

Sinopse: Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato. Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta, desde o emprego como professor de História, até o relacionamento com sua noiva. Quando a conheceu, Ben tinha ficado impressionado com seu otimismo e sua autoconfiança. Com o tempo, porém, ela apenas reforçava nele a sensação de solidão que o fazia relembrar sua infância problemática. Essa procura pelas respostas o deixará dividido entre a responsabilidade e a felicidade, entre seu futuro há muito planejado e as escolhas que podem libertá-lo da delicada teia de mentiras que ele construiu. Esta, enfim, é uma história fascinante sobre o que devemos às pessoas, o que devemos a nós mesmos e o preço das decisões que tomamos.

Quando vi a propaganda desse livro em algum encarte da editora, logo pensei “Essa é a questão que define a minha vida”. Acho que passei a vida inteira me questionando sobre a minha tarefa nesse mundo, acho que sempre me senti no lugar errado, na hora errada, como um alienígena perdido no planeta terra. Acabei de alguma forma acreditando que eu me identificaria com esse livro e poderia até quem sabe encontrar a resposta desta pergunta tão complexa, foi um erro, não me identifiquei e nem encontrei essa resposta.
Ben Bailey não se conformava com a morte misteriosa do rapaz e o descaso da polícia local, investigando por conta própria, ele conhece a navajo Shadi Bagay, irmã do jovem índio. Shadi abre sua casa para Ben, conta detalhes sobre sua vida com o irmão e juntos eles começam uma investigação complexa e perigosa na tentativa de descobrir quem pode ter sido o agressor do menino que tinha poucos amigos e não costumava criar problemas. Ben vai se aproximando cada vez mais de Shadi e se distanciando de sua noiva.
Quem nunca comprou um livro pela capa? Esse é um daqueles que seduzem à primeira vista, comprei sem saber do que se tratava, e na verdade nem estava procurando por ele, foi durante a Bienal do Rio em que os olhos inquietos procuravam por algo que já não lembro mais, até que misteriosamente o brilho desse livro me chamou atenção e eu lembrei daquela velha propaganda em um folheto da Editora Contexto, corri na direção dele e peguei sem pensar, sem ao menos ler o primeiro e o último capítulo como eu costumo fazer. A sinopse também me chamou bastante atenção.
A Obra da romancista T. Greenwood conta a história de um professor de história, Ben Bailey, que tenta levar a vida em uma cidadezinha pequena trabalhando como professor de história e barman. Ben é noivo de Sara, uma enfermeira de família bem sucedida que sempre fez tudo para agradar o confuso noivo. Ben e Sara costumavam se amar verdadeiramente, mas o professor começou a se sentir sufocado e perdido no relacionamento, enrolando a noiva e tentando escapar do casamento. A vida do casal vira do avesso quando Ben ao acordar em uma manhã após o Halloween, encontra o corpo de um jovem índio navajo em frente a sua casa.
Os índios navajos da região tem fama de beberem demais e criarem problemas na cidade. Mas também há casos de índios que são perseguidos e agredidos sem terem feito nada de errado. Ben reconheceu o jovem que frequentava o seu bar com frequência, mas não costumava beber, era um rapaz quieto e um pouco tímido que ia ao bar apenas para beber refrigerante e jogar bilhar. O professor sabia que tinha algo de errado. O livro aborda questões muito importantes sobre a discriminação que ocorre nos Estados Unidos contra a indígena.
Daí já dá para imaginar o que acontece. Traição, ciúmes, revoltas, dramas e etc. Todos os personagens são egoístas e possessivos, mas ao contrário do que a princípio parece, Ben é o menos egoísta de todos, sim ele traiu a noiva, ele quase largou tudo, mas ele se sentia sufocado, ele precisa de um escapismo, e apesar do seu comportamento ele foi capaz de abrir mão do que ele realmente desejava pelo bem dos outros, por um compromisso maior, acho que por esse pequeno detalhe eu me identifiquei um pouco mais com Ben.
No entanto, não gostei do livro, parecia um romance recheado de suspense, mas na verdade é um romance dramático, uma história de pessoas possessivas tentando dominar as outras, e o Ben, nosso personagem principal, magoou tantas pessoas, casou sem amor e talvez continue sentindo-se perdido e sufocado pelo resto de sua vida, mas ele fez o que era certo, honrou um compromisso. Então é isso? Devemos mesmo enterrar os nossos sentimentos, esquecer tudo e nos sacrificarmos por compromissos assumidos? A questão indígina e a corrupção política mericam ter sido melhor abordadas. Desculpe T. Greenwood, mas esse mundo não tem nada de brilhante.
Não é o pior livro de todos os tempos, mas me deixou um gosto amargo, um sentimento depressivo e até um pouco de raiva direcionada aos personagens. Talvez outras pessoas que leram tenham entendido a mensagem de outra forma, mas para mim, não passa de uma história amarga. O livro me fez pensar sobre o quanto nos perdemos na vida e deixamos de ser quem somos, de fazer o que queremos devido aos padrões morais estabelecidos, devido ao medo de magoar os outros. O suspense em relação a morte do índio foi o que me fez não desistir da leitura e acredito que o livro seria melhor se explorarasse mais esse lado investigativo e abordasse com mais ênfase as questões sociais.




















