precisa ser independente, talvez ela possa até ter outros amores, amigos normais, uma rotina simples e segura, talvez ela possa viver sem ele, embora o amor nunca vá morrer, mas ela pode aprender a viver sem esse amor, o destino deles agora é mais incerto do que nunca, Luce está consciente.

Resenha: Fallen de Lauren Kate

Sinopse: Algo parecia estranhamente familiar em Daniel Grigori. Solitário e enigmático, ele chama atenção de Luce logo no seu primeiro dia de aula no reformatório. A mudança de escola foi difícil para a jovem, mas encontrar Daniel parecia aliviar o peso das sombras que atormentam o seu passado: Um incêndio misterioso – que provocou a morte de seu namorado – levou Luce até ali. Irremediavelmente atraída por Daniel, ela quer descobrir qual é o segredo que ele precisa tanto esconder – uma verdade que poderia matá-la. Algo que em suas vidas passadas, Daniel não conseguiu evitar. Excitante, sombrio e romântico Falen é ao mesmo tempo, um Thriller e uma inesquecível história de amor.

Este livro já estava na minha lista há bastante tempo (há anos na verdade) mas com a correria dessa vida de estudante é muito difícil cumprir listas. Confesso que a primeira coisa me atraiu foi a capa (sim, sou dessas) em seguida a proposta de um romance entre anjos e humanos. Toda essa mística de anjos e demônios e as suas presenças na terra sempre me chamou atenção, não sou fã de um romance qualquer, mas o apelo místico, ainda que totalmente fora da realidade, me fascina. Assisti ao filme, baseado no livro, antes de pegar o livro para ler e isso aguçou ainda mais a minha curiosidade.

A história começa com os dramas de uma garota esquisita e vê sombras estranhas e acabara de perder o seu único namorado em um incêndio que ela não era capaz de compreender, mas a julgavam culpada. A jovem Luce seria punida em uma escola reformatória cheia de pessoas, iguais e piores do que ela. Ao ver Daniel pela primeira vez ela sente que há algo familiar entre eles e mesmo contra a sua vontade, sem entender os motivos, ela sente-se ridiculamente atraída pelo loiro misterioso de olhos violetas. Luce faz alguns amigos e inimigos em poucos dias e atrai a atenção de Cam, um homem enigmático e super charmoso disposto a tudo para conquistá-la.

Apesar das investidas de Cam, ela até que gostava dele e queria poder gostar mais, no entanto ela não pode controlar o que o sente por Daniel, ainda que o loirinho misterioso a princípio tente ao máximo fugir da moça, chegando a destratá-la para se manter longe. Existe muita coisa em jogo, muitos mistérios a serem resolvidos e pobre Luce não sabe por onde começar. Ela insiste em investigar o passado de Daniel até descobrir que ela já fizera parte dele. A paixão entre Luce e Daniel era inevitável assim como o desastre que se repetira em tantas vidas, mas eles não aguentariam o distanciamento e teriam que se arriscar de novo e mais uma vez se quisessem ficar juntos, estavam entrelaçados um ao outro.

A princípio todas as insistência de Luce em relação a Daniel e suas grosserias tentando afastá-la e todo esse mistério em relação a verdadeira identidade de Daniel me deixaram profundamente irritada com o livro, a ponto de deixar de lado e ler outras histórias para aliviar a tensão. Até Luce descobrir o que de fato Daniel, Cam e alguns de seus amigos realmente são, forma-se um drama entediante. Mas existem muitos mistérios para serem resolvidos e os acontecimentos no fim do livro vão nos despertando a curiosidade em continuar a leitura da sério. Uma mocinha estranha que se apaixona por um cara extraordinário, mas que não é um simples humano e eles precisam lutar para ficarem juntos? Isso me lembrou a saga Crepúsculo! Sim, é bem clichê, mas a curiosidade não me permite desistir da série no primeiro livro.

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